JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

 

EXCLUSIVO: DOCUMENTO VERDADE PARTIMOS OU FICAMOS?

JK.jpg  Judith Klein- De Budapeste – Hungria- Especial para a Rua Judaica

Esta é a questão que sugere a reportagem publicada semana passada no New York Times, segundo a qual se faz necessária uma “investigação” para avaliar a importância que tem o alarmante crescimento do antissemitismo na Hungria na decisão de alguns judeus de deixarem o país.

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Dr. Imre Lebovits, pesquisador e historiador do Holocausto

Atendendo à solicitação deste jornal, vou iniciar uma série de entrevistas com membros destacados da comunidade judaica da Hungria, para saber o que eles dizem a respeito desta questão. Dr. Imre Lebovits, 85, nasceu em Tiszafüred, Hungria, em 22 de fevereiro de 1929. Aos 15 anos, mas aparentando ter 18, foi convocado para servir em trabalhos forçados e, mais tarde, deportado para Mauthausen, na Áustria. Formou-se na Escola Superior de Tecnologia de Budapeste. É autor de um livro-referência sobre os Decretos anti-Judeus (de Miklos Horthy) e os que salvaram judeus durante a perseguição nazista na Hungria. Na década de 90, esteve no Brasil – que, por sinal, adorou – visitando um primo em primeiro grau.
“Para se entender a situação atual do antissemitismo(*) na Hungria, é preciso dizer que desde a mudança de regime (1989), o problema vem aumentando de forma alarmante.  E aqui se coloca a questão de ”Por que isto acontece?”
“A perseguição aos judeus existe há mais de 2000 anos e é um fenômeno que ocorre, com maior ou menor intensidade, em diferentes lugares do Planeta, sobretudo na Europa. Apenas para citar um exemplo, na fronteira entre a Alemanha e a França, na região conhecida como Alsácia, durante uma parte da Idade Média (Século XIV), floresceu uma próspera comunidade judia. Entretanto, devido a epidemias que frequentemente dizimavam parte da população local, disseminou-se a crença de que os judeus eram os responsáveis por essas mortes”. 
“A base desta ideia encontra-se no fato de que, entre os judeus, raros eram os que contraíam a doença, em razão das práticas de higiene recomendadas pela “kashrut”, sobretudo na alimentação, e se alardeou ser evidente “que os judeus inventaram essas epidemias para que os não-judeus morressem”. Além disso, é possível que os judeus tenham sido o agente transmissor destas doenças trazidas de outros lugares, porque eles eram sempre obrigados a se mudar”.
“O então monarca da região mencionada acima, e que corresponde à Polônia de hoje, acolheu os judeus perseguidos, a mesma Polônia de hoje onde o número de judeus é inferior a 100 - e que, mesmo assim, são discriminados”.
 “A questão, a meu ver, não tem solução. Vejo com pesar que tanto no passado, como no presente, e lamentavelmente também no futuro, enquanto houver judeus, haverá sentimento antissemita, anti-sionista, de hostilidade aos judeus em geral”.

“Esta situação, em parte, se deve à existência de um pequeno país para onde foram os judeus, que mais tarde se tornou o Estado de Israel e que, sobre um pequeno território, construíram assentamentos que se tornaram grandes cidades, fato este que incomodou a comunidade árabe. Em todos os tentativos acordos de paz, desde o Tratado de Oslo, os judeus sempre tiveram que abrir mão de parte do que haviam conquistado, apenas para atender às exigências de Yasser Arafat (ou de outros que o sucederem). Mesmo assim, nunca se chegou a um acordo e nunca vai haver nenhum acordo final, porque existe a crença generalizada de que Israel é uma ferida aberta, um câncer vivo no Oriente Médio, que precisa ser extirpado.
“Enquanto isso, o que é que as grandes potências fazem? Nada. Apenas olham pela janela. Elas nada fazem, pois, por diversos motivos de ordem socio-econômica, essa questão não lhes interessa”.
“Voltando à situação da Hungria, durante o regime Janos Kadar, (que durou de 1956 até 1988) não era permitida qualquer manifestação de hostilidade, quer seja aos judeus ou a outras minorias étnicas. Entretanto, depois da mudança, hoje em dia, pode-se usar de liberdade de expressão(**) quando se trata de hostilizar essas minorias, ficando a dignidade humana em segundo plano. Por exemplo, bem recentemente, um parlamentar representante do partido de extrema-direita “Jobbik” desenterrou o episódio do libelo de sangue de Tiszaeszlár, sobre o qual escrevi em número anterior, que aconteceu há mais de 150 anos. Logo em seguida, Marton Gyongyosi, descentente de uma distinta família de chanceleres do regime Kadar, vem dizer no Parlamento que "alguns postos dentro do governo, ocupados por “estrangeiros" – entenda-se “judeus” – constituem ameaça à segurança nacional”, e propõe que seja feita “A Lista”, ou o “index” destes estrangeiros, para que se possa seguir os seus movimentos. Qualquer semelhança com os listados em 1944 não é mera coincidência”.
“Depois disso, esse mesmo Gyongyosi andou pelo país inteiro como integrante da milícia clandestina do seu partido, dizendo que "nós, húngaros, precisamos nos livrar deles, judeus". Os judeus, ao longo da História, só trouxeram motivo de orgulho para a Hungria. Haja vista a quantidade de prêmios Nobel em todas as áreas, a maioria recebida por judeus ou descendentes de judeus. Estes sempre aspiraram à Liberdade como um direito inalienável do ser humano e, quando esta liberdade era alcançada, tinham que se refugiar em outros países. E o mundo não faz nada além de escrever sobre o assunto”.

