JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

 

Resisti a escrever este artigo.

Incrédulo, comentava com meus colegas de Conexão Israel sobre o que estava testemunhando. Enquanto eles me estimulavam a escrever, eu optava pela tática do avestruz – afundar a cabeça na areia e esperar até que a crise passe para poder retomar minha convivência com a sociedade. No meu caso, a areia é composta de estudos e Copa do Mundo.

Nesta segunda-feira, a partir do momento em que a imprensa estrangeira noticiou que boatos indicavam que haviam sido encontrados os corpos dos três adolescentes desaparecidos, iniciaram-se os primeiros rumores em Israel. No país, a liberdade de imprensa tem uma única restrição: qualquer matéria sobre segurança deve ser aprovada previamente pelo censor militar. Desta maneira, ainda que a imprensa local já soubesse do que ocorreu, não tinha autorização para divulgar os fatos ao público. Quando a vinheta do plantão interrompeu o jogo entre França e Nigéria, todos nós entendemos do que se tratava.

A população precisou de um par de horas para digerir o que aconteceu.

Em seguida, meu choque foi substituído por uma imensa sensação de vergonha. A Copa do Mundo, naturalmente, foi substituída em todos os canais da televisão por mesas redondas sobre a segurança nacional e nossa relação com os palestinos. Alguns deputados dos partidos oposicionistas de esquerda pediam que o governo reagisse com racionalidade e não com emoção. As deputadas Zehava Galon (Meretz) e Shelly Yachimovitch (Partido Trabalhista) exigiam que os culpados fossem presos e punidos, mas sugeriam que uma ampla ação militar levaria apenas à rápida escalada da violência e não faria surtir o efeito desejado.

Ayelet Shaked, a playmate da extrema-direita.

Ayelet Shaked, a playmate da extrema-direita.

Os deputados dos partidos direitistas da coalização, entretanto, optaram por “jogar para a torcida”. A deputada Ayelet Shaked, do partido nacional-religioso HaBait HaYehudi, declarou que “um povo cujos heróis assassinam nossas crianças deve ser tratado no mesmo nível”. Líder do mesmo partido, o ministro da Economia (Emprego, Comércio e Indústria), Naftali Bennet, defendeu uma ampla operação militar contra o Hamas, “porque se nós não iniciarmos a guerra, o Hamas o fará”.

Por sua vez, o ministro da Defesa, Moshe Yaalon, do Likud de Benjamin Netanyahu, que efetivamente comandaria a tal guerra conclamada por Bennet, preferiu ser mais contido e também defendeu uma operação militar poderosa, mas precisa. Como cereja no bolo, sugeriu que a principal retaliação ao povo palestino seja a construção de mais três assentamentos, a serem batizados em homenagem aos três adolescentes assassinados.

E é exatamente nessa questão proposta pelo ministro da Defesa que eu gostaria de focar: a punição coletiva a ser imposta ao povo palestino. Ninguém mais acredita que punir um povo inteiro seja uma decisão que visa meramente influenciar suas escolhas políticas nas eleições vindouras a fim de prejudicar uma ou outra facção. As pessoas estão com a faca entre os dentes, com os olhos cheios de sangue, querendo vingar-se a qualquer custo.

Este incitamento por parte daqueles que foram eleitos exatamente para conduzir o povo com tranqüilidade nestes momentos de tensão fez surtir o efeito esperado: uma explosão popular de ódio. Nas horas que se seguiram, assisti embasbacado aos meus amigos, colegas e conhecidos manifestando-se nas redes sociais.

Os exemplos abaixo não são forjados, não são adaptações de discursos alemães da década de 1930, nem de minisséries sensacionalistas dos canais de televisão do mundo árabe. As frases que reproduzirei, e traduzirei quando necessário, são passíveis de inquérito por racismo em qualquer democracia ocidental, mas foram escritas por pessoas que eu conheço, com as quais já me sentei pra tomar uma cerveja. E nem discutimos sobre política, mas sobre futebol ou cinema.

Clique sobre as imagens para ampliá-las.


