JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Shalom chaverim,

 

Estou organizando um seder de pessach em Porto Alegre, e queria utilizar uma Hagadá Humanista nesse seder.

Vocês sabem se já existe uma Hagadá Humanista? Se sim, alguém pode me passar por favor? ( rafael.fleischman@gmail.com ). Se não, estou disposto a trabalhar na elaboração de uma, com mais quem se interessar.

Att,

Rafael Fleischman

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Ola Rafael , na verdade existe dezenas de Hagadot de pessach Humanista. Somente  no Kibutz Beit Hashita , existe ha mais de 20 anos um centro de arquivos das festividades judaica ( Ciclo de vida Judaico, chaguim, shbatot etc.. )  todos dentro de uma visao Cultural e Humanista,esse material esta disposto a qualquer um , porem  o problema que temos eh traduzir do hebraico para o Portugues.

Vou ver se consigo alguma versao em espanhol.

 

Abraco

 

Jayme

SEDER Pessach Humanista

David Bogomoletz



KIDUSH
Estamos aqui reunidos esta noite para afirmar a continuidade do esforço de gerações que mantiveram viva a visão de liberdade contida na história de Pessach.
Por milhares de anos afirmamos com este Seder, não só a memória do Êxodo, mas o revivemos, evocando sua força transformativa em nossas vidas.

ESCRAVIDÃO - UM COMPORTAMENTO
Mulheres - A palavra em hebraico para "Egito", Mitsraim, significa "passagem estreita","lugar estreito", "lugar de confusão, fragmentação e desconexão espiritual.
Há varias maneiras pela qual podemos estar aprisionados à Mitsraim, individual e coletivamente. Medo do outro, medo de nosso verdadeiro self, medo de perder controle, todos estes podem se tornar "falsos deuses" a quem podemos nos escravizar.
A cultura dominante nos encoraja a acreditar que apenas algumas pessoas (ou partes de nós mesmos) são relevantes. O lugar estreito se faz principalmente quando queremos eliminar partes de nós mesmos que não gostamos: ódio, tristeza, inveja ou seja lá o que nos pareça inaceitável em nós mesmos.

Homens -- A saída do "Egito" só foi possível através de CHESSED - compaixão - que envolve saber abraçar aquilo que ridicularizamos em nós e nos outros - através da tentativa de compreender aqueles que são diferentes de nós. Israel deixou o Egito com "uma multidão mista" e o povo judeu começou como uma mistura multicultural de pessoas atraídas por uma visão de transformação social.
A mensagem do Êxodo é revolucionária: A MANEIRA PELA QUAL O MUNDO É, NÃO É A MANEIRA QUE, OBRIGATÓRIAMENTE, TEM QUE SER. Tudo pode mudar uma vez que reconheçamos que o D'us que criou o Universo, também criou a possibilidade de transformação e libertação.

AVADIM HAINU --
Homens -- Somos descendentes de escravos, das pessoas que vivenciaram a primeira rebelião bem sucedida nos anais da História. Desde então preservamos a história da libertação e a consciência de que crueldade e opressão não são inevitáveis "fatos da vida", mas condições que podem ser alteradas.

Mulheres -- A história do Êxodo nos ensina que tudo isto pode ser mudado. Quando Moisés trouxe a notícia da liberdade eminente aos hebreus eles se recusaram a ouvi-lo, pois estavam em desespero - sem esperança. Também nós podemos nos tornar cínicos diante das transformações que precisamos fazer em nossas vidas pessoais e das mudanças urgentes em nosso sistema econômico e político de tal maneira que reflitam nossos mais elevados valores éticos, espirituais e ecológicos.

Homens -- Essa é a força do Pessach: é possível mudar e o testemunho disso é o valor maior que a memória do Êxodo pode prestar. Pois a libertação começa no momento em que reconhecemos a possibilidade da possibilidade. Essa era a mensagem: esperança e subversão - não da "ordem" mas do destino.

DAIENU -- Por tudo isso, os judeus hoje devem pensar bastante
quando comemoram o Sêder de Pêssah.

