JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Leon Tolstoy (1829-1910) descendente de uma família cristã da nobreza russa e um dos maiores escritores e romancistas do mundo, autor de obras como "Guerra e Paz"e "Anna Karenina", escreveu:

O que é um judeu? Esta pergunta não é, de forma alguma, tão estranha quan-
to parece. Vejamos que tipo de cria-tura peculiar é o judeu, molestado e violentado, oprimido e perseguido, esmagado e assassinado, queimado e enforcado, coletiva e individualmente por tantos gover-nantes e povos - e que, apesar de tudo isso, continua vivo. O que é um judeu, aquele que nunca se deixou levar por todos os bens terrenos, que lhe eram oferecidos, constantemente, por seus opressores e perseguidores para que trocasse sua fé e abandonasse sua própria religião judaica?

O judeu é este ser sagrado que trouxe dos Céus a chama perpétua e com esta iluminou o mundo inteiro. Ele é a vertente religiosa, nascente e fonte de onde todos os outros povos tiraram suas crenças e suas religiões.

O judeu é o pioneiro da liberdade. Mesmo outrora, quando o povo se encontrava dividido em apenas duas classes distintas, escravos e senhores, mesmo naquela época longínqüa, a Lei de Moisés proibia a prática de se manter uma pessoa em cativeiro por mais de seis anos.

O judeu é o pioneiro da civilização. A ignorância foi condenada na Palestina da antigüidade ainda mais do que o é em nossos dias na Europa civilizada. E ainda, naqueles dias de selvageria e barbárie, em que nem a vida nem a morte de ninguém valia algo, Rabi Akiba não se absteve de se declarar abertamente contrário à pena capital.

O judeu é o emblema da tolerância civil e religiosa. "Ama o estrangeiro e o forasteiro", ordenou-nos Moisés, "porque estrangeiro foste na terra do Egito". E isto foi proclamado naquela época remota e selvagem em que a principal ambição das raças e dos povos consistia em se esmagarem e escravizarem uns aos outros. No que tange à tolerância religiosa, a fé judaica não apenas está muito distante do espírito missionário de converter pes- soas de outras denominações. Muito pelo contrário, o Talmud ordena que os rabinos informem e expliquem a todo aquele que, por vontade própria, venha a aceitar a religião judaica, todas as dificuldades contidas nessa aceitação, e que façam ver ao prosélito que os justos entre os povos têm o seu quinhão na imortalidade. De uma tamanha tolerância religiosa, tão elevada e ideal, nem mesmo os moralistas de hoje podem se vangloriar.

O judeu é o emblema da eternidade. Aquele que nem o assassinato nem a tortura, ao longo de milhares de anos, puderam destruir, aquele que nem o fogo nem a espada nem a inquisição foram capazes de eliminar da face da terra, aquele que foi o primeiro a produzir os oráculos de D'us, aquele que há anos é o guardião da profecia, e que a transmitiu ao resto do mundo. Uma nação destas não pode ser destruída. O judeu é perene, tão perene quanto a própria eternidade".

Exibições: 1866

Respostas a este tópico

Amei, tocante...

Shalom!!!

Desejo inscrever-me. Que faço?

Que pérola, Jayme!

Será muito utilizada!

Parabéns por nos trazer esta maravilha....

Amigos, é uma sincronicidade.

Este texto é uma ótima resposta ao artigo que saiu hoje na Folha Ilustrada, sobre um livro que argumenta que povo judeu é uma invenção sionista. Este texto demonstra a falácia de visões conspiratórias como essa. Leiam que vale a pena. A sedução está em que ele não está totalmente errado. Mas, como dizia um sábio rabino citado pelo Nilton Bonder, "uma meia verdade é uma mentira inteira".

 

RAIO-X - SHLOMO SAND - Filho de judeus, nasceu num campo de refugiados na Áustria, em 1946. Cidadão israelense, lutou pelo país na Guerra dos Seis Dias contra os árabes em 1967. Depois virou militante por um Estado binacional (israelo-palestino).  Ensina história na Universidade de Tel Aviv e em instituições na França, onde passa parte do ano.

