JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

No final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em Bilgoraj, uma pequena cidade polonesa, vivia Pinchas , um jovem adolescente.
Seu pai se chamava Chaim e estava muito doente, com tuberculose. Em seu leito de morte, Chaim chamou Pinchas. Quando o filho chegou, o pai tinha um pequeno embrulho enrolado entre suas mãos. Dentro do pacote havia um shofar. Com a voz trêmula, Chaim disse:
"Pinchas, meu filho, não tenho muito tempo de vida! Quero que você guarde sempre esse shofar, que eu recebi de meu pai e agora passo para você. Com o shofar também te entrego uma responsabilidade: nunca esqueça de tocá-lo em Rosh Hashanah, seu som melancólico purifica e ilumina os corações durante as tempestades e as turbulências que vivemos em nossas vidas".
O tempo passou e Pinchas jamais tocou o shofar em Rosh Hashanah, como tinha pedido seu pai. Porém, a vida na Polônia ficou ainda mais difícil depois da guerra, com toda a miséria, a fome, os pogroms, as perseguições e o antissemitismo. Essa situação fez com que Pinchas, como muitos judeus, fosse procurar refúgio no Brasil, partindo assim que pôde, no primeiro navio disponível.
A viagem para a América do Sul era longa e cansativa. Em uma noite de Rosh Hashanah, quando o navio estava em alto-mar, os judeus que estavam a bordo se preparavam com o rabino para celebrar o festival, mas Pinchas só conseguia pensar em como iria sobreviver no Brasil e de que forma conseguiria fazer uma nova vida.
De repente, sem ninguém esperar, o tempo mudou, ventos e chuvas se jogaram sobre o navio, transformando tudo numa grande tempestade terrível. As ondas enormes jogavam o navio de um lado para o outro, enquanto os gritos de desespero eram ouvidos por todos os lados. Uns rezavam, outros se abraçavam, esperando o fim da vida se aproximar. Depois de todas as tentativas de controlar o navio, o capitão e seus marinheiros perderam as esperanças.
Pinchas chorava de medo e, em prantos, se lembrou de seu pai e do pedido que ele havia feito em seu leito de morte: "Pinchas, guarde esse shofar e toque-o sempre no Rosh Hashanah!". Pinchas, com todas as suas forças, consegue abrir suas bagagens e tirar o shofar de seu pai, esquecido no fundo da mala, o mesmo shofar que ele jamais havia tocado antes em toda a sua vida! Com o shofar nas mãos, no meio da tempestade, Pinchas que, antes de morrer, tocaria o shofar pelo menos uma vez na vida, cumprindo o pedido de seu pai.
Com dificuldade, Pinchas consegue chegar até a proa do navio. Lá, ele amarra seu corpo em uma grande barra de ferro usando uma corda. Ao seu redor, Pinchas vê a morte de frente e a fúria da tempestade arrastando o navio.
Com a profundeza de seu coração, Pinchas toca o shofar. O som é forte e profundo! Por todos os lados, se ouve um grande brado de misericórdia.
O som entra nos corações dos judeus e dos não-judeus, fazendo todos ficarem num silêncio absoluto, uma pequena pausa nas preces por socorro e nos gritos de desespero. O som do shofar penetra nas ondas e nos ventos, nas chuvas e nas nuvens. De repente, como um grande milagre, tudo se acalma. O mar fica sereno, o céu se abre, cheio de estrelas, e a lua cheia ilumina a felicidade e a alegria de todos.
O capitão do navio, o rabino e todos os outros se aproximam para agradecer a Pinchas. Todos perguntam: como conseguiu realizar esse milagre?
Pinchas, meio sem jeito, diz: "Eu não fiz milagre nenhum! O que fiz foi cumprir o pedido de meu pai, de tocar o shofar em Rosh Hashanah para purificar e iluminar os corações durante as tempestades e as turbulências que vivemos em nossas vidas”.
Shana Tova!

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