Mulheres e Homens alternado:
POIS NÃO HÁ MAIS A ESCRAVIDÃO NO EGITO - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS O EXÍLIO NA BABILÔNIA - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS A TIRANIA HELENÍSTICA - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS A SUBMISSÃO A ROMA - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS AS EXPULSÕES MEDIEVAIS DE UM LUGAR PARA OUTRO - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS OS TERRORES E AS FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS GUETOS JUDAICOS - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS A ESTRELA AMARELA NO PEITO - AMÉM!
NEM CHAPEUS PONTUDOS OU ROUPAS INFAMANTES - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS POGROMS E MASSACRES SELVAGENS CONTRA NÓS - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS O ANTISSEMITISMO NAZISTA DOMINANDO PAÍSES
E AMEAÇANDO CONQUISTAR O MUNDO INTEIRO - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO PARA JUDEUS - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS CÂMARAS DE GÁS - AMÉM!
E NÃO HÁ MAIS SETE PAÍSES ÁRABES E SETECENTOS MILHÕES DE MUÇULMANOS
PENSANDO O TEMPO TODO EM DESTRUIR O NOSSO ÚNICO PAÍS - AMÉM!
E NÃO SOMOS MAIS PERSEGUIDOS PELOS POVOS ENTRE OS QUAIS VIVEMOS
POR LIVRE ESCOLHA, COMO FAZEM PESSOAS DE TODOS ESSES POVOS,
QUE VIVEM EM MEIO A TODOS OS OUTROS POVOS - AMÉM!
E AGORA TAMBÉM NÃO HÁ MAIS AS RESTRIÇÕES, PROIBIÇÕES, PRISÕES,
HUMILHAÇÕES E INJUSTIÇAS DOS PAÍSES COMUNISTAS - AMÉM!

Mas agora surgem novas perguntas que valem tanto para nós, o povo, quanto para nós,
as pessoas:
SOMOS LIVRES PARA QUE ?
O QUE FAZER COM ESSA LIBERDADE QUE TANTO DEMOROU A CHEGAR ?
ACASO SOMOS LIVRES PARA EXERCER A CRUELDADE ?
SOMOS LIVRES PARA ODIAR ?
SOMOS LIVRES PARA ASSASSINAR ?
SOMOS LIVRES PARA OPRIMIR ?
SOMOS LIVRES PARA EXPLORAR ?
SOMOS LIVRES PARA DISCRIMINAR ?
SOMOS LIVRES PARA ROUBAR A LIBERDADE ALHEIA ?
SOMOS LIVRES PARA FAZER A OUTROS
O QUE ODIAMOS QUE FAÇAM CONOSCO ?

AINDA SOMOS ESCRAVOS!
somos escravos do ódio que está em nós.
somos escravos da maldade que há em nós.
somos escravos da cobiça que há em nós.
somos escravos da inveja que há em nós.
SOMOS ESCRAVOS DO DESEJO DE TERMOS ESCRAVOS


SH'FOCH
TODOS:
E TAMBÉM SOMOS ESCRAVOS DO RESSENTIMENTO QUE HÁ EM NÓS CONTRA ANTIGOS INIMIGOS.
NÃO SOMOS OBRIGADOS A AMAR OS NOSSOS INIMIGOS ATUAIS.
MAS NÃO PODEMOS COMETER O MESMO ERRO
QUE OS NOSSOS INIMIGOS ANTIGOS SEMPRE COMETERAM,
E ODIAR OS SEUS DESCENDENTES COMO SE SEUS DESCENDENTES TAMBÉM FOSSEM, NECESSARIAMENTE, NOSSOS INIMIGOS.

SOMOS LIVRES DE INIMIGOS EXTERNOS,
MAS AINDA SOMOS ESCRAVOS DE ALGUNS INIMIGOS INTERNOS.