 

Em campo minado

Em livro que foi best-seller em seu país e chega ao Brasil, historiador israelense Shlomo Sand defende que povo judeu é uma invenção do sionismo para conquistar soberania territorial

 

O historiador israelense Shlomo Sand, autor de "A Invenção do Povo Judeu", lançado no Brasil pelo selo Benvirá

FABIO VICTOR - DE SÃO PAULO

Na carteira de identidade do historiador israelense Shlomo Sand, no lugar reservado à nacionalidade está escrito que ele é judeu.

Sand, 64, solicitou ao governo que seja identificado de outro modo, como israelense, porque acredita que não existe nem um povo nem uma nação judeus.

Seus motivos estão expostos em "A Invenção do Povo Judeu". Best-seller em Israel, traduzido para 21 idiomas e incensado pelo historiador Eric Hobsbawm, o livro chega agora ao Brasil (Benvirá).

O autor defende que não há uma origem única entre os judeus espalhados pelo mundo. A versão de que um povo hebreu foi expulso da Palestina há 2.000 anos e que os judeus de hoje são seus descendentes é, segundo Sand, um mito criado por historiadores no século 19 e desde então difundido pelo sionismo.

"Por que o sionismo define o judaísmo como um povo, uma nação, e não como uma religião? Acho que insistem em ser um povo para terem o direito sobre a terra. Povos têm direitos sobre terra, religiões não", diz à Folha, por telefone, de Paris.

"Na Idade Média a palavra povo se aplicava a religiões: o povo cristão, o povo de Deus. Hoje, aplicamos o termo a grupos humanos que têm uma cultura secular -língua, comida, música etc. Dizemos povo brasileiro, povo argentino, mas não povo cristão, povo muçulmano. Por que, então, povo judeu?"

Valendo-se de fontes e documentos históricos, a tese de Sand, ele mesmo admite no livro, não é em si nova (cita predecessores como Boaz Evron e Uri Ram). "Sintetizei, combinei evidências e testamentos que outros não fizeram, pus de outro modo."

Ele compara: até meados do século 20, "a maioria dos franceses achava que era descendente direto dos gauleses, os alemães dos teutões e os italianos, do império de Júlio César". "São todos mitos", afirma, "que ajudaram a criar nações no século 19".

Neste século 21, sustenta, não há mais lugar para isso.

"Não só o Brasil é uma grande mistura. A França, a Itália, a Inglaterra são. Somos todos misturados.

Infelizmente há muitos judeus que se acham descendentes dos hebreus. Não me sinto assim. Gosto de ser uma mistura."
Filho de judeus, nascido num campo de refugiados na Áustria, o autor lutou do lado israelense contra os árabes na Guerra dos Seis Dias, em 67, quando o país ocupou Cisjordânia e faixa de Gaza.

Em seguida virou militante de extrema esquerda e passou a defender um Estado palestino junto ao de Israel.
Professor na Universidade de Tel Aviv e na França, onde passa parte do ano, o historiador avalia que as hostilidades entre israelenses e palestinos, reavivadas nas últimas semanas, continuarão por tempo indeterminado.
"Enquanto o Estado palestino não for reconhecido nas fronteiras de 67, acho que a violência não vai parar."


A INVENÇÃO DO POVO JUDEU - AUTOR Shlomo Sand - EDITORA Benvirá - TRADUÇÃO Eveline Bouteiller - QUANTO R$ 54,90 (576 págs.)

 

 

São Paulo, sábado, 27 de agosto de 2011

 


 

 


VISÃO JUDAICA

Obra é panfleto acadêmico com proposta radical - Autor dá base para a criação de um Estado binacional no lugar de Israel

ARIEL FINGUERMAN - ESPECIAL PARA A FOLHA

Até a Idade Média, o judeu (assim como o cristão) sabia muito bem o que era: membro de uma comunidade definida por uma religião. Nascia, vivia e morria sem vontade ou possibilidade de mudar sua identidade.
Com a Idade Moderna, isso mudou. O processo de urbanização quebrou as estruturas comunitárias tradicionais, a Revolução Industrial transformou todos em consumidores, o Iluminismo deu a base filosófica de direitos iguais e a Revolução Francesa colocou tudo isso em ação.

