JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Depoimento de Eleonora Fonseca Vieira – O cripto judaísmo vivo! Jayme Fucs Bar

Quero apresentar a vocês o incrível depoimento de Eleonora Fonseca Vieira, psicóloga e assistente social que vive entre Recife e Glória de Goitá, em Pernambuco.
Na verdade, conheci a Eleonora por acaso quando estava em Belmonte, dentro dessa realidade difícil em que todos estamos vivendo nesse período da pandemia do coronavírus.
Um amigo local me ofereceu o serviço de divulgação da venda de algumas casas da região. Foi assim que Eleonora chegou a mim.
Para ser sincero, a conversa rapidamente mudou o seu percurso, pois Eleonora me contou um pouco sobre sua viagem e as pesquisas que vem fazendo há muitos anos sobre a sua família no Brasil e em Portugal. Ela logo se interessou em fazer alguns cursos de estudos judaicos comigo, durante os quais acabei ouvindo e aprendendo muito das incríveis histórias de sua família e sobretudo a sua grande dedicação na procura e no retorno às suas raízes judaicas!
Eu não sei o que acontece comigo, mas parece que de uma forma ou de outra sou atraído por essas histórias. Quando elas chegam a mim, me sinto na obrigação de divulgá-las como forma de conscientizar meus leitores a entenderem que esse fenômeno do cripto judaísmo está presente até os dias de hoje e não é só uma história do passado!
Estou ouvindo o depoimento de Eleonora, que me emociona. De repente, ela me envia uma foto de sua mesa de Rosh Hashanah. Não sei explicar, mas isso me traz uma emoção forte, tão forte que me faz lágrimas nos olhos!
A felicidade é grande em ver essa gente regressar ao judaísmo depois de centenas de anos!
Eleonora, saiba que temos muito orgulho de você! Seja muito bem-vinda às suas origens! Seja bem-vinda de volta à casa do povo de Israel!
Eu pergunto: O que te leva a pensar que você tem raízes judaicas?
Ela responda: Nossa origem é inegavelmente judaica sefardita, através dos imigrantes portugueses saídos forçados de sua terra, muitas dessas famílias já haviam sido expulsas de Espanha para Portugal anos antes.
A minha mãe, Zilda Ferreira da Fonseca Lima – seu nome de solteira, Zilda Monteiro Fonseca – seu nome de casada, ou simplesmente Zilda Fonseca, como se apresentava, era pesquisadora, historiadora, membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco e do Centro de História de Pernambuco.
Cresci ouvindo minha mãe dizendo que descendíamos de cristãos-novos e que os mesmos, no passado, tinham dois nomes: o nome de dentro e o nome de fora. Ela nunca se referia a judeus, mas a “cristão-novo”. Dizia que éramos parentes do 1º Rabino das Américas – Isaac Aboab da Fonseca. As histórias de Brites Mendes de Vasconcelos, de Branca Dias e de Jerônima de Almeida eram permanentemente recontadas: a criança que foi entregue a parentes para ser salva da Inquisição; a mulher pioneira que ensinava a outras mulheres e era portadora das tradições e a mulher valente capaz de enfrentar Maurício de Nassau, governador holandês do Nordeste Colonial, para defesa própria e de sua família.
Ela sempre buscava os mais velhos para conversar, saber as histórias do passado, examinar fotografias, documentos, memórias. Ela ia guardando o material recolhido, pesquisando em bibliotecas, em cartórios, não perdia uma oportunidade para ir atrás das origens familiares. Hoje seu acervo encontra-se no IAHGPE.
Quando se aposentou, pôde se entregar inteiramente ao que verdadeiramente gostava – genealogia, história – e dedicou os últimos 25 anos de sua vida a este trabalho.
O que te levou a fazer um levantamento das várias gerações de sua família?