POIS ENQUANTO NÃO PUDERMOS PERDOAR, SEREMOS ESCRAVOS.
ENQUANTO NÃO PUDERMOS DESCULPAR, SEREMOS ESCRAVOS.
ENQUANTO NÃO PUDERMOS LIBERTAR, SEREMOS ESCRAVOS.
ENQUANTO NÃO DEIXARMOS DE ODIAR, SEREMOS ESCRAVOS.
E ENQUANTO ESSE NOSSO PEQUENO INIMIGO,
NOSSOS VIZINHOS PALESTINOS, NÃO FOREM LIVRES,
(E NÃO NOS DEIXAREM LIVRES TAMBÉM),
AINDA SEREMOS
ESCRAVOS.

SÓ QUE NUNCA DEVEMOS CONFUNDIR
PERDOAR COM ESQUECER.
PORQUE NOSSA LIBERDADE SÓ SERÁ VERDADEIRA
SE JAMAIS ESQUECERMOS.

(HOMENS E MULHERES ALTERNADO):
SE JAMAIS ESQUECERMOS O EGITO ESCRAVAGISTA
E JAMAIS ESQUECERMOS A ASSÍRIA GENOCIDA
E JAMAIS ESQUECERMOS A BABILÔNIA QUE EXILOU O NOSSO POVO
E JAMAIS ESQUECERMOS OS HELENISTAS QUE QUASE EXILARAM NOSSA ALMA
E JAMAIS ESQUECERMOS ROMA, QUE NOS DISPERSOU PELO MUNDO
E ARRASOU A NOSSA TERRA,
E JAMAIS ESQUECERMOS OS SENHORES FEUDAIS QUE NOS ESPEZINHARAM
E OS SULTÕES QUE NOS HUMILHARAM E NOS OPRIMIRAM
E A INQUISIÇÃO, COM SUAS FOGUEIRAS E SUAS DELAÇÕES
E OS GUETOS, ONDE VIVÍAMOS COMO EM CURRAIS
E OS POGROMS, A SELVAGERIA DAS MULTIDÕES ASSASSINAS
E AS CALÚNIAS DE SANGUE, FAZENDO DO PÊSSACH UM TERROR
E AS CONVERSÕES FORÇADAS PARA TODAS AS RELIGIÕES
E OS ANTISSEMITAS E RACISTAS DE TODOS OS TIPOS
E JAMAIS, JAMAIS, JAMAIS ESQUECERMOS
OS NAZISTAS E TODOS OS SEUS BÁRBAROS CRIMES.
PORQUE TODOS ELES FORAM INIMIGOS NÃO SÓ
DO NOSSO POVO, MAS DE TODA A HUMANIDADE.


NÃO PODEMOS ESQUECER TODOS AQUELES QUE NOS DOMINARAM, EXILARAM, ROUBARAM, MATARAM, TORTURARAM, EXPULSARAM, APRISIONARAM, HUMILHARAM, PERSEGUIRAM, QUEIMARAM, ASFIXIARAM, DISCRIMINARAM, DEGRADARAM E ESCRAVIZARAM DE DEZ MIL E UMA MANEIRAS DIFERENTES.

E NÃO PODEMOS ESQUECER QUE NÓS PRÓPRIOS FOMOS ESCRAVOS,
PORQUE SE ESQUECERMOS, NÃO MAIS SEREMOS NÓS MESMOS,
NÃO TEREMOS MAIS MEMÓRIA E IDENTIDADE.


4o. cálice

Mas nosso povo está vivo:
vivo para recordar, e recordando para continuar vivo.
No entanto, enquanto nosso povo estiver vivo,
ainda assim jamais seremos livres
até que desapareça todo racismo,
até que desapareça todo o ódio entre os povos,
até que desapareça toda a exploração,
até que desapareça toda a miséria,
até que desapareça toda a fome,
até que desapareça toda a injustiça,
até que desapareça toda opressão, inclusive a que nós cometemos.

PORQUE PESSOAS FAMINTAS, HUMILHADAS, INJUSTIÇADAS, DISCRIMINADAS, OPRIMIDAS, DOMINADAS, SÃO ESCRAVAS,
E ENQUANTO HOUVER UM ÚNICO ESCRAVO SOBRE A FACE DA TERRA
NINGUÉM, NINGUÉM SERÁ VERDADEIRAMENTE LIVRE.

