JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Yom HaShoa - Testemunho de Chil Rajchman – Sobrevivente de Treblinka

Testemunho de Chil Rajchman – Sobrevivente de Treblinka

Caminho

Haviam ao redor de 140 pessoas apinhadas no vagao, a falta de espaco era total, a atmosfera densa e pesada.
Nos encontravamos prensados uns contra os outros. Para onde viajavamos???... Mas todos levantavam os ombros e com o queixo faziam sinal que nao sabiam.
Ninguem sabia para onde conduzia o caminho e ao mesmo tempo ninguem queria acreditar que viajavamos ate la, a este lugar para onde, durante varios, eram levados nossos irmao e entes queridos. Nos estavamos aproximando-nos da Estacao de Trem de Treblinka. O Trem se deteve. Os vagoes continuavam fechados. Minha irma me disse que tinha fome. Nos nao tinhamos quase comida. A partida imprevista nao nos permitiu adquirir alimentos em nosso povoado.
Expliquei a minha irma que nos aguardava uma larga viagem e que deviamos na medida do possivel guardar o pouco pao que possuiaamos, ja que do contrario nao nao nos alcancaria para todo o trajeto. Minha irma aceitou e se resignou assegurando-me que em realidade nao tinha fome. (Ate hoje em dia tenho encargo de consciencia)

Trabalho
Ate a chegada de novos transporte me colocaram para trabalhar na selecao de roupas.
Certo dia um dos assassinos SS perguntaram que era Barbeiro?
Olhei e vi que haviam quatro homens em um lado da sala. Um deles era Leon Goldfarb, meu amigo vindo de meu povoado. Me aproximei do grupo e a partir daquele momento eu tambem era barbeiro. O guarda me perguntou se estava dizendo a verdade. Contestei afirmativamente e fui levado junto com o grupo de barbeiros.
Fiquei com muito medo e pensei ate na morte ja que nao tinha a minima ideia do trabalho como barbeiro. Segui separando roupas ate que me chamassem e de repente congelei e deixe de pensar em qualquer coisa. Vi algo que me era conhecido... O vestido de minha irma estava em minhas maos. Apertava o vestido com raiva e angustia. Mostrei a meu companheiro e ele me respondeu.
Esqueca que este eh nosso negro destino e que nada podemos fazer. Arranquei um pedaco do vestido e escondi entre minhas vestes.
Ele ficou guardado comigo durante os dez meses que fiquei em Treblinka.
De repente escutei um grito – Barbeiros!!!
Nos levaram em direcao as cameras de gas e la nos mostraram a onde juntar os pelos.
Com cinco cortes devia ficar separado o cabelo, nao podiamos deixar cabelos no chao. As maletas para juntar os cabelos deveriam ficar completas...
Ficamos petrificados. De repente escutamos choros. Apareceram mulheres nuas. No corredor um dos assassinos indicava que se aproximassem a nos. Foram brutalmente castigadas e empurradas, ao som de gritos rapido, rapido...
Eu observava as vitimas e nao podia acreditar no que via...
Continuei cortanto cabelos. De repente escutei um grito. Olhei e vi entrar uma jovem mulher que gritava em direcao as restantes:
Que acontece com voces? Deveriam ter vergonha! Porque choram? Riam – eh melhor! Que nossos inimigos veja que nao temos de receber com temor a morte. Eles gozam com nossos lamentos.

A Mulher seguia rindo e rindo ate que saiu. Outra me pediu que corta-se todos seu cabelo, porque que aspecto deveria ter adiante da morte???
Nao pude responder a ela, nao havia palavras de consolo. Tratei de acalma-la
Assim passaram centenas de mulheres entre gritos e lamentos e eu me transformei em uma maquina de cortar cabelos.
Enquanto observava ao redor, pensava: Em que classe de inferno cai??? Os assassinos nos obrigavam a que arracassemos os cabelos de nossas irmas e nos os sobreviventes temporarios o faziamos temendo chicotadas.
Meu amigo me perguntou se aconteceu algo comigo. Nao te reconheco me disse. E eu nao respondi.





Trabalho 2
Certo dia perguntaram quem de nos era dentista.Me apresentei e disse que esta era minha profissao.
De imediato me designaram para o grupo do Dr. Cymerman; Ele me conhecia bem e sabia que eu nao era dentista.
Marchamos ao trabalho. Perto das cameras de gas havia uma construcao onde trabalhavam os assim chamados dentistas. Em um canto da habitacao havia um cofre onde se guardavam os dentes de ouro e as platinas retirados dos judeus mortos.
Nossa tarefa era separar o metal do gesso das dentaduras e dos dentes naturais dos cadaveres. Cada um de nos levava seu instrumento de trabalho.
Sucedeu uma vez que um alemao veio questionar sobre um dente de ouro nao extraido. Como eu era o ultimo da fila a culpa caiu sobre mim.
O castigo foi descer rapidamente a fossa da morte e retirar o dente de ouro e apos ter feito isso levei 25 chicotadas.

A revolta
Em janeiro de 1943 trouxeram a nosso campo 15 prisioneiros do campo Num 1. Sucedia com frequencia que em lugar de fuzila-los no campo 1 os traziam para o campo de N2- o Resultado era o mesmo...
Ele nos informaram sobre os preparativos de uma revolta no campo de Num 1. Ali havia melhores possibilidade ja que havia um deposito de armas dos Alemaes.
Conseguimos manter contato com o campo de Num 1 e os planos estavam em ordem. O dia em que tinhamos decidido iniciar a revolta seria o dia 2 de Agosto.
O tempo seguiu com muita lentidao...
As 16:30 do dia 2 de agosto escutamos os disparos provenientes do campo de Num 1, sinal que a revolta havia sido iniciada.
Depois de alguns minutos nos ordenaram abandonar o trabalho. Nos dirigimos aos lugares indicados pelos comandantes da revolta e de imediato enormes chamas comecaram a sair das cameras de gas..
Nos lancamos em direcao aos alambrados que cercavam o campo e gritavamos – Revolucao em Berlim!!! Alguns Ucranianos se desconcertaram e levantaram as maos. Retiramos as armas destes e cortamos os almbrados do campo. Muitos companheiros nao tinha nocao do que estava acontencendo. Muito prisioneiro os motivamos a gritos: For a em direcao a liberdade.
Fui um dos ultimos a sair. Ao meu lado estava meu companheiro Kruk, da cidade de Plotzk, me abracou dizendo somos livres, livres!!!
Corremos quase tres quilometros e nos encontramos em um pequeno bosque. Nao tinha sentido seguir correndo e descedimos nos esconder entre as folhagens do bosque
Depois de nos separarmos de outros vinte que escaparam e vermos parte destes serem mortos pelos nazistas, descidimos nos esconder e somente com a escuridao seguimos caminhando.
Entrei a casa de um campones polones e este nos ajudou com pao e leite e com informacao sobre a localizacao de bosque mais extensos. Em troca lhe demos nossos relogios.
Durante o caminho muitas vezes os camponeses nao queriam abrir as portas a nos. Sabiamos que os alemaes condenavam a morte a aqueles que ajudassem judeus e recompessavam aqueles que os entregassem.
(No final Gil Rajchman chegou a casa de amigos Polacos - Iarosh - em Varsovia – O amigo o protegeu e acabou salvando sua vida)

"Si sobrevevi para testemunhar o impressionante matadeiro que foi Treblinka"

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