Arafat.jpg        Gyöngyösi.jpg  Yasser Arafat e Marton Gyongyosi, antissemitas declarados

“Ora, o Janos Kovacs (ou, se fosse no Brasil, seria o José da Silva) que mora na roça, não tem nem tempo nem disposição para se informar sobre o que acontece no mundo e só sabe aquilo que aprendeu com o pai, que, por sua vez, aprendeu com o seu pai... e o que eles aprenderam é que os judeus são a causa de todos os males da Humanidade.

Ferenc József.jpg       Kádár.jpg  Imperador Francisco José e Premier Janos Kadar, autoridades simpatizantes dos judeus

“A situção da Hungria é diferente da Itália ou da França. O fascismo difere do nazismo na sua postura em relação aos judeus. Na Itália, sempre houve muita tolerância e os judeus não sofreram atrocidades durante a Guerra. Apenas quando a Alemanha invadiu a Itália é que eles tiveram que ser deportados para campos de concentração. (Aqui, o Dr. Lebovits faz um comentário pouco ortodoxo para explicar a tolerância das autoridades italianas para com os judeus, pois, afinal, “a amante de Mussolini era judia e – perdoem-me a má palavra - “Egy pinaszõr jobban húz, mint 6 ökör”, expressão intraduzível para o português, equivalente a algo como “Amor de p..ca, bate e fica”, dito que meus amigos húngaros certamente entenderão e darão boas gargalhadas)”.
“Por estranho que pareça, em toda a Europa, apenas um país não presenciou nenhuma atrocidade contra os judeus durante a II Grande Guerra: a Albânia, que é um pais de muçulmanos. E onde a comunidade judia, embora pequena, sobreviveu ao Holocausto sem ter sido submetida a nenhuma atrocidade”.
“Outro exemplo é o da Dinamarca, onde o Rei não atendeu às exigências de Hitler e protegeu os judeus, não permitindo que fossem deportados. Quer dizer: o antissemitismo é tolerado ou combatido na superestrutura político-ideológica de cada país”.
“O antissemitismo na Hungria é especialmente triste e incompreensível. Entre 1867 e 1918, houve uma época de ouro para os judeus porque, na monarquia austro-húngara, o poder constituído se sobrepôs às manifestações de antisseminitmo que sempre existiram. Por exemplo, o Imperador Francisco José se recusou a apertar a mão de um prefeito que era declaradamente antissemita, e no caso do libelo de Tiszaeszlár, o seu parecer foi fundamental na decisão da sentença”.
“Até mesmo a extrema direita francesa de Le Pen (pai e filha), - a respeito de quem não se pode dizer que não é extremista – não está disposta a se encontrar com a extrema direita da Hungria. 
“Na Hungria de hoje, o FIDESZ – partido do Premier Viktor Orban –, o mesmo que em maio último, no Congresso Judaico Mundial realizado em Budapeste, decretou “tolerância zero contra o antissemitismo”, não toma nenhuma atitude para coibir a ação do “Jobbik” nem no parlamento e nem de outro modo, a não ser por suas declarações de simpatia, e de que ele garantirá a segurança e a integridade  física de todos os integrantes das minorias no país. 

Orbán.jpg  Premier Viktor Orban

No que se refere à pesquisa que o New York Times está realizando para "investigar" o antissemitismo na Hungria, e até que ponto isto pode influir na decisão dos judeus de abandonarem a Hungria por causa disso, a mensagem de Lebovits para os jovens é que antes de pensarem em deixar a Hungria por causa destas manifestações, eles devem lutar para que a comunidade judaica húngara possa viver em paz com as demais comunidades, integrada dentro da sociedade, sem que para isto deva abrir mão da sua identidade judaica.
(*) Significado de semitismo : Caráter do que é semítico. Em sentido restrito, caráter do que é judeu ou judaico. Civilização semita ou sua influência. 
(*)) Significado de antissemita: Hostil aos judeus e/ou aos semitas em geral.
(**) Significado de liberdade de expressão : Liberdade para manifestar o pensamento ou o sentimento pela palavra dita ou escrita, pela fisionomia ou pelo gesto.

Fonte: Jornal Rua Judaica.

Obs.: Sou solidário SEMPRE aos nossos irmãos na Hungria e em qualquer lugar do planeta, como se fosse comigo.

 

Nahum.

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