POR ISSO RELEMBRAMOS NOSSA PRÓPRIA ESCRAVIDÃO -
PARA SABERMOS ODIÁ-LA, E PARA ODIARMOS VOLTAR A ELA,
E PARA NUNCA NOS ESQUECERMOS DE COMO É AMARGO O GOSTO DA ESCRAVIDÃO,
E PARA SABERMOS QUE O ESCRAVO É UM IRMÃO,
E QUE QUANDO HÁ ESCRAVOS, NÃO HÁ HOMENS LIVRES.

Por isso conservamos a Hagadáh de Pêssah que fala do Faraó e do Egito,
pois não há diferença alguma entre os escravos que fomos há mais de três mil anos atrás,
os escravos que fomos ao longo desses três mil anos,
e os escravos que existem hoje, em qualquer lugar do mundo.

LEMOS HOJE A ANTIGA HAGADÁH PARA SABERMOS DA DOR QUE ELES SENTEM
RELEMBRANDO A DOR QUE NÓS SENTIMOS.
E PARA SABERMOS A ALEGRIA
QUE ELES SENTIRÃO QUANDO FOREM LIVRES,
RELEMBRANDO A NOSSA ALEGRIA
POR HAVERMOS ALCANÇADO A LIBERDADE.

POR ISSO DIZEMOS HOJE,
E DEVEMOS ENSINAR ÀS NOSSAS CRIANÇAS,
E TAMBÉM AOS AMIGOS QUE NÃO SÃO DO NOSSO POVO -
(AMIGOS ENTRE OS QUAIS VIVEMOS E QUE VIVEM CONOSCO NO MESMO MUNDO - POIS POVOS EXISTEM MUITOS, MAS MUNDO HÁ UM SÓ, E É DE TODOS NÓS) -

MALDITA SEJA A ESCRAVIDÃO
SEJA DE QUEM FOR,
EXISTA ONDE EXISTIR,
EM TODOS OS TEMPOS E TODOS OS LUGARES,
PARA TODO O SEMPRE,


AMÉM!
Oi Jayme.

Obrigado pela atenção e pela velocidade na resposta.

Eu li essa Hagadá enviada por você, mas a verdade é que ela não me agradou muito. Certamente não é uma Hagadá religiosa, mas seu enfoque não parece ser muito humanista. Creio que uma abordagem humanista se concentraria nos assuntos relacoinados a liberdade, justiça e força do povo. Em vez disso, essa Hagadá é muito pesada e fala apenas em morte, perseguição e antissemitismo.

Não era exatamente esse enfoque que eu gostaria de dar no Seder. Se você encontrar outra versão (espanhol nem hebraico são problema) eu iria preferir. Não sei se você concorda comigo, mas de qualquer maneira, muito obrigado mesmo.

Grande abraço,
Rafael

Estou totalmente de acordo com vc Rafael, sobre a visao e efoque Humanista, porem leia bem o que o Davi escreve ele eh um psicanalista ( ateu) e sua Hagada tem um grande efoque filosofico super interessante.

Veja a Hagada de Abaixo de Egon Friedler esta postada tambem no nosso site.

Abraco

 

Jayme

Una Hagadá de Pesaj actual
Magazine - Mundo judío
Escrito por Egon Friedler

Una enseñanza trascendente de nuestra fiesta de la libertad es que la diversidad y variedad de ideas han sido condiciones esenciales para nuestra supervivencia como pueblo. Nos negamos a ser una secta aislada del mundo y de la evolución de la humanidad.

1. Nos reunimos esta noche para celebrar una fiesta cuyo origen se pierde en la más remota antigüedad: Pesaj, la fiesta de la libertad, la más importante para nuestra memoria colectiva como pueblo. Hace miles de años nuestros antepasados fueron esclavos en Egipto. Muchos sucumbieron sometidos a duras condiciones de vida, pero otros lograron sobrevivir. Los que no se dejaron abatir y mantuvieron viva la llama de la esperanza finalmente lograron concretar su sueño: salir de la esclavitud a la redención.