A genealogia era a paixão de minha mãe, sua vida inteira foi dedicada ao estudo de nossa ancestralidade. O pai dela, o médico José Cornélio da Fonseca Lima, já se interessava pelo assunto e também foi membro do IAHGPE. Eu dei prosseguimento meio por acaso para atender a um filho e passei a gostar das pesquisas.
Como descendemos de muitas famílias com nomes históricos no Nordeste, foi de certa forma fácil chegar bem longe nas pesquisas. Hoje meu desafio é conseguir prosseguir na genealogia matrilinear.
E o que te fez procurar toda essa documentação?
O início do trabalho foi todo feito por minha mãe, num tempo onde as pesquisas eram feitas in loco. Amigos historiadores iam a Portugal e ela os contratava para recolherem os documentos que suspeitava existir. Eu mesma fui no ano 2000 a Viana do Castelo em busca de alguns documentos.
Lá fui muito bem recebida e com grande emoção tive em minhas mãos certidões de antepassados do século XVI.
Fui também a Lamego, mas lá a acolhida não foi tão gentil, justamente Lamego onde estão as raízes dos Fonseca, antepassados que nos ligam ao Rabino citado acima. Acredito que a resistência a nossa pesquisa possa estar relacionada a questões financeiras, visto ainda existir uma quinta que pertenceu a nossos antepassados. Lá fui na judiaria e na referida quinta.
Então o início foi assim, por minha mãe, e eu dei prosseguimento por solicitação de um filho que queria cidadania, passei ao estudo e à documentação da genealogia de nossa família, já com a tecnologia a facilitar o trabalho.
Mas a minha pesquisa se iniciou pela família de meu marido, pelo lado de seu pai, com ascendência italiana e portuguesa, por sua mãe éramos primos. Eu desconhecia a lei de descendência sefardita. Ao tomar conhecimento, foquei nesse estudo e até hoje continuo a descobrir a cada dia, um novo judeu ascendente. E por curiosidade, esse filho é o único que não tirou a cidadania.
Que prova você tem de que seus ancestrais eram judeus e judias?
Temos muitos ancestrais processados pela Inquisição na família, desde a sempre famosa Branca Dias, minha 14º avó, sobre quem muito se escreveu, verdades, lendas, mas sempre causando um grande impacto e admiração em todos nós.
Branca Dias é, no século XVI, no Brasil, a primeira mulher portuguesa a praticar «esnoga», a primeira «mestra laica» de meninas e uma das primeiras «senhoras de engenho». Cristã-nova, natural de Viana da Foz do Lima (Portugal). Branca Dias foi sentenciada, em 12 de setembro de 1543, a "abjuração pública, dois anos de cárcere e hábito penitencial, ficando reservada a sua comutação e dispensa".
Seus ossos foram depois enviados a Portugal para serem queimados.
BRITES MENDES DE VASCONCELOS, minha 12º avó, cresci ouvindo sua história, que muito me sensibilizava, pelo fato de ter tido os pais processados, a mãe queimada em Lisboa e ainda criança arrancada de sua terra, tendo que enfrentar uma travessia do Atlântico sozinha, com parentes, também cristãos-novos, os irmãos Brites e Jerônimo de Albuquerque (13º avô), rumo ao desconhecido.
Eu criança me colocava em seu lugar e sentia o medo e a tristeza que a deviam envolver. Ela morreu aos 100 anos, quando ainda caminhava pelo canavial. Após a morte do marido, Arnau de Holanda, tocou os negócios da família. Por Brites, fui certificada pela Comunidade Israelita de Lisboa e recebi de volta a cidadania portuguesa.