Eu vejo todos estes (maus) exemplos e só uma cena me vem à cabeça. Quando o jornal dinamarquês Jyllands-Posten divulgou, em 30 de setembro de 2005, caricaturas do profeta Maomé, o mundo muçulmano sentiu-se ultrajado. Segundo o Islã, qualquer reprodução, honrosa ou vexatória do profeta é proibida. O mundo ocidental, então, horrorizou-se diante da reação muçulmana: embaixadas dinamarquesas em diversos países foram alvo de protestos e ataques. A mim, mais do que o teor da reação propriamente dita, me causou estranheza a incapacidade daquelas hordas de compreenderem que a responsabilidade sobre a publicação das caricaturas, ainda que tenham sido permitidas por um ambiente de liberdade de expressão e plena compreensão de conceitos como ironia e sátira, recai principalmente sobre seus autores e os editores que as autorizaram.

As pessoas que preferem reagir ao assassinato dos rapazes seqüestrados rotulando todo o povo palestino como assassino, terrorista, verme e clamam por sua aniquilação – que aliás é crime de guerra, pois genocídio – sem diferenciar terroristas de trabalhadores e pais de família, podem até considerar-se civilizadas. A verdade é que nada mais fazem do que igualar-se aos idiotas medievais do episódio acima, ou de tantos outros, como o ataque às embaixadas americanas em retaliação à divulgação via YouTube do filme Innocence of Muslims, em setembro de 2012.

No dia seguinte à localização dos corpos do três jovens israelenses, a terça-feira, percebi que, ao contrário do assustadores exemplos de Pe Djora descritos pelo Yair Mau em seu artigo anterior, estas declarações não ficariam limitadas ao campo das idéias. Acordei e fiquei sabendo que a Força Aérea havia bombardeado durante a madrugada mais de trinta alvos do Hamas na Faixa de Gaza, que retaliações haviam ocorrido ao longo da noite e outras eram esperadas ao longo do dia. Precisava estar à tarde em Beer-Sheva, a capital do sul do país e maior cidade dentro do raio de alcance da maioria dos foguetes lançados pelo Hamas. Fui e voltei com medo. Ainda que nada tenha acontecido, o susto maior se deu quando retornei a Jerusalém, no inicio da noite.

Viver em Jerusalém é vivenciar Israel em sua totalidade. É morar a poucos minutos da Cidade Velha e de seu Muro das Lamentações, é sentir o cheiro da chalá sendo assada nas padarias nas horas que precedem o Shabat, é andar pelas ruas que testemunharam a História a caminho da Cinemateca para assistir às pré-estréias dos filmes dos diretores israelenses. Mas é também lidar diariamente com as tensões da sociedade israelense: religiosos contra laicos, ultraortodoxos contra sionistas, judeus contra árabes. Este último embate é quase que uma exclusividade nossa – poucas são as cidades israelenses de população realmente mista.

Todas estas questões somam-se à posição da cidade como capital do país e resultam em uma realidade: Jerusalém é uma cidade de protestos. Quem já morou aqui sabe que é sempre bom estar a par do que ocorre pela cidade a todo instante, a fim de evitar ruas bloqueadas inesperadamente e possíveis atrasos. Com um agravante: lar de uma grande população ultra-ortodoxa que não trabalha, Jerusalém também se dá ao luxo de ter protestos durante o dia, no horário comercial. Aqui não tem apenas “depois do expediente, todo mundo na Rio Branco protestando”, mas também “sai de casa agora e vamos bloquear a entrada da cidade no meio da terça-feira”.

E foi exatamente isso que ocorreu. No exato momento em que, a menos de 40 quilômetros de Jerusalém, as famílias enterravam os corpos dos três rapazes, dezenas de milhares de jovens, em sua maioria extremistas de direita e religiosos-nacionalistas, muitos membros da Juventude das Colinas sobre a qual o João Koatz Miragaya já falou, iniciaram uma manifestação não-autorizada sob a ponte estaiada por onde passa o trilho do bonde, na principal entrada da cidade 1. Quando meu ônibus retornou de Beer-Sheva, a polícia já havia conseguido desobstruir a via, não sem entrar em choque com os manifestantes.

