A Identidade Nacional Palestina e o Uso do Negacionismo -
Jayme Fucs Bar
Para compreender a problemática da identidade Palestina é preciso voltar a um território historicamente conhecido como Palestina. Esse nome foi adotado a partir de 135 d.C., por decisão do imperador romano Adriano, após a repressão da revolta judaica que havia, por um período, expulsado os romanos da Judeia.
Movido por ressentimento e hostilidade em relação aos judeus, Adriano não apenas sufocou a rebelião com extrema violência, como também renomeou a região, substituindo "Judeia" por "Palestina Prima" e "Palestina Secunda". Esses novos territórios abrangiam áreas que hoje correspondem ao Líbano, à Síria, a partes da Jordânia e a Israel. Seu ódio era tão intenso que até Jerusalém foi rebatizada como Aelia Capitolina.
O próprio nome "Palestina" tem origem no hebraico "Plishtim" — referência aos filisteus — cuja raiz etimológica remete a algo como "invasores" ou "estrangeiros".
Os hebreus também utilizavam termos como "Goy Yam" (gentios do mar), expressões pejorativas para se referir aos povos que habitavam essa área no século XII a.C.
A noção de identidade nacional palestina começou a se consolidar por meio do movimento pan-arabista, no século XX, que defendia a unificação de todos os povos árabes sob uma única nação.
A então Síria chegou a reivindicar todos os territórios que hoje conhecemos como Síria, Líbano, Israel e Jordânia como parte de um projeto nacional único.
Na resolução de novembro de 1947 da ONU, que previa a partilha do território entre um Estado judeu e outro árabe, o termo "Palestino" sequer foi utilizado para designar uma nova nação ou uma identidade nacional específica — tratava-se apenas de mais um estado árabe.
Foi somente em 1967, com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), sob a liderança de Yasser Arafat, que a identidade palestina passou a adquirir contornos institucionais e começou a ser mais amplamente reconhecida.
Àquela altura, essa identidade coletiva palestina ainda não havia sido formalmente constituída. A ausência dessa noção identitária levou alguns a sustentar que a construção atual seria uma tentativa recente de estabelecer raízes históricas mais profundas na região.
A formação da identidade nacional palestina nas últimas décadas, entretanto, vem sendo usada com uma pratica o negacionismo que procura invalidar os legítimos direitos de autodeterminação, do povo judeu em relação à terra de Israel.
O problema atual reside no uso de discursos negacionistas que negam qualquer vínculo histórico dos judeus com essa região. Algumas narrativas adotadas por lideranças e ativistas palestinos recorrem ao revisionismo histórico para justificar suas reivindicações.
Alguns Exemplos de narrativas negacionistas utilizadas para sustentar reivindicações políticas:
"Supremacia Branca Judaica" Termo criado para deslegitimar a presença e a identidade do povo judeu na região.
"Jesus era Palestino" Afirmação anacrônica que ignora o contexto histórico e geográfico da época.
Descendência dos Filisteus Alegação de que os palestinos seriam descendentes diretos dos filisteus, com uma história de 3.500 anos.
Inversão do Antissemitismo Alegação de que o antissemitismo seria dirigido contra eles, enquanto “semitas”.
A construção de uma identidade nacional sobre bases históricas extremamente frágeis e sua sustentação por meio da rejeição da identidade do outro tornam ainda mais difícil alcançar um entendimento mútuo.
Povos cuja identidade própria está enraizada não precisam negar ou deslegitimar identidades alheias para afirmar e justificar a sua própria.
O problema da identidade palestina é que ela se espelha na identidade e na história do povo judeu, em vez de construir, como outras nações, sua própria identidade nacional sem depender da negação do outro.
Se os palestinos conseguirem avançar para além do negacionismo, esse será um primeiro passo essencial para construir pontes voltadas à convivência pacífica e ao reconhecimento mútuo.
Essa postura negacionista é um modelo estratégico constante — seja em relação à história judaica e ao sionismo — e vem gerando um entrave significativo a qualquer possibilidade de diálogo e à busca por soluções para o conflito.
As disputas e pretensões dos imperialismos francês e inglês também contribuíram para redefinir identidades locais, além de fomentar o surgimento de novos movimentos nacionalistas árabes na região