JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Sem ser coisa piegas o perdão faz parte de um projeto de uma humanidade responsável.
A coisa piegas é a religião dos sentimentos frívolos que resumem o judaísmo a uma coisa vaga sobre a qual todos opinam como se fosse um boato que corre o mundo.
Judaísmo Humanista é palavra que exclui, limita e também diluí. Dilui porque todos podem opinar e dizer que isto ou aquilo é ou não é humanista. Fica fácil. Exclui porque supõe que existe judaísmo não humanista.
Humanismo Judaico pede estudo, mergulho, reflexão, ignorância e vontade de conhecer este projeto humano. Existem outros projetos do humano que não são judaicos. Por isto a declaração universal dos direitos do homem bate de frente com culturas locais que não querem aderir e também sentem que estão certas.
Aqueles que incendiaram uma mesquita em Israel são diferentes dos fundamentalistas muçulmanos ou cristãos. Será que eles se sentem não humanistas?
O que procuram tantos que aderiram ao site? Conversão judaico humanista que os receba ou humanismo judaico que precisam conhecer para resolver se querem aderir? Aderir e não converter. Ninguém se converte, não somos porções químicas.
Muitas vezes percebo pessoas que pensam o judaísmo com referências não judaicas. Compreensível. Alterar a própria cognição requer um esforço que equivale a mudar a ótica do mundo. Diferente de salvar a alma.
Judaísmo não é salvacionista, redentor ou coisa que o valha. Nada mais não judaico do que a pressa messiânica que impulsiona tradições que oferecem a salvação da alma. Judaísmo se preocupa com transformações em homens voltados para o mundo. Esta era a conversão a uma prática ao pé da letra.
O outro mundo é sempre o outro. Um Olam Há Bá. Um mundo vindouro fora do meu mundo. Este é o outro mundo que o judaísmo sempre pensou. Para ser parte de Israel não basta ser judeu legitimado por algum rabino. Os judeus que queimam uma mesquita são parte de Israel?
Lévinas nos ensina que Israel é um conceito que abarca e inclui todos aqueles que se pautam por um humanismo judaico. O que não quer dizer que judaísmo seja uma forma de sentir. Seria um judaísmo para tolos.
O perdão é parte de um projeto humanista judaico de responsabilidade por si e pelo outro. Por isto o Talmud ensina que os erros cometidos contra o próximo, deus se existir não perdoa no iom kipur. Só o próximo a quem me
dirijo pode fazer este milagre de me libertar de minhas culpas. Deus se existir está fora.
Um ensinamento talmúdico transmite que anjos servidores de deus se existir foram e lhe perguntaram: Quando é Rosh Hashaná? “Perguntem aos seres humanos, foi a resposta de deus se existir que ainda completou: O que for lei para Israel é mandamento para Elohim”
Deus em seu esplendor silencioso deixa ao humano o destino de marcar o seu tempo sem interferências. Silencioso, obedece ao humano. Um Kipur sem interferências transcendentais é o mesmo que remoçar o tempo encarando as rugas acumuladas de erros e desacertos sem fazer plástica. É recomeçar sem apagar o tempo que houve. É esforço de renunciar ao orgulho de se querer justo e bater cabeça para o meu próximo que me transcende e dizer: des-culpapara que eu possa começar um novo tempo sem estar preso a você dentro de mim.
Que seja bom e justo o livro de vida que cada um venha a escrever.
Shaná Tová para todos
Paulo Blank.

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Respostas a este tópico

Obrigado, Paulo. 

É pra imprimir, e ler, e ler, e ler.

É recomeçar sem apagar o tempo que houve. É esforço de renunciar ao orgulho de se querer justo e bater cabeça para o meu próximo que me transcende e dizer: des-culpa para que eu possa começar um novo tempo sem estar preso a você dentro de mim.

Que seja bom e justo o livro de vida que cada um venha a escrever.

 

Paulo, gostei muito do seu texto - muito legal. Agora, gostaria que caso você não se sinta constrangido, saciasse minha curiosidade quanto à frase repetida algumas vezes: "Deus se existir". Ela é uma dúvida real que você tem?

Um grande abraço,

Shalom,

Kathia Kozlowski

Oi Kathia, independentemente do Paulo ter ou não a dúvida, eu, como leitor que sim, tenho essa dúvida (e nem porisso deixo de me identificar plenamente como judeu), acho que o uso dessa expressão foi feliz, pois universalizou o texto. Ou seja, o texto é também para mim, o que foi muito bom.
Kathia Kozlowski disse:

Paulo, gostei muito do seu texto - muito legal. Agora, gostaria que caso você não se sinta constrangido, saciasse minha curiosidade quanto à frase repetida algumas vezes: "Deus se existir". Ela é uma dúvida real que você tem?

Um grande abraço,

Shalom,

Kathia Kozlowski

Olá Katia,é sempre melhor que  o olhar atento do leitor encontre  a resposta de certas perguntas  que ele formula. Te garanto que a tua dúvida se equaciona no texto. A expressão nao é minha, encontrei-a recentemente em um mail que me enviaram da Argentina. Obrigado por ter lido e desculpe por não responder de maneira clara. Não considero esta questão a mais significativa do meu texto que levanta uma série de temas que dizem respeito ao nosso blog com o qual trabalho desde o seu inicio. Se puder, leia outros artigos e opine.O debate faz falta..Grande abraço.Paulo

Kathia Kozlowski disse:

Paulo, gostei muito do seu texto - muito legal. Agora, gostaria que caso você não se sinta constrangido, saciasse minha curiosidade quanto à frase repetida algumas vezes: "Deus se existir". Ela é uma dúvida real que você tem?