Mas esta não era uma boa notícia.

Frustrados em sua tentativa de praticamente sitiar a capital do país, os jovens manifestantes que clamavam por “vingança” e “basta deste governo de assassinos” iniciaram sua marcha pela Rua Yaffo até a Cidade Velha. Noite dos Cristais foi o termo usando pelos meus amigos, testemunhas do que ocorria no coração da nossa cidade e era o título original deste artigo, mas acabei optando por uma alternativa menos sensacionalista. Para narrar os lamentáveis e assustadores episódios que aqui ocorreram e me tiraram de meu anterior estado de apatia, me limitarei a traduzir quatros atualizações de status compartilhadas por amigos e conhecidos, ao longo da tarde e da noite desta terça-feira.

N.E.“Ayelet Shaked decidiu que é agora. Este é seu momento, esta é sua hora. Hoje ela vai descontar seu cheque. Pais “quebrados”, muita fúria – é preciso aproveitar-se rápido antes que retornem à indiferença comum. Ayelet incitou, e as massas a seguiram.

“Um povo cujos heróis assassinam nossas crianças deve ser tratado no mesmo nível”

Eu sou uma pessoa bastante associativa. A primeira associação que me veio à cabeça foi “A Noite dos Cristais”, um dos progroms se não o maior de todos, que ocorreu porque os nazistas usaram-se no assassinato de um diplomata alemão ao Paris, morto por Herschel Grynszpan, um refugiado judeu.

#éproibidocomparar”

- N.E.

A.B.

“Estava agora mesmo no supermercado Coop da Colina Francesa [N.T.: a Colina Francesa é um bairro de Jerusalém Oriental, localizado próximo ao campus da Universidade Hebraica, onde moram cidadãos árabes e judeus, muitos deles colegas de turma] e, enquanto esperava na fila, ouvi uma conversa entre dois homens judeus:

- Estou triste o dia todo.

- Porquê?

- Você não sabe porquê?

Neste momento, achei que ele fosse falar que estava triste por causa dos três rapazes seqüestrados que foram assassinados. Mas não:

- Porque ainda não matei nenhum árabe hoje.

No supermercado, cheio de funcionários e clientes árabes, ele disse isso em voz alta sem evergonhar-se.

Logo percebi no caixa ao lado uma moça (que parecia ser árabe) olhando-o enfurecida.

Todo este ódio para mim é muito claro… há raiva e fúria para com o outro lado em função do ocorrido, e com razão. E quem me conhece sabe as minhas posições. Mas não podemos justificar exibições de ódio como essa que, além do fato de generalizarem os árabes, não contribuem para melhorar a situação e semeiam ainda mais ódio no outro lado para conosco!”

- A.B., a mesma A.B. do post relatado mais acima.

C.T.“Há quase quatro anos eu trabalho em Jerusalém. Já vi de tudo. O belo e o feio. Sensatez e demência. Mas o que está acontecendo neste momento, em plana Praça Sion, com milhares de kahanistas, em sua maioria rapazes e moças, galopam pela Rua Yaffo em direção à Cidade Velha berrando “Morte aos árabes!” e “Queremos vingança!”, reconheço que esperava não ver no Estado de Israel em meus dias de vida. Espero muito que não aconteça uma pequena noite dos cristais na área do Portão de Damasco mas, pela indiferença da polícia e pela feição concentrada do [ex-deputado da extrema-direita Itamar] Ben Gvir e do [presidente da ONG extremista Lehava] Bentzi Gupshtein, eu realmente não sei o que pensar.

Em volta, as pessoas olham estupefadas, um árabe cochicha no telefone e olha amedrontado para qualquer movimentação, um homem mais velho me diz:

- Espera, em mais uns anos não teremos Estado.

Outras três jovens com adesivos “Kahane estava certo” e bandeiras de Israel cruzam a praça e se juntam à multidão.

Que deus tenha piedade de nós”

- C.T.