O resultado para os judeus, e isso até os dias de hoje, é que uma boa parte desse povo, especialmente aqueles que deixaram as muralhas fechadas da ortodoxia, não sabe muito bem o que é. Membro de uma religião, mesmo levando em conta que raramente vai a uma sinagoga?

Parte integral do país onde vive, se bem que nem sempre reconhecido como tal por seus compatriotas? Até mesmo os nazistas, quando resolveram assassinar os judeus, tiveram dificuldade em defini-los. "Eu decido quem é judeu", dizia Göring.

Segundo a lei ortodoxa judaica, a religião é transmitida pela mãe. Para os reformistas, a maior sinagoga dos EUA, pode ser pelo pai. Em Israel, há mais de 60 anos se discute o assunto no Parlamento e na Suprema Corte, sem uma conclusão.

Uma das mais recentes reflexões dessa área é "A Invenção do Povo Judeu", de Shlomo Sand. Trata-se de uma obra acadêmico-panfletária, que causou algum frisson em Israel e na Europa.

Como livro acadêmico, traz uma proposta interessante, definindo o judeu pelo que ele não é: uma raça pura, descendente dos heróis bíblicos.

Sand mostra que em diferentes períodos históricos, especialmente na época de Jesus, os judeus fizeram proselitismo, converteram pagãos e assim desprezaram qualquer ideia de "raça pura".

Mas, em sua face panfletária, Sand quer nos convencer de que a ideia de "povo judeu" é uma mera invenção de historiadores sionistas dos últimos 150 anos, desejosos de unificar comunidades para tomar posse da Palestina.
Para ele, a Bíblia nunca foi uma base cultural comum dos judeus, mas é usada cinicamente agora como "documento de posse".

Somente nas últimas das quase 600 páginas de seu livro Sand revela o motivo de seu esforço intelectual: dar base acadêmica para a ideia de um Estado binacional israelense-palestino, que substituiria o Estado de Israel.
É uma proposta radical, que não é exigida nem pela Autoridade Palestina nem pela Liga Árabe. Como obra acadêmica, o livro de Sand soa panfletário. Mas, como panfleto, é acadêmico demais.


ARIEL FINGUERMAN é doutor em estudos do judaísmo pela USP e pela Universidade de Tel Aviv.

A INVENÇÃO DO POVO JUDEU - AVALIAÇÃO regular

 

São Paulo, sábado, 27 de agosto de 2011

 


 

 


VISÃO PALESTINA

Sand indica o caminho da paz na região - Ensaio revê como o mito sionista justificou a ocupação da Palestina

ABDEL LATIF HASAN - ESPECIAL PARA A FOLHA


Shlomo Sand derruba os principais mitos israelenses.

Na historiografia oficial, os judeus, após saírem do Egito, ocuparam a Palestina, construíram Estados, sendo o mais importante o reino de Davi e Salomão, foram expulsos da terra várias vezes, e a última expulsão se deu após a destruição do templo, em 70 d.C.

Vagaram por 2.000 anos até retornar à terra prometida e criar seu Estado na Palestina, em 1948.

Sand demonstra que essa narrativa é fantasiosa, falsa, contrária à história.

Os atuais judeus não são descendentes dos antigos hebreus ou israelitas, que viviam na Palestina.

Descendem de povos que se converteram ao judaísmo, bem longe da Palestina.

Destaca o reino de Himyar, no Iêmen, que se converteu ao judaísmo em 378 d.C. O mesmo ocorreu com os berberes do norte da África.

A evidência linguística indica que os judeus sefarditas descendem de árabes, berberes e europeus convertidos.
Os judeus askhenazi (ocidentais) descendem dos kházaros, eslavos que habitavam o território ao longo dos rios Volga e Don (Rússia e Ucrânia) e migraram para a Polônia e territórios vizinhos, dando origem às numerosas comunidades judaicas.

É mito o êxodo dos judeus após a destruição do templo. Roma não expulsou os judeus de Jerusalém ou da Palestina. Não há menção de deportação na extensa documentação dos romanos, minuciosos. Roma nunca deportou povos inteiros.

