JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

AO ENCONTRO DE UM LUGAR, EM BUSCA DA ALEGRIA – Elias Salgado


AO ENCONTRO DE UM LUGAR, EM BUSCA DA ALEGRIA – Elias Salgado

 

 

Ao me sentar para  escrever/refletir sobre o mais recente encontro do Núcleo do JH-Rio, me ocorreu uma associação entre o que vivenciei naquela noite mágica e um conto belíssimo de Agnon, Bucshawz (temo pela ortografia se é a correta...). Nele, um grupo de judeus erram pela Europa tentando chegar a Terra de Israel. Não conseguindo encontrar o caminho e exaustos, resolvem fazer uma “parada temporária”. Mas o tempo passa e eles vão ficando...E aos poucos vão criando uma kehilá(comunidade) e dão origem a um shteitl( pequena aldeia judaica)- Bucshawz, a aldeia natal do autor.

 

A minha livre associação é seguinte: Bucshawz, a kehilá é o nosso Blog e nossa sinagoga e Beit Midrash, é nosso Núcleo de JH, localizado fisicamente na casa de Paulo Blank.

 

Não creio que os judeus que fundaram Bucshaz, tenham perdido de vista a sua idéia de chegar a “terra da promissão”, nem tão pouco que tal conceito seja uma razão/busca exclusivamente nossa, muito ao contrário. Porém, enquanto não se reencontra o caminho, acho válido que se criem Bucshwz mundo afora, mesmo que temporários sejam, pois o mais importante é não perder de vista a noção do destino idealizado.

 

 

 

 

Uma Noite Especial, Uma Proposta Irrecusável

 

A proposta de Paulo e Patrícia de um Kabalat Shabat Bereshit( o Shabat da criação), com uma sugestão de Paulo de que”Há Simchá BaTorá”, numa bela e brilhante alusão à festa que marca o reinício da leitura semanal da Torá , e que nos leva  alegrar-nos com ela : “ Sissú Vê Simchù Be Simchat Tora”.

 

Levados com maestria e sensibilidade por Patrícia, vivenciamos todos um Kabalat Shabat intenso e alegre, no qual nosso melamed Paulo, manifestou em algum momento, sua felicidade de que ali em torno de sua mesa, éramos um kehilá completa: rabino, rabina, chazanim, e um “Kahal Kadosh” ( Congregação Saqgrada), como se diz entre “los nuestros “, os seferadim marroquinos.

A mim foi concedid o zehut( honra), outra expressão pra mim tão familiar, de dizer o “hamozti” abençoando as chalot de tão emocionante Shabat, onde me senti novamente na casa de minha infância, na minha longíqua Bucshawz amazônica - Manaus, entre os meus de sangue.  jogando pedaços de chalá sobre a mesa para todos os presentes, como fazemos entre os marroquinos, imagino numa alusão à fartura do maná.

 

Alimentamos o espírito em torno de uma drashá/debate capitaneada por Paulo e Patrícia, onde um trecho da parashá( Bereshit) foi lida em diversos idiomas e traduções, desconstruindo e rompendo as barreiras impostas pela “Torre de Babel”,não somente a idiomática, mas também a das concepções filosóficas diversas que formaram o ocidente e desta forma recriamos a criação, da  como nos propunham nossos sábios, reinterpretando-a, seguindo a risca a máxima do Talmud: Dor,Dor VeDorshav ( a cada geração seu interprete), fazendo jus ao que Paulo sempre nos ensina de Lévinas, de que existe um judaísmo para crianças e outro para adultos.E assim com sua costumeira maestria ele  nos conduziu a “verdade” da criação. Nos ensinou nosso mestre, que antes da criação do mundo o Eterno criou a Torá, ( “Reshit Darkó, o princípio(base do seu “caminho”, o princípio máximo de uma ética que se pretende a razão da criação.esta sim a verdadeira razão e finalidade da criação.

 

E assim pudemos aprender/lembrar, qual a razão de ser e existir o mundo e tudo que nele existe, podendo o criador distanciar-se de sua criação e das alturas deixar que ao homem fosse permitido poder, se assim quiser(ou puder) alcançar o “zehut” de garantir de vez a preservação do mundo como o receptáculo da Tora, e ter na Tora seu “Reshit Darkó”.

Foi um debate riquíssimo, intenso e há quem tenha pensado até, que alguém se permitiu a ousadia de um “chidush”( nova interpretação/inédita)

Eu diria que se não houve um “chidush” interpretativo, certamente houveram inúmeros “chidushim”: jamais seremos os mesmos após aquela noite iluminada.

 

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Oi Elias,

fiquei um pouco chateada com meu atraso. Que bom postou aqui suas impressões!


abraço,
flávia

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