C.M.“Estação ‘Yaffo – King George’ do bonde, 23:00. Um grupo de kahanistas cantam empolgados “Morte aos árabes!”. De pé, parada, assisto de lado a esta cena aterradora. Uma moça do grupo me pede um shekel para completar a passagem. Eu me afasto dela. Assim passam-se alguns minutos. Eu vejo que estão tentando articular um alvoroço em frente à casa do primeiro-ministro, então, como boa cidadã que sou, com fé na polícia (pois é) fui sussurrar (pois é) ao pé do ouvido do policial de maior patente que encontrei.

Então, do outro lado da rua, vejo uma moça com hijjab, correndo e abaixando sua cabeça. Pensei em ir atrás dela. Após alguns segundos, o rebanho passa a persegui-la, gritando “Morte aos árabes!”. Sinceramente temi por sua vida, sinceramente achei que fossem linchá-la. Não me contive e comecei a gritar que eram filhos da puta e que eu tinha vergonha deles. Então, até o trem chegar, alguns deles gritaram para mim também, e então temi por minha vida até que chegou um turista espanhol e me perguntou qual o motivo da confusão. Lhe expliquei e fiquei feliz de não estar ali sozinha entre eles.

No momento em que subi no vagão, percebi um garoto árabe sentado sozinho, então me sentei ao seu lado. Talvez porque eu sou uma maníaca esquerdista que se acha melhor que todo mundo (hipótese bastante difundida). Quando o grupo de recistas percebeu o garoto, as portas do vagão já havia se fechado, mas eles atingiam os vidros com golpes mortais e faziam gestos obscenos para o garoto. Ele fez os mesmos gestos de volta, mas sentava-se curvado e eu acredito que também um pouco amedrontado.

Liguei para a polícia. Na minha frente no vagão encontravam-se algumas mulheres religiosas. Expliquei para elas que eu temia pela minha vida e pelas vidas de quem circula pelas ruas de Jerusalém nesta noite dos cristais sem agradar aos kahanistas. Uma das mulheres me ouviu e foi simpática. Enquanto isso, as outras mulheres gritavam “Porque você defende os árabes?” e lhes respondi também aos berros. Senti bastante medo, para falar a verdade, mas aparentemente menos do que o garoto que se sentava ao meu lado. Sorte que de repente o M.S. chegou à cena, sentou-se ao meu lado e continuou o duelo em meu lugar. Ele tentou ser simpático e explicar, à sua maneira inteligente, e em sua ingenuidade perguntou se a vida de um judeu valeria mais que a vida de um árabe. A resposta de algumas pessoas à nossa volta era que a vida do judeu vale mais, sim! No final, até o M. perdeu a paciência após a moça desferir-lhe um golpe [verbal] afirmando que ele estava se lixando para o assassinato de três judeus.

Mudamos de lugar e comecei a balbuciar os versos de “katuv be-iparon bakaron hachatum” [N.T. poesia sobre o Holocausto]. Até que chegamos a Beit HaKarem, não parei de gritar o que gostaria de ter dito em voz baixa, que em toda a minha vida não havia visto tamanho demonstração de ódio. Em toda a minha vida, não havia estado tão próxima a um linchamento.

Não tenho muitas palavras de consolo no momento, ou mesmo palavras de reconciliação.

Apenas queria compartilhar a experiência e a taquicardia que ainda estou sentindo.

E obrigado novamente ao M., por existir.”

- C.M.

A polícia impediu que os extremistas cruzassem a Praça Tzahal, que separa a prefeitura da Cidade Velha, representando a fronteira entre o lado judaico e o lado árabe de Jerusalém. Os manifestantes, então, se dispersaram em pequenos grupos que invadiam estabelecimentos comerciais judaicos à procura de funcionários árabes. Ao avistarem quaisquer pessoas de pele mais escura, perguntavam o horário, para identificar a etnia da potencial vítima pelo sotaque, evitando o “linchamento desnecessário” de judeus orientais.

Policiais tiveram que expulsar extremistas que queriam espancar funcionários árabes dentro da filial do McDonald’s e conter ataques a grupos de cidadãos muçulmanos que se reuniam pelo centro da cidade ao final do dia para a refeição de quebra do jejum diário de seu mês sagrado, o Ramadã.