Na época do alegado exílio, havia muito mais judeus fora da Palestina que dentro. As comunidades judaicas da Mesopotâmia, do Egito (Alexandria) e do norte da África eram mais numerosas que a comunidade na Palestina.
Para os sionistas, era imperioso um exílio forçado, para se aceitar a "história orgânica do povo judeu".
É lenda a saída dos judeus do Egito e a conquista da Palestina. Nada há de dados científicos, históricos ou arqueológicos sobre o reino de Davi e Salomão. Transformaram o Velho Testamento, teologia, em livro de história.
No final do século 19, inventaram um povo e forjaram sua "história", negando fatos históricos e transformando mitos em falsas verdades, para justificar a ocupação da Palestina e expulsar seu povo.

Isso resultou na criação de entidade anômala: Israel se define como Estado judeu democrático, o que é falso, pois quem discrimina 25% de sua população (não judeus) não é democrático.

Sand indica o rumo da reconciliação e paz na região: rever os mitos de Israel e a ideologia sionista, a exclusividade "racial" e falsidade histórica.


ABDEL LATIF HASAN, palestino naturalizado brasileiro, é médico e conselheiro da Federação das Entidades Palestinas
A INVENÇÃO DO POVO JUDEU - AVALIAÇÃO ótimo

 

São Paulo, sábado, 27 de agosto de 2011

 


 

 



Autor diz que Brasil pode ajudar na criação de Estado palestino
DE SÃO PAULO

O historiador israelense Shlomo Sand diz que o Brasil pode ajudar na aprovação do reconhecimento, pela ONU, de um Estado palestino.

O pedido vai ser apreciado pela ONU no mês que vem, e o governo Dilma já manifestou apoio aos palestinos.
"Sei que o Brasil vai apoiar e espero que faça todo o possível para que a ONU reconheça o Estado palestino junto com o de Israel", afirma. Sand se declara um "admirador do Brasil de hoje". "Todo mundo está olhando para o Brasil, pois vocês avançaram um pouco, e isso é bom."

Ele diz sonhar que, após a Primavera Árabe, o Egito se torne "um Brasil árabe".

A relação do historiador com o governo de Israel, que segundo ele é "muito ruim", tende a piorar: Sand acaba de concluir uma continuação de "A Invenção do Povo Judeu". A nova obra, ainda sem previsão de tradução no Brasil, se chamará "a invenção da terra de Israel". (FABIO VICTOR)

Gostei, é bom para as pessoas saberem, o quanto o povo judeu é perseguidos pelo mundo.

As pessoas não sabem ou não perceberam, que o mundo é hoje dessa forma porq o ETERNO nos escolheu para se fazer

conhecedor as todas as nações atraves de nosso pai AVRAHAM.

Caro Abraão, você trouxe uma boa oportunidade para ganharmos mais clareza sobre o que é o Judaísmo Humanista.

Eu não posso me calar, porque o silêncio, neste espaço em que eu me pronunciei, seria admitir a concordância com as suas certezas. E eu, como judeu que me considero humanista, acho que o judaísmo humanista é aquele que duvida dessas certezas, porque coloca o peso dos pensamentos e das ações no homem, e não na fé numa divindade que nos determina o que devemos fazer. É um judaísmo em que os homens têm o dever de usarem para o bem o livre arbítrio de que são dotados, e aí o ETERNO pode até ser louvado, mas pode também não ser acreditado.

A referência central do Judaísmo Humanista é o homem e a sabedoria humanista construída no judaísmo, cabendo-lhe também a opção de crer ou não crer. Vale pela ética e pela sabedoria, independentemente da crença.

Acho também que uma discussão como essa pode ser considerada como um passo na construção do judaísmo, que não é uma obra fechada num Livro Sagrado. Tivemos o Talmud e outras fontes de sabedoria, que não são sagrados. E você e eu estamos aqui, talvez talmudicamente, dando continuidade á construção de um conhecimento infindável sobre quem somos.