Um grande abraço,

Shalom,

Kathia Kozlowski

Oi Sérgio, legal q vc anda lendo os meus textos q andam esporádicos. A idéia é está q vc comentou bem.O termo, infelizmente, não é meu, mas é mto feliz e inclui todo mundo sem discutir existências. O masi preocupante é o q fazem as pessoas q se declaram crentes com as certezas q trazem. Não deixe de assitir em São Paulo o documentario Israelense"O Valor da Vida" ( tem festival de cinema aí, certo? ) Shabat Shalom.

Sérgio Storch disse:
Oi Kathia, independentemente do Paulo ter ou não a dúvida, eu, como leitor que sim, tenho essa dúvida (e nem porisso deixo de me identificar plenamente como judeu), acho que o uso dessa expressão foi feliz, pois universalizou o texto. Ou seja, o texto é também para mim, o que foi muito bom.
Kathia Kozlowski disse:

Paulo, gostei muito do seu texto - muito legal. Agora, gostaria que caso você não se sinta constrangido, saciasse minha curiosidade quanto à frase repetida algumas vezes: "Deus se existir". Ela é uma dúvida real que você tem?

Um grande abraço,

Shalom,

Kathia Kozlowski

Paulo, grato pela dica do "O valor da vida".

Amigos, dou também uma dica: a Julia Bacha, diretora de Budrus, estará no RJ (21 a 23/10) e em SP (24 a 27/10), para o lançamento do filme em DVD legendado, com várias exibições programadas acompanhadas de palestra e debate. O Michel Gherman está por dentro da programação do RJ. Valerá a pena conhecê-la. Vale conhecer também o trabalho que faz a sua ONG, Just Vision. Farei mais adiante um post mais detalhado.

Um abração

Sérgio

Texto fantástico, obrigado Grande Amigo Paulo, o texto me faz refletir que fé sem questionamento faz sentido apenas para se adequar a sociedade e não para buscar um conhecimento sobre o Criador. O problema é quando você se questiona e descobre que até então você acreditava em algo que vai contra suas próprias convicções.

 

Descobri que crença nada tem a ver com fé.

 

Grande abraço e não some não, se possível.

 

Shabat Shalom a todos.

Oi Rafael como vai? Faz tempo q não conversamos. O teu uso da  expressão "conhecimento sobre o criador"me soa estaranha. O judaismo que conheço não considera a poss. de saber algo sobre o criador, o máximo que conseguimos nesta vida e nos enrolarmos com as criaturas...e isto já dá um trabalho enorme .

Fiquei curiso sobre o teu questionamento. Vc pode me escrever algo de maneira mais clara?Ou publicar no blog? Faz mta falta conversas públicas deste tipo, quem sabe vc dá um start e as pessoas se animam a trocar idéias?

No dia 5 de novembro vai acontecer um evento mto interessante na UFRJ reunindo pessoas pensantes ao reodr do tema da religiiosidade e coisas afins.  Acho q vc é capaz de vc gostar. Vai vendo se vc consegue se organizar para vir, é só uma manhã, q te mando o programa qdo estiver pronto. Grande abraço e boa semana. Paulo

Shalom grande amigo Paulo, após muitos contratempos, estou de volta, gostaria de ter ido ao evento do dia 5 de novembro, mas, terei que aguardar uma outra possibilidade.

Devo confidenciar que a sua pergunta me fez refletir por muito tempo, realmente quando uso a expressão "conhecimento sobre o criador", não quer entrar no mérito da criação do mundo ou se o criador existe ou não.

O que procuro é compreender o que realmente devemos fazer enquanto estamos por aqui, o que o criador espera de mim e se eu estou agindo de acordo com o esperado.Eu procuro entender dentro das escrituras, o que realmente é a fé, é algo que vai além da minha compreensão, procuro desviar as minhas observações para outros assuntos, porém, algo me impulsiona para retomar as minhas indagações e encontrar respostas para essa dúvida. " Será que eu estou fazendo a minha vida valer a pena? Será que eu estou justificando a minha existência? O que eu realmente devo buscar nesta vida?

Por tempos eu estive a procura de religião, de que alguém me indicasse no que acreditar,chego até a acreditar que não encontrarei essa pessoa, talvez o plano do criador para com essa criatura aqui seja outro, seja ficar nessa eterna busca de auto-conhecimento, de encontrar dentro de mim mesmo a centelha do criador. O fato de não saber a resposta é o que impulsiona o questionamento, provavelmente eu não conseguirei chegar a uma conclusão, porém o que eu vou aprender no caminho é que vai fazer a diferença. Talvez seja isso, buscar o conhecimento a respeito do criador, seja apenas você identificar o que você deve fazer com a sua vida, se fará com que a sua existência seja realmente importante.Me tira o sono, pensar que D´us me deu um dom tão maravilhoso como a vida, um sistema altamente complexo que me faz acordar todos os dias, isso não foi á toa, eu tenho que fazer por merecer. E é isso que eu procuro, saber o que D'us espera de mim.

Bom grande amigo, não sei se fui claro nesta confusão toda.Espero que possamos em breve continuar esta conversa e até mesmo iniciar outras.

Grando abraço a todos.

Shabat Shalom

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