2. Cuenta la historia de Pesaj que el pueblo judío, guiado por Moisés vagó durante cuarenta años en el desierto hasta llegar a la tierra de Israel. Gracias a esta lejana gesta pudimos llegar a ser quienes somos hoy. Si nuestros antepasados no hubieran tenido la valentía suficiente para emprender su difícil peregrinaje, nosotros, nuestros hijos y los hijos de nuestros hijos, habríamos desaparecido sin dejar rastro en la historia de la humanidad, al igual que muchos pueblos de la antigüedad bíblica. Por ello, consideramos un deber recordar año tras año la saga de nuestros antecesores y celebrar el origen de nuestra identidad común.

3. Cuenta la Hagadá tradicional que Moisés y su hermano Aharón fueron a ver al Faraón y le dijeron: Deja salir a mi pueblo. Pero éste, en un acto de arrogancia se negó y ordenó a sus lugartenientes tratar con dureza a los judíos. El Faraón no fue sino el primero entre muchos reyes y poderosos de la tierra que se convirtieron en enemigos del pueblo judío y se propusieron causarle daño. Pero él, como muchos otros que le siguieron, tuvo un oscuro final, mientras el pueblo judío logró pasar las más duras pruebas y alcanzar la libertad.

4. En nuestra mesa ocupa un lugar de honor la matzá: el pan ázimo que nuestros antepasados comieron en el desierto. Este pan de la pobreza nos recuerda lo precario de nuestra existencia y nos impone un deber de humildad. También nos obliga a la solidaridad humana. La mesa de Pesaj está abierta a todos. Como dice la Hagadá tradicional: Quien tenga hambre, venga y coma.

5. ¿Porqué es diferente esta noche de las demás noches? Mientras que en todas las noches comemos jametz y matzá, esta noche sólo comemos matzá. Todas las noches comemos cualquier legumbre, esta noche sólo comemos legumbres amargas. Todas las noches no tenemos que mojar los alimentos ni siquiera una vez, esta noche dos veces. Todas las noches comemos ya sea sentados como reclinados. Esta noche comemos todos reclinados.

6. Esta es una noche de evocación, de reencuentro con nuestras raíces, forjadas hace miles de años en el desierto. Allí surgieron las bases de nuestra ética y de nuestra identidad histórica. Allí los Diez Mandamientos se convirtieron en nuestro aporte decisivo a la forja de la conciencia moral de la humanidad, un aporte que sigue teniendo vigencia hasta el día de hoy.

7. Primer vaso, vaso de la supervivencia y la creatividad. Con este vaso celebramos la continuidad de la cadena de generaciones de nuestro pueblo y exaltamos la constante inquietud espiritual judía que siempre busca nuevos horizontes en todas las ramas del pensamiento humano.

8. Al evocar hoy la leyenda de Pesaj, recordamos el Éxodo de Egipto y nuestra liberación del yugo del Faraón. Pero como dice la Hagadá tradicional: "En cada generación intentaron exterminarnos, pero nosotros nos salvamos de sus garras". La historia judía ha sido pródiga en hechos trágicos y terribles pero también nos legó la memoria de pujantes manifestaciones de vitalidad. Como natural resultado de la evolución histórica, el Estado de Israel ha perdido parte del aura de idealismo que lo distinguió en sus difíciles primeros años. Sin embargo, el llegar a su sexta década de vida del constituye un privilegio para nuestra generación. Para muchos de nosotros aún constituye una memoria viva el traumático período del Holocausto cuando nuestro pueblo se encontraba indefenso a merced de los poderosos de la tierra. Desprovistos de una base territorial y política, éramos el chivo emisario universal por excelencia. Durante largos siglos fuimos víctimas de fanatismos religiosos, xenofobia, odios irracionales y racismo. La trágica culminación de este largo proceso tuvo lugar en la Shoá, donde el antisemitismo europeo llegó a su expresión más cruel y bárbara con el intento nazi de aniquilación de todo el judaísmo europeo.