Enquanto eu finalizava este artigo, já na manhã da quarta-feira, surgiam as notícias do desaparecimento de um jovem árabe. Os bandos responsáveis por toda a baderna da noite anterior eram os principais suspeitos. Engoli a perplexidade, tomei um café e fui à prefeitura resolver umas burocracias do meu IPTU. De volta à minha casa, ligo para a prefeitura novamente (pagamentos não podem ser feitos pessoalmente – não é só o Brasil que padece de burocracite), pago meu IPTU e, ao final da ligação, sem que a atendente perceba que ainda não havia desligado, ouço-a comentando com alguém: “Você viu que acharam o corpo do garoto árabe? Mas quem se importa com ele?”. As investigações indicam que não tratou-se de crime de ódio.

Estas pessoas, senhoras e senhores, estes são os inconseqüentes que se apoderaram da minha causa e me acusam de não ser sionista. Mais do que isso, por não odiar os árabes, nem desejar sua morte, me acusam de ingênuo e traidor da pátria.

Tenho vergonha de pertencer ao mesmo povo que todos estes indivíduos.

Não passarão!

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Respostas a este tópico

Depois que os três moços Judeus foram encontrados assassinados, uma psicoterapeuta Sarah Debbie Gutfreund publicou, no site israeli conservador aish.com, um artigo com a manchete "Tears and Shattered Prayers: An open letter to the boys, may their blood be avenged." Em português: "Lagrimas e Rezas Destroçadas. Uma carta aberta aos moços, seja vingada a sangue deles." Houve comentários aprovantes, e de protesto. Eu, por exemplo, citei o verso de Levitico 19:18 que clara e inequívocamente proíbe qualquer vingança. 

Só depois do assassinato do jovem palestino Mohammad Abu Khdeir, o site tirou as palavras "... seja vingada a sangue deles" do manchete, e até publicou um artigo bem diferente do rabino Coopersmith, com a manchete "Um Assassino Horrível. Vamos esperar que o Mohammad Abu-Kheir, de 16 anos, não foi matado por assassino judeu." O rabino citou um parente da vitima Naftali Frankel, de 16 anos. O tio dele, Yishai Frankel, falou na TV Israeli: "Qualquer ato de vingança, de qualquer jeito, é completamente injustificado e errado. Assassino é assassino. A gente não deveria distinguir entre sangues, seja sangue arabe ou judeu."  (http://www.aish.com/jw/me/A-Horrific-Murder.html)

Precisamos de vozes como essa, enfatizando princípios da ética judaica, para não sentir, como você em vista de tal loucura coletiva, "vergonha de pertencer ao mesmo povo que todos estes indivíduos".  Para não chegar á "esperança" desse cidadão Israeli mais velho que falou a você: "Espera, em mais uns anos não teremos Estado."

 

Independente  de  ser de   Direita  ou  Esquerda , Israel  deve  dar  SIM  uma resposta  dura  , efetiva  , exemplar. s  assassinos  dos  três  meninos  , sejam  de  qualquer  segmento religioso devem pagar  caro. !

Judeus  não devem baixar a cabeça  NUNCA .  o Holocausto  está  aí  de  exemplo quando    agimos  como cordeirinhos..  "OLHOS" por  olho.. "DENTES " por  dente  .  A Reação  de  Israel  e   de  judeus  em qualquer parte  do planeta  deve  ser  sim DESPROPORCIONAL   .Terroristas  só entendem essa  linguagem

Senhor Guazelli,

O mandamento “Olho por olho, dente por dente” (Ex 21:23-25; Lev 24:19-20; Deut 19:21) nunca significou ou justificou vingança, mas foi a base para uma solução justa, quer dizer compensação financeira: O Talmud (Tratado Baba Kamma 8:1) explica: “Quem prejudica o vizinho dele deve a ele cinco coisas: compensação, indenização pessoal pela dor sofrida, custos de tratamento medico, compensação para absencia do trabalho e, caso a vitima sentir vergonha de ser visto com lesão, multa para humiliação.” Essa lei judaica foi muito humana e progressiva comparado com os leis dos povos vizinhos, onde um escravo que teve dado bofetada ao dono dele não foi punido de bofetada, mais de cabeza cortada. 

