JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

 

               Porque é bom ser questionado.

Caro Paulo, adorei o seu artigo. Tenho um questionamento: o que garante que homens estudando juntos serão menos enlouquecíveis do que estudando sozinhos? O nazismo, por exemplo, não foi um fenômeno individual.
O apoio comunitário incondicional às sandices do governo israelense também não. Ao contrário, encontram-se muitos indivíduos livre-pensadores a esse respeito, mas para quem o coletivo não costuma acrescentar nada, a não ser que haja um objetivo comum.

Então, acho que o que diferencia o estudo do Talmud no sentido civilizatório é a abertura para a discussão e o questionamento, e não a validação pelo coletivo. Talvez o diferencial esteja num certo grau de individualismo e subjetividade que a tradição judaica tenha vindo a admitir. O que você acha disso?  Sérgio Storch

 

                                              !!!!!

Caro Sérgio

Quando tinha uma pagina na Revista de Domingo do falecido JB, ficava feliz toda vez que alguem me escrevia.Isto alimentava o meu desejo de seguir pensando. A presença do leitor invisivel me obrigava a pensar e , de repente, idéias ainda não  formuladas vinham  à tona.Quando comecei a colaborar neste blog pensei que ia ser fácil. Afinal judeus têm fama de gostar de dicutir,mas,é claro,nada disto aconteceu. O que torna esta tua nota um raro esforço de sair do consumo para a produção de contato. Obrigado.

Creio que você tomou um caminho inicial que não corereponde à visão que eu tenho de certas tradições construídas ao longo da civilização judaica onde o que importa  é a presença do outro como limite.Quando penso sózinho vou construindo certezas e nós,os humanos,nascemos dentro de uma experiencia autocentrada e caminhamos lentamente ao longo de nossas vidas em direção à descoberta do mundo fora da nossa mente. Às vêzes este esfôrço dá certo parcialmente. O que é ótimo.Outras vezes fracassa.Talvez o certo fosse dizer que na maior das vezes fracassa.Com isto quero te dizer que não existe nenhuma garantia do que pensamos sobre os seres humanos e,cada situacao deve ser contextualizada. Logo,o fenomeno do Nazismo não serve para questionar o que falei sobre o Talmud.Os nazistas nao estudavam em conjunto como numa ieshiva da Lituania eles só cumpriam ordens.Diferente do judáismo para eles não existia o conceito de HiDUSH,inovação.Poder inovar é um grande antídoto frente ao totalitarismo presente em cada um de nós.É admitir que o texto é aberto ao pensamento dos homens e às divergências. É ter que conviver com o meu companheiro de estudos como alguém que pode ter idéias diferentes das minhas.Em resumo:experimentar a diferença na prática.

A única maneira deste princípio funcionar é ter diante de mim uma outra pessoa que  me questinar sem temores pela sua simples existência fora de minha mente. De fazer perguntas que perturbem a minha certeza. De  colocar em xeque a minha onipotência.Os nazistas meu caro,não pensavam nestas coisas quando queriam substituir o princípio da individualidade pelo princípio do sangue que unifica e anula a capacidade de escolher e decidir. Mas, a tua conclusão final é semelhante à minha quando vemos a importância da diferença individual.

Voltando ao inicio.Se não temos certeza das coisas darem mais ou menos certo, temos que  construír algumas garantias facilitadoras para os nossos diálogos. Uma maneira possível é conhecer as fontes judáicas em sua originalidade . No judaísmo de raíz ainda não influenciado por outras religiões a revelação que faz de alguém um iluminado portador da verdade não exite.Como tentei apontar no artigo “Como não apedrejar uma mulher adútera”, mesmo a palavra atribuida a deus pode ser transformada pela realidade da vida humana. Para isto é preciso não sacralizar o texto e admitir o nobre princípio de que “cada gerção tem os seus intérpretes” Interpretes não encarnam deus e nem consideram o livro um prolongamento do divino.Isto é supertição,mentalidade contra a qual se luta desde o tempo de Moshé Rabeinu. É bom relembrar este principio tanto àqueles nasceram em lares judeus e estudaram em escolas judaicas quanto aos numerosos companheiros que neste blog buscam uma aproximação com as raízes judáicas.

No caso da ameaça de apedrejamento da mulher iraniana, o que falta a estes juízes é a liberdade de interpretar o texto sagrado. Liberdade já praticada séculos atrás pelos mestres talmudistas que leram na Biblia as mesmas passagens que influenciaram a legislação teocrática capaz de condenar uma mulher à morte por adultério. A diferença entre estas duas visões se estabelece a partir da idéias que nenhum de nós escaparia a um teste das 'aguas amargas", santidade e realidade costumam camihas por ruas que não se cruzam.

Grande abraço e muito obrigado novamente.

                                  Paulo Blank

 

 

  

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Shalom,  Sérgio e Paulo.

Quando jovem em certa ocasião fui chamado por um chefe de "O Questionador", fiquei um tanto chateado com o rótulo, entretanto, bem mais tarde vi que para que pudesse chegar aos argumentos de hoje foi necessário um dia alimentar minha necessidade de questionar o que via de errado. Talvez nem tudo estava errado, mas, meu ímpeto jovem da época em certas ocasiões causava desconforto. Acredito que um desconforto semelhante, hoje, sinto quando vejo a pouca participação das pessoas em discussões relevantes que são postadas aqui e acredito que o que falta são as garantias que você menciona, as facilitadoras, que as pessoas esperam quando resolvem fazer parte de um blog como esse. Se fizermos uma enquete perguntando quem é a favor ou contra o racismo, o apedrejamento e outros temas, com certeza teremos as respostas esperadas, mas se na sequência convocarmos as pessoas a participarem efetivamente, já é querer demais!  Mas, continuo esperançoso ! A Marcelinha(14) e o Thiago(9) estão aqui! Me perguntando tudo....

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