9. En el mundo globalizado de hoy, muchas cosas han cambiado. Pero lamentablemente parece vivir otra vez el retorno de una pesadilla totalitaria asesina como la vivida durante los terribles años del nazismo en el siglo pasado. Hoy lo desafía un extremismo islamista intolerante que pretende imponer su hegemonía primero en el mundo musulmán y más tarde en el mundo entero. Al igual que el nazismo, el totalitarismo islamista ve a los judíos como su peor enemigo, pero hoy el blanco no es el judío individual sino el judío colectivo: el Estado de Israel.

10. Nuestra comunidad ha sido testigo de esta amarga lección con los atentados contra la Embajada de Israel en 1992 y la AMIA en 1994 en la Argentina, los peores ataques al pueblo judío en la diáspora desde la Segunda Guerra Mundial. Hoy tanto el gobierno como la sociedad argentina ya no tienen dudas respecto a la identidad de los culpables. Todas las pruebas demuestran de manera inequívoca la responsabilidad del régimen fascista islámico de Irán y se han expedido órdenes de arresto internacionales contra los responsables directos. Este hecho pone en evidencia la verdadera naturaleza de un régimen que no vacila en exportar el terrorismo a cualquier punto del planeta y mantiene en jaque a la comunidad internacional con sus planes nucleares.

11. En este Pesaj, la difícil situación internacional en Medio Oriente parece más intrincada que nunca. Todos los esfuerzos realizados en los últimos años para crear un marco adecuado para un genuino acercamiento de las partes han chocado hasta ahora con obstáculos insalvables. Queremos expresar la esperanza de que a pesar de todos los escollos ambos pueblos encuentren un camino hacia una convivencia pacífica, que constituye un interés vital para todos.

12. Lo que hace la situación particularmente difícil es que el pueblo palestino se divide en dos bandos que no logran estructurar una estrategia común, ni son capaces de crear estructuras para-estatales que se aboquen a las complejas tareas de construcción de un estado incipiente. Lamentablemente, una parte importante del pueblo palestino que apoya al movimiento fundamentalista islámico Hamás ha demostrado ser incapaz de comprender una verdad elemental: es imposible construir un país sobre la base de una declaración de guerra permanente a su vecino geográficamente más cercano. Y este fanatismo los ha convertido en títeres de Irán y de sus ambiciones imperialistas en el mundo árabe y musulmán.

13. La paz es imprescindible para ambos pueblos. Hoy es evidente que la violencia desencadenada por los palestinos ha sido nociva para sus propios intereses. A la larga, no existe ninguna alternativa a la coexistencia y colaboración entre ambos pueblos. Sería trágico que el destino del pueblo palestino corriera la misma suerte que la del libanés, frustrado en sus aspiraciones nacionales por la sumisión de una parte de su sociedad a las ambiciones imperialistas de Irán en el Medio Oriente que están claramente reñidas con el progreso social, económico y cultural.

14. A pesar de la incomprensión y hasta la enemistad de una parte no desdeñable de la población mundial, el Estado judío ha demostrado recientemente en Gaza que no habrá de permitir que su población civil sea objeto de un terrorismo indiscriminado. Pero si Israel figura en los titulares de la prensa mundial por hechos bélicos, a diferencia de sus enemigos, el Estado judío no ve en ninguna guerra su razón de ser.

Israel ha pasado de ser un país agrícola a convertirse en uno de los países más sofisticados del mundo como exportador de alta tecnología. A pesar de sus graves problemas de seguridad, el país se cuenta entre los de mayor expectativa de vida del mundo entero. Sus avances en la educación, la ciencia y la cultura son formidables. La inmigración masiva de las últimas décadas, sobre todo de Etiopía y la ex Unión Soviética, es una brillante historia de logros sin parangón en un mundo cada vez más reacio a la aceptación de inmigrantes. De una pequeña comunidad sitiada de 600.000 almas en 1948, Israel pasó a ser hoy con cinco millones de judíos, la tercera parte del judaísmo mundial. Nadie podía haber imaginado una situación semejante cuando Israel libró su desesperada lucha por la independencia en los albores del Estado.