Porém, no evangelho de Mateo (5:38-42), Jesus contrapõe o mandamento judaico “Olho para olho” á alternativa dele de oferecer a bochecha esquerda quando alguém bateu na direita. E o teólogo cristão William Nicholls chama esse trecho de Mateo “uma das frases mais anti-judáicas ... no Novo Testamento”, porque aqui o Judaismo vingador e implacável é contrastado ao maravilhoso Cristianismo generoso. E o senhor Guazelli não apenas presenta o Judaismo como vingador implacável de dente por dente, mas exige “uma resposta dura ... efetiva e exemplar” e até “desproporcional”!!!            

Não vou falar da generosidade do Cristianismo que por dois milênios não se cansou de tomar vingança cruel nos judeus para a crucifixão de Jesus que foi cometida pelo estado mais cruel e implacável da época, o Imperio Romano. Só quero lembrar duas “respostas duras e desproporcionais” de outro governo de mão dura:

1. Como resposta á morte do planejador-chefe do holocausto Reinhardt Heydrich por uma granada de mão lançada pela resistência checa, no dia 9 de junho de 1942, numa ação “efetiva e exemplar” da Gestapo e SS, a aldeia de Lidice com 503 habitantes foi destruída e massacrada. Dos 98 crianças apenas 13 loiras foram resgatadas para serem germanizadas.         

2. Como “resposta dura, efetiva, exemplar” á morte de 33 soldados do regimento da policia de Bolzano por uma bomba da resistência italiana no dia anterior, no dia 24 de março 1944 o exercito alemão fuzilou 335 civilistas italianos nas cavernas de Fosse Ardeatine no sul de Roma, entre eles 75 reféns judeus. 

 

Somos judeus, orientados em toda a nossa ética nos mandamentos da Torah. Por exemplo:

a) Deuteronomio 32:35: “Minha é a vingança e a recompensa”. Não vossa.

b) Levitico 19:18: “Não procurem vingança nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo.” Porém, se os Arabes são outro povo, podemos vingar-nos neles? Isso seria racismo, claro. E o Talmud (Yoma 82 b) responde a tal calculo de valores diferentes de vidas humanas com a simples questão irônica: “Talvez o sangue dele é mais vermelho?”

c) No Gênesis 18:25, Abraão prevene a deus: “Seja longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?”

 

É justamente isso que Abraão quis impedir no vale de Jordão na epoca que aconteceu em Israel na loucura coletiva da semana passada: Um mòço de 16 anos, um justo, foi assassinado, provavelmente por heróis judeus, de vingança para um crime com que ele não teve nada de ver, a não ser que sendo filho de mãe palestina, mãe que agora é juntada no luto com as três mães judias cujos filhos foram assassinados. E o senhor Guazelli continua defendendo uma “reação desproporcional”. Sim, pode achar exemplos dessa barbaridade de vingança na Biblia também, e muitos (http://www.bibliaon.com/vinganca/)! Porém, se o governo de Israel vai agir de acordo com esse estilo de comportamento archaico, em vez de orientar-se nas 36 vezes nos quais a Torah obriga os judeus a tratarem os não judeus justa e respeituosamente,  a premonição desse Israeli mais idoso bem pode tornar-se real: “Espera, em mais uns anos não teremos Estado.”

Numa carta a Hugo Bergman, Albert Einstein escreveu no dia 19 de junho, 1930: “Apenas cooperação direta com os Arabes pode criar uma vida digna e segura ... O que me leva triste é menos o fato que os judeus não são intelligentes o bastante para entender isso, mas que eles não são bastante justos para quere-lo.” (Shlomo Sand: The Invention of the Land Israel. From Holy Land to Homeland. London 2012, p.255).  

 

 

 

ORA  SR.. Riggenmann  Em que  mundo   o  Sr  vive  ?

Desde  1948   Israel viveu  4  guerras   sem ter provocado nenhuma.