Além disso, comento o que você destacou sobre sermos perseguidos. O Judaísmo Humanista nos faz olhar para dentro de nós e descobrirmos também:

  • a não-perseguição (muitas vezes fomos salvos por não-judeus - aproveito para divulgar um filme cuja existência descobri ontem: "Irena Sendler", uma não-judia por quem os judeus crentes que são humanistas devem orar). E há tantos outros que desconhecemos e que deveríamos pesquisar e celebrar...
  • a perseguição que nós (cada um) fazemos...
  • as perseguições diante das quais nós (cada um) calamos, e que as perseguições que sofremos não pode servir de justificativa.
Um abraço

Sérgio



Creio que o artigo de Marcos Guterman em seu blog no Estadão aborda com muita pertinência o assunto. Se me permitirem envio-o na íntegra:

 

Um livro com o título acima acaba de sair no Brasil. Obra do historiador israelense Shlomo Sand, dedica-se a mostrar que o “povo judeu” que reivindicou e obteve um pedaço de terra ancestral é uma criação do movimento sionista do século 19, sem conexão com a realidade. Em resumo, ele diz que não há um “povo” judeu, mas judeus de diferentes origens, que se converteram à religião ao longo do tempo, sem relação nem remota com a Israel antiga – cuja existência é usada como justificativa para a fundação da Israel atual, estabelecendo a ideia de “retorno” a essa raiz.

Essa teoria de Sand já foi desmentida por diversos estudos genéticos, como mostra o New York Times. Há linha direta de ancestralidade entre boa parte dos judeus atuais e os que foram expulsos pelos romanos no ano 70 da Era Cristã. Uma das soluções que Sand oferece – a de que a maioria dos judeus do leste europeu, inclusive os líderes sionistas, descende dos khazares, povo de origem turcomana – já foi descartada como improvável, o que não impede que neonazistas e outros extremistas a utilizem largamente. Mas a discussão do “DNA judaico” desvia o foco do problema mais importante do livro.

A questão central é considerar que o povo judeu foi “inventado” no século 19 pelos sionistas. Não é verdade. É possível dizer que os judeus se tornaram “povo”, no sentido político do termo, no século 15, precisamente em 1492 – o ano de sua expulsão da Espanha. A partir desse momento, e com o zeloso trabalho da Inquisição, ficou claro aos judeus que, não obstante sua assimilação, eles permaneceriam sendo considerados judeus.

Ser judeu, portanto, a partir de então deixou de ser uma opção exclusivamente religiosa e passou a ser uma condição sanguínea, irrenunciável. É isso que está no centro da grande tragédia do povo judeu, a Shoah (Holocausto). Os judeus estavam perfeitamente integrados à sociedade alemã, e muitos nem sequer se viam como judeus, mas isso foi irrelevante no momento em que o Estado nazista considerou que o judaísmo não era uma religião, mas um traço nacional. Pode-se dizer, sem medo de errar, que quem “inventou” o povo judeu não foram os judeus, mas seus algozes.

É possível até especular que, se não fossem as perseguições, os judeus nem teriam necessidade de retornar a seu Lar Nacional, já que sua relação com a Israel bíblica se dava por meio de um livro, a Torá, e não de um pedaço de terra. Logo, a questão não é religiosa, mas obviamente política. A inteligência da sociedade das nações foi reconhecer a demanda dessa forma – e a escolha de Israel como lugar da realização foi natural, uma vez que a história do povo judeu começou ali e ali se manteve, com maior ou menor presença, durante três mil e tantos anos.

Mas Sand é somente mais um militante de extrema esquerda a criar “teorias” espertas para deslegitimar Israel, seguindo a ideia de que Israel representa a delinquência ocidental encravada no pobre mundo árabe, eterna vítima dos imperialistas. Seguindo a lógica de Sand, no entanto, pode-se argumentar que o “Estado Palestino” também está assentado num mito de origem, já que, como todos sabem, a “Palestina” reclamada pelos “palestinos” nada mais era do que parte da Síria. Isso não significa que eles não tenham direito a sua terra, mas, se mitos de origem deslegitimam reivindicações políticas, os “palestinos” teriam de ser incorporados à Síria ou à Jordânia.

O Estado palestino (agora sem aspas) é uma consequência natural da luta nacional palestina iniciada nos anos 60. É nisso que deve ser baseada a legitimidade de sua fundação, e não na desmoralização histórica de seus futuros vizinhos.


 

 

 

 

O QUE É UM JUDEU? Por Leon Tolstoy (1829-1910)

O QUE É UM JUDEU? Por Leon Tolstoy (1829-1910)

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