15. Como siempre, la noche de Pesaj es para nosotros un momento de celebración y alegría. Pero, como es tradicional en nuestro pueblo, en nuestras fiestas no podemos olvidar las tragedias históricas que nos enlutaron. En ese espíritu: Recordemos a los miles de hermanos y hermanas que fueron muertos antes de tiempo en la Shoá, en las guerras de Israel o como víctimas de la inhumana saña terrorista. Recordemos a las víctimas de los bárbaros ataques a la Embajada de Israel en Buenos Aires y a la AMIA. Recordemos a las generaciones de jóvenes israelíes que ofrendaron sus vidas en defensa del Estado judío, su independencia y libertad.

16. Creemos en la máxima de Hillel que resume el sentido humanista de nuestra herencia espiritual: "No hagas a tu prójimo lo que no quieras que te hagan a tí". Ese imperativo de tolerancia constituye la base misma del judaísmo y nos permite mantener la unidad en la diversidad.

17. Segundo vaso, vaso de hermandad. Brindemos por el bienestar del Estado de Israel y del pueblo judío en todo el mundo.

18. Vivimos en un mundo cambiante, de vertiginosas innovaciones tecnológicas. Los últimos descubrimientos en el campo de la biogenética abren horizontes totalmente nuevos para el espíritu humano y generan problemas éticos de dimensiones inéditas en la historia de la humanidad. La revolución de la informática, de las comunicaciones, de los avances médicos y científicos, han cambiado nuestra forma de vivir, de pensar, de comunicarnos. Pero lamentablemente junto con estos audaces avances del espíritu humano vivimos los graves problemas de un mundo que parece haber perdido la brújula en su sentido moral y su conciencia solidaria. El desempleo masivo, los sangrientos conflictos étnicos, el aumento alarmante de la criminalidad, la plaga de las drogas, los embates de movimientos regresivos que utilizan sofisticadas armas modernas para combatir a la modernidad, los extremismos mesiánicos de todo tipo, el deterioro del medio ambiente, la supervivencia de dictaduras agresivas e inescrupulosas, la corrupción generalizada en burocracias y élites políticas de los cuatro puntos cardinales de la tierra, la persistencia de la miseria en un mundo que tiene los medios para terminar con ella, son solo algunos de los graves males que siguen agobiando a la humanidad pese a sus brillantes avances tecnológicos. A todo esto debemos sumar la tremenda crisis económica mundial que ha dejado fuera del mercado de trabajo a millones de seres humanos. Hacemos votos en esta celebración de la libertad, porque esta nueva esclavitud de la necesidad, la pobreza y el desamparo, termine cuanto antes.

19. Pese a todas las circunstancias adversas y a todos los nubarrones en el horizonte, importa más que nunca llevar en alto la bandera de universalidad de la justicia de los profetas de Israel, que constituye uno de los valores esenciales de nuestra herencia judía.

20. Por ello alcemos esta noche nuestra copa. Tercera copa, copa de la justicia. Brindemos por una auténtica fraternidad de la humanidad, una solidaridad que una a todo el género humano en un genuino abrazo fraterno, una solidaridad que termine con la miseria, la violencia, la instrumentación política del odio y la indiferencia de los hombres frente a los sufrimientos de sus semejantes.

21. Para algunos, Pesaj debe ser la repetición mecánica de un rito idéntico en todos sus detalles al del año anterior. No admiten variaciones ni en el ritual ni en el contenido. Quienes leemos esta Hagadá celebramos nuestra fiesta de la libertad con un espíritu muy distinto. El mundo cambia vertiginosamente y del mismo modo cambian las circunstancias históricas en que vive nuestro pueblo. Esto obliga a una constante reinterpretación de nuestros valores fundamentales a la luz de las nuevas realidades. El judaísmo no es sólo tradición, es también un compromiso con el hoy y el ahora, a la luz de nuestros imperativos éticos fundamentales.