Desde  1948  Israel  sofre  ataques  constantes  de  terroristas    que  usam crianças  como escudo.

Palestinos  são  egípcios ou jordanianos.

Antes  de  1967  ninguém  citava o nome   “  DESSE  POVO “.

 

Yoshua  bem Youssef  , vulgo Jesus ?  Aquele  que nasceu judeus  e   se  tornou apóstata  e  fundou um credo  criador  das  Santas  Fogueiras  Inquisitórias , cujo “combustível principal “  sempre  foram os judeus  ?

 

Sr. Riggenmann   Somos  judeus  sim  . somos  os  frutos e  filhos  do Judaísmo , religião que prega  o  amor, a  compaixão e a misericórdia  mas  em nenhum dos  nossos  livros  sagrados  Talmud  e Torah   está  escrito  que  devemos  ser  cordeirinhos    e  dizer  “ amém”  a quem nos  oprime .

Prezado Senhor Guazelli,

 

Vou responder ás suas objeções na ordem delas.

 

1. O Senhor me perguntou: “Em que mundo o Sr vive?” Por 58 anos eu vivi na região alemã desse mundo. Desde 2011 vivo em Curitiba.

 

2. “Desde 1948 Israel viveu 4 guerras sem ter provocado nenhuma.”

Nas guerras de 1948, 1967 e 1973 Israel certamente teve não apenas o direito, mas o dever de defender-se dos ataques e, no decorrer da defensa, matar soldados inimigos. Sem duvido, até o golpe preventivo em Junho de 1967 foi justificável em vista da ameaça de extermínio do estado.

 

Porém, a situação de julho de 2014 é completamente differente. No seu comentário de 4 de julho, o senhor demandou: "OLHOS" por  olho, "DENTES " por  dente. A Reação  de  Israel e de judeus em qualquer parte do planeta deve ser sim DESPROPORCIONAL”.

Porém, o ditado “Olho por olho” manda nada mais que proporcionalidade da retaliação: Por um olho não mais que (o equivalente financeiro de) um olho. Por enqanto temos dois olhos para ver o resultado da reação desproporcional:

 

Primeiro, assassinos palestinos sequestraram e mataram de três jovens judeus inocentes.

Segundo, jovens judeus mataram de vingança um jovem palestino inocente.

Terço, seguia o ataque á Faixa de Gaza. Resultado até 12 de julho:

640 Foguetes da Hamas lançados sobre Israel; 63 Israelenses feridos.

1.100 Alvos na faixa de gaza atacados por Israel; 121 Palestinos mortos, entre eles pelo menos 22 crianças inocentes.

 

Terroristas só entendem essa linguagem? Infelizmente, essa linguagem de retaliação desproporcional é entendido também no resto não terrorista deste mundo, entendido como elemento carateristico do judaismo.    

Repito o mandamento do nosso pai Abraão em Gênesis 18:25: “Seja longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira.”

O fato que o Hamas continua lançando foguetes de bases instaladas de propósito muito perto a moradias, escolas e creches não é a culpa das crianças. "Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais“ (Deuteronomio 24:16). "Tudo isso aconteceu a Judá por causa dos pecados de Manasseh ... e do sangue dos inocentes que ele derramou” (2 Reis, 24:4).

Aliás: No dia 10 de julho, o jornal judaico Forward (Nova Yorque) relatou que já no primeiro dia depois do sequestro dos três jovens judeus, o governo israelense conhecia dois fatos: Primeiro, os assassinos não foram executadas ás ordens do Hamas, mas por um grupo terrorista independente. Segundo fato: os jovens já foram mortos. Na ultima chamada do celular de uma das vitimas, se ouvia “Eles me sequestraram” (“Hatfu oti”), seguido por gritos “Baixa a cabeza”, depois tiros, dois gemidos, mais tiros, vozes cantando em Arabe. Na mesma tarde, o carro das vitimas foi achado, queimado, com oito buracos de tiros e o DNA dos jovens. “Não houve duvida”, o jornalista J.J. Goldberg concluiu.

