JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Direitos Humanos, na Origem de Nosso Povo - por Carlos Brickmann

Tomo a liberdade de transcrever esse texto do Carlinhos:
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Direitos Humanos são sempre os direitos dos que pensam e agem diferente de nós. Será que nossos fundamentalistas judeus concordam com isso?
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A Declaração dos Direitos do Homem das Nações Unidas é muito jovem. Tem apenas 60 anos.
Mais antigo, com 220 anos, é o lema da Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.
Mais antiga ainda, com 233 anos, é a Declaração de Independência dos Estados Unidos: “Todos os homens foram criados iguais, e receberam de seu Criador certos direitos inalienáveis, entre eles o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade”. E, inspiradora de ambas as declarações, a Carta de Direitos da Revolução Gloriosa, de 1689, na Inglaterra – onde, há mil anos, surgiram também a Magna Carta e o habeas-corpus.
Bem mais recentes, com 79 anos, são as Quatro Liberdades defendidas pelo presidente americano Franklin Roosevelt, como contraponto ao totalitarismo nazi-fascista: exercer a livre expressão, livremente escolher seu culto, estar livre das necessidades, ficar livre do medo.
São belos princípios, belas declarações, belíssimos textos; infelizmente são pouco aplicados – e exatamente por isso são tantas vezes reafirmados. É necessário relembrá-los a cada passo da História humana.
Mais da metade do mundo sofre com ditaduras, que abominam a livre expressão, combatem o livre culto e utilizam o medo como forma de impor seu poder; mais da metade do mundo sofre com necessidades que, no atual estágio de desenvolvimento da Humanidade, não têm qualquer razão de existir.
Nem Liberdade, pois, nem Igualdade. Quanto à Fraternidade, sabe-se lá quando a teremos: basta lembrar que dois grupos com a mesma etnia, o mesmo Alá e o mesmo Maomé, sunitas e xiitas, só conseguem unir-se no ódio a seus parentes judeus, como eles descendentes do mesmo pai Abrahão, como eles crentes no mesmo Deus único.
Nós, judeus, sabemos quanto valem os direitos humanos – onde eles faltam, estamos sempre entre as primeiras vítimas. Mais do que isso, temos uma longa, complexa e gloriosa herança ética a respeitar. E, considerando-nos o povo eleito, um povo de sacerdotes, como acreditamos, como diz a Bíblia, nossa responsabilidade é muito maior que a de outros povos e nações. Temos o direito de exigir que nossa liberdade, inclusive religiosa, seja respeitada. Mas temos o dever de agir para que a liberdade dos outros não sofra qualquer desrespeito (e, mais do que tudo, não é admissível que um eventual desrespeito tenha origem em nós).
Foi triste, por exemplo, o episódio de Akko. Um morador árabe andava de carro, com o rádio alto, no Yom Kippur. Não era uma atitude adequada; mas reagir com violência e pedradas, como ocorreu, foi menos adequado ainda. Uma jovem foi espancada por usar roupas que os moradores de um bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém consideraram inadequadas (mas que estavam de acordo com os costumes da imensa maioria da população e rigorosamente dentro da lei). E se as roupas da moça fossem mesmo inadequadas: será isso motivo para espancá-la, ou lapidá-la? Que tipo de roupas usava nossa mãe Eva? Teremos, ao menos alguns de nós, nos transformado em fundamentalistas tão irracionais e fanáticos quanto os do Irã?
Não, não podemos ser assim. Citando uma famosa revolucionária judia, Rosa Luxemburgo, “liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente”. E, ao contrário de tantas outras nações, o povo judeu não pode abandonar seus compromissos com a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade, com as Quatro Liberdades, com os direitos inalienáveis do ser humano. O mais antigo documento conhecido a tratar de direitos humanos foi-nos trazido há milhares de anos por Moisés e está na origem da História judaica.. E, como todos sabemos, a Humanidade estaria bem melhor se, em vez de tantas leis, normas, decretos e portarias, seguisse simplesmente os nossos Dez Mandamentos.
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*Carlos Brickmann é jornalista e consultor de Comunicação.
Contatos :
brickmann@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br

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Respostas a este tópico

Ola Lilian,
Muito obrigado por participar sobre esse texto do Carlos Brickmann, super interessante.
Quero incluir, tambem parte da carta magna da independencia de Israel, na qual essa carta vem sendo hoje um documento bastante usado pelos setores progressistas em Israel, que lutam por estado judeu de responsabilidades sociais,de justica e pazl.
Essa carta magna nao eh uma carta de grupos "esquerdistas" ela foi assinada por todas as correntes politica de Israel , desde o PC Israeli, Mapam,Mapai,Herut,liberais e religiosoas. Nos do movimento humanista em Israel queremos colocar essa carta em Pratica.
>"O Estado de Israel estara aberto a imigração judaica ... Fomentará o desenvolvimento do pais em beneficio de todos os seus habitantes; defendendo os principios de liberdade, justica e paz, conforme concebido pelos profetas de Israel; assegurando a completa igualdade de direitos sociais e politicos a todos os seus habitantes, sem distinção de religião, raça ou sexo; garantirá a liberdade de culto, consciencia lingua, educação e cultura, protegerá os Lugares Santos de todas as religiões; e se mantera fiel aos principios da Carta das nações Unidas. Estendemos nossa mão a todos os estados vizinhos e a seus povos, com o proposito de paz e boa vizinhanחa, na esperança do estabelecimento de laços de cooperação e ajuda mutua com o povo judeu soberano estabelecido em sua propia terra>.“ 5 de Iyar de 5708, 14 de Maio de 1948.

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