22. Es en ese espíritu que apostamos a un aspecto esencial del judaísmo: la valoración de la vida. Y hoy valorar la vida significa apostar contra viento y marea a la paz y a la coexistencia con el pueblo palestino y el mundo árabe, por más duro, difícil y cargado de decepciones que sea el largo y accidentado camino hacia esas metas.

23. En esta celebración de Pesaj afirmamos nuestro estilo de judaísmo, un judaísmo con amplitud de miras, tolerante, contrario a todo dogmatismo, profundamente consciente de la historia y el legado cultural de nuestro pueblo, al mismo tiempo abierto a nuestro entorno y al mundo: un judaísmo que respeta todas las formas de vivir la experiencia judía.

24. En un momento en que vivimos una situación tan compleja y conflictiva, la solución de todos los problemas parece una meta imposible. Pero si hay algo que ha caracterizado al espíritu judío a lo largo de los siglos es su lucha titánica contra lo imposible. El sentido último de la historia judía está en la visión profética de paz y fraternidad entre todos los hombres.

25. Otra enseñanza trascendente de nuestra fiesta de la libertad es que la diversidad y variedad de ideas han sido condiciones esenciales para nuestra supervivencia como pueblo. Si logramos sobrevivir hasta hoy es porque nos negamos a ser una secta aislada del mundo y de la evolución de la humanidad.

26. En este día de celebración, deseamos remarcar nuestra identificación con el país en que vivimos y que sentimos como nuestro. Formulamos nuestros más fervorosos votos por el progreso social, económico y cultural de la Argentina.
Más allá de las turbulencias de nuestra vida política, confiamos en las riquezas de nuestro suelo y en la dinámica y capacidad creativa de nuestra sociedad para vencer a la indigencia, la pobreza y la injusticia social.

27. Como dice el Eclesiastés: Todo tiene su momento y cada cosa su tiempo bajo el cielo: "su tiempo el nacer y su tiempo el morir", "su tiempo el llorar y su tiempo el reír", "su tiempo el lamentarse y su tiempo el danzar". Esta noche es tiempo de alegría, de fraternidad, de júbilo y de celebración. "Hay un tiempo para el individuo y otro momento para la comunidad ". Esta noche pertenece íntegramente a la comunidad.

28. Cuarto vaso, vaso de paz. Nuestro anhelo más profundo es que se cumplan las palabras del profeta : "Y volverán sus espadas en rejas de arado y sus lanzas en hoces. No alzará espada gente contra gente, ni se ensayarán más para la guerra". Paz para Israel y para el pueblo judío en todos los rincones de la tierra. Paz para la humanidad entera.

¡Lejaim!

Oi Rafael

Veja nos blogs o último post do Jayme Fucs, e me contate para participar do grupo que fará a programação de Chinuch no Seder. Vou digitalizar a "Uma Haggadá para Nossos Dias", do Moacyr Scliar. É de 1985, mas é imortal, não é?

O texto do Paulo Blank que o Jayme também colocou me parece muito apropriado para usarmos parte no Seder.

Um abraço

Sérgio

Rafael, me mande seu email para sergiostorch@gmail.com. Reuni 5 textos para lhe enviar.

Um abraço

Sérgio

Olá,

Finalmente ficou pronta a Hagadá do Habonim Dror snif Porto Alegre. Já a utilizamos no nosso Seder de Pessach, essa quarta feira 13/04, e foi um sucesso. Estamos disponibilizando-a em anexo para vocês.

Chag Sameach,

Rafael Fleischman
Anexos

Caro Rafael

Ficamos muito felizes em termos podido ajudar vocês, e queremos parabenizá-los pela Hagadá, que ficou excelente! Vamos continuar trocando figurinhas. Estimule o pessoal do Habonim de SP a entrar em contato conosco, ok? Pode me passar os contatos de algumas das lideranças para que os convidemos para o nosso Seder do dia 17?

 

Um abraço

Sérgio

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