JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Entre Rosh Hashana e Yom Kipur- 5773- Entre o Ano Novo e o dia do Perdão por Bernardo Sorj

Refletir antes de Julgar

Rosh Hashana nos coloca a pergunta: o que aprendemos no ano que passou?
E Iom Kipur nos lembra de que o mais difícil é aprender a julgar.

Por isso neste período refletimos sobre a nossa relação com os outros, pois é neles que espelhamos nossos desejos e nossos temores, nossas idealizações e nossos preconceitos, nosso egoísmo e nossa solidariedade.

Em cada julgamento que realizamos estamos julgando a pessoa que somos.

Iom Kipur nos lembra de que a capacidade de julgamento é o que nos faz humanos, mas também pode nos desumanizar, quando:

• Julgamos em forma apresada, e fomos injustos.
• Julgamos sob o efeito da cólera ou do medo, e agimos errado.
• Julgamos em forma preconceituosa, e humilhamos.
• Julgamos em forma dogmática, e desrespeitamos quem pensa diferente.
• Julgamos em função da opinião dos outros e não do que sentimos, e nos tracionamos.
• Julgamos a forma e não o conteúdo, e fomos banais.
• Julgamos quando o que deveríamos ter feito era só compreender.
• E usamos o poder no lugar do dialogo, e oprimimos.
• E valorizamos o que não merecia e desvalorizamos o que não devia.
• E humilhamos com nosso olhar ou com um comentário, incapazes de sair de nossa forma estreita de ser.

Porque o dia do perdão deve ser o dia em que nos propomos mudar nossa forma de julgar.

• E sermos mais prudentes e menos afobados.
• E sermos mais compreensivos e menos preconceituosos
• E sermos mais cautelosos e menos apressados.
• E sermos mais curiosos e menos dogmáticos.
• E sermos mais generosos e menos egoístas.
• Valorizando o essencial e não o supérfluo.
• Protegendo nossos interesses sem pisar nos outros.
• Levando em conta nossos sentimentos sem perder a noção de justiça.
• Superando nossos preconceitos que são uma couraça empobrecedora.
• E não permitindo que os medos nos dominem.

De forma que possamos chegar ao próximo Rosh Hashana Yom Kipur tendo julgado menos porque nos conhecemos mais, nos colocando ainda que seja por um instante na pele do outro, acumulado assim menos arrependimentos e mais atos de amor, produzido menos dor e mais satisfação.

Porque queremos ser melhores, vale a pena viver e brindar:

Shehechyanu, ve´quimanau ve’higuianu lazman haze.
Que vivemos, que existimos, que chegamos, a este momento.

Bernardo Sorj

Entre Rosh Hashana e Yom Kipur- 5772- Entre o Ano Novo e o dia do Perdão

Tempo de Encontro Consigo Mesmo

Porque Rosh Hashana marca a passagem do tempo e Yom Kipur nos interroga sobre o sentido de nossa vida, lembramos que ha:

• Tempo de olhar para o futuro e tempo de lembrar nosso passado.
• Tempo de nos pensar como indivíduos e tempo de nos pensar como comunidade.
• Tempo de realizar e tempo de refletir.
• Tempo de ficar sós e tempo de ficarmos juntos.
• Tempo de lembrar e tempo de esquecer.
• Tempo de ensinar e tempo de aprender
• Tempo de dar e tempo de receber.
• Tempo de falar e tempo de calar.
• Tempo de acreditar e tempo de duvidar.
• Tempo de se sentir culpado e tempo de se perdoar.
• Tempo de julgar e tempo de suspender o julgamento.
• Tempo de se entregar e tempo de se dissociar.
• Tempo de viver e tempo de morrer.
• Tempo de rir e tempo de chorar.
• Tempo de ser prudente e tempo de arriscar.
• Tempo de trabalhar e tempo de descansar.
• Tempo de semear e tempo de colher.
• Tempo de ser orgulhoso e tempo de ser humilde.
• Tempo de estar alegre e tempo de estar triste.
• Tempo de ter ilusões e tempo de perdê-las.
• Tempo de esperar e tempo de agir.
• Tempo de amar sem ser amado e tempo de ser amado sem amar.
• Tempos sem sentido e tempos com sentido.

E que a sabedoria se encontra em compreender que o tempo é sempre um, no qual:

• Nosso passado esta sempre presente no nosso futuro.
• A comunidade é formada por indivíduos livres e os indivíduos não esquecem que sempre são parte de comunidades.
• Quem faz deve refletir e quem reflete deve agir.
• Porque os mortos continuam vivos em nos e a vida não pode desconhecer a morte.
• Paramos de falar para ouvir e ouvimos para entender o que estamos falando.
• A prudência não deve eliminar nossa coragem para ariscar e o risco deve ser responsável.
• Quem recebeu já retribuiu e quem deu já recebeu.
• Só aprendemos desaprendendo e só se ensina aprendendo.
• Quem semeou já recolheu e quem recolheu não deixa de semear.
• Não podemos ser orgulhosos se não somos humildes e somos humildes porque somos orgulhosos.
• Estamos sós quando estamos juntos e estamos juntos quando estamos sós.
• Acreditamos sem dogmatismo e duvidamos sem deixar de lutar pelo que acreditamos.
• Só somo livres para encontrar sentido à vida quando descobrimos que ele simplesmente é o que fazemos de nossas vidas.
• Choramos de alegria e rimos para não chorar.
• No há culpa sem perdão, nem julgamentos que não sejam questionáveis.

Porque o tempo nos permite amar e aprender, e ambos são o maior dom da vida, agradecemos:

Shehechyanu, ve´quimanau ve’higuianu lazman haze
Que vivemos, que existimos, que chegamos, a este momento.

Bernardo Sorj

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