 

3. “Desde  1948  Israel sofre ataques constantes de terroristas que usam crianças como escudo.” É verdade que os terroristas colocam as bases de lançamento de foguetes de propósito dentro de áreas densamente habitadas, que é um crime. Recorrendo á historia: Quando na segunda guerra mundial as tropas americanas no avanço deles encontraram resistência de dentro de uma aldeia, sempre reagiram dessa maneira: Retirar as tropas da aldeia e mandar a força aérea a destruir a aldeia. Os ataques de Israel á faixa de Gaza certamente comprovam muito mais consideração respeito ás vidas de inocentes.    

 

4. “Palestinos  são  egípcios ou jordanianos”? Graças aos progressos da genética, hoje sabemos que palestinos e judeus, particularmente judeus sefaraditas, são o mesmo povo e geneticamente bem pertos aos egípcios (devido á historia entre Joséf e Moises), e também aos jordanianos, iraquis, sírios e curdos (devido aos dois exílios). Na grande maioria deles, os Palestinos são descendentes de judeus agricultores que ficaram na roça deles quando muitos outros, depois das derrotas dos anos 70 e 135, emigraram por exemple para a península ibérica. Os que ficaram na terra dos filistim da biblia converteram ao Islão, e muitos deles praticam costumes judaicos até hoje.

 

5. “Yoshua ben Youssef, vulgo Jesus?”  O autor norteamericano Tuvia Tenenbom constatou em 2011 que o nível do antissemitismo na Alemanha é o mesmo como em 1933. No meu ver (eu publiqui dois livros sobre as raízes cristãs do anti-judaismo) o ódio na Alemanha não diminuiu porque as raízes cristãs do preconceito ainda ficam ignoradas de proposito. Por isso, quero comentar sobre Jesus, que na opinião do senhor Guazelli foi “apostata e fundou um credo criador das Santas Fogueiras”.

Os pesquisadores de hoje consentem na visão que Jesus não foi apostata, mas judeu fiel que nunca desrespeitou os mandamentos da Torah. Até a questão de tratamento medico no sabado ou de pegar espigas de trigo no sabado para comer os grãos (rabino Jesus achou licito) foi parte da discussão dos sábios da época. Jesus foi chamado rabino, titulo reservado exclusivamente para fariseus. Ele nunca pretendia ser o filho de Deus (conceito grego) gerado com uma virgem terrestre (como os cem filhos do Jupiter). Acabou sendo um dos 6000 rebeldes judeus que o procurador Romano Pilato, durante os dez anos de governo dele em Jerusalem, mandou a serem crucificados.

Quem distorceu o Jesus primeiro como “filho de Deus” sacrificado pelo próprio pai foi o judeu grego Paulo. Quem transferiu a culpa pela crucificação dos Romanos aos Judeus foram os evangelhistas. E desde as cruzadas até os campos de extermínio e depois, o crucifixo foi a lembrança permanente da alegada crueldade judaica, apta para instigar cada nova geração de Cristãos para vingarem o crime hediondo.  O primeiro ministro de justiça do estado de Israel, o Haim Cohn, nascido em Alemanha, resumou o caso assim:

“Centenas de gerações de judeus, através do mundo cristão, tem sido indiscriminadamente esbulhados por causa de um crime que nem eles, nem seus ancestrais, cometeram. Pior ainda, eles têm sido obrigados há séculos, há milênios, a sofrer toda espécie de tormento, perseguição e degradação pelo papel que se diz terem desempenhado seus ancestrais no julgamento e na crucificação de Jesus, quando, em solena verdade, seus antepassados não tiveram qualquer parte nos mesmos, mas fizeram tudo que possível e humanamente podiam para salvar Jesus, a quem amavam e queriam como um deles, do seu trágico fim nas mãos do opressor romano. Se podemos encontrar um grão que seja de consolo para este perversão de justiça, encontra-se ele nas próprias palavras de Jesus: ‘Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, por que deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus (Mateus 5:10-12; citado por Chaim Cohn em O Julgamento e a Morte de Jesus, Rio de Janeiro 1994, na ultima pagina).         

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