Pelos homens:
Arnau de Hollanda (12º avô), marido de Brites Mendes de Vasconcelos, ele judeu, Diogo Fernandes (14º avô), marido de Branca Dias, também judeu, Antonio Simões Colaço (10º avô), nascido em 1620, Montemor-o-Novo, falecido em ano e local desconhecidos, foi um músico português e vinhateiro cristão-novo perseguido e condenado pelo Santo Ofício de Lisboa. Filho do médico Bartolomeu Colaço e de Catarina Simões. Simões Colaço foi preso pelo Santo Ofício de Lisboa em 1666, sendo seu processo o de número 2054, disponível no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Diogo Pires, ou Santo Fidalgo, ou Abraham Shemtov, (15º avô), do grupo de judeus de Barcelos forçados ao batismo, filho de Sol Ouro e casado com Orovida Fidalgo.
Belchior da Rosa (12ºavô), em depoimento disse ser cristão-novo, filho do Doutor Alvaro Nunes medico, sua filha Simoa da Rosa minha 11ª avó casada com o cristão-novo Bento Rodrigues da Costa, filho de Manoel Rodrigues e Maria Simões, cristãos-novos processados pela Inquisição de Lisboa.
Pantaleão Monteiro, o velho (12ºavô). Pantaleão Monteiro seria "cristão-novo”, e fundador do engenho de São Pantaleão, na várzea do Capibaribe. De acordo com Marcos Antônio Filgueira em "Cristãos-Novos na Gênese de algumas famílias do Nordeste", página 33. Dado como "Judeu Marrano" por Charles Ralph Boxer em "Os Holandeses no Brasil".
Domingos Bezerra Felpa Barbuda é o patriarca do ramo Bezerra Monteiro e pai do patriarca do ramo Bezerra de Menezes, apesar de seu poder econômico, foi investigado pelo Santo Oficio, sendo conhecido pelos contemporâneos como o “velho judeu”. Muitos membros de ramos diversos da família Bezerra acabaram condenados à morte pela Santa Inquisição, meu 11º avô.
Domingos Soages Capa – Judeu. Homem do século XVI. O sobrenome de Soago para Soajo foi modificado nas gerações posteriores (9ºavô). É feita referência a ele no livro Senhores de Engenho Judeus, de Alexandre Ribemboim. Foi proprietário do Engenho Aratangil.
Me entristece os jovens apenas se interessarem pela possibilidade de cidadania, sem se sensibilizarem por suas origens.
E o que mais tem na sua família da cultura do criptojudaísmo?
Meu pai ensinava a amar a Deus e respeitar todas as religiões. Minha mãe criticava as "beatas". Minha avó era um pilar na família.
Posso falar um pouco sobre nossa família, alguns hábitos e sobre nossa casa.
Na sala da frente de nossa casa havia um tripé sobre um console com uma bíblia permanentemente aberta nos salmos 90 e 91. Havia no andar superior, no hall dos quartos, um nicho na parede onde velas eram acesas. Durante o período de páscoa jejuns eram feitos durante várias semanas, e também abstinência. Eu e minha irmã não fazíamos jejuns, comíamos frutas e pães. Também nesse período, em especial, era costume visitar todos os idosos da família.
As viúvas desamparadas eram recebidas a cada dia da semana em uma casa da nossa família para o almoço. Assim também os viúvos sem filhos.
Ainda no andar superior, no hall do acendimento das velas, havia uma grande estante de livros com portas de correr. Um lado ficava sempre fechado à chave, eram os livros “proibidos”.
A vida familiar acontecia nos fundos da casa, a parte da frente era reservada a visitas. Minha mãe não gostava de muita amizade com vizinhos, apenas cordialidade, mas sem abrir a nossa casa para estranhos. A convivência era praticamente só com familiares. A mim, criança, só era permitido brincar com primos. Havia proibição de falar com estranhos, beber água e comer em casas que não fossem de parentes próximos.
Usava-se dar esmolas quase todos os dias, mas só até o entardecer, jamais depois dessa hora, jamais negar água, lavar as mãos sempre que vinha da rua ou pegasse em dinheiro, lavar as mãos antes das refeições, lavar os pés antes de dormir.
Dentre hábitos comuns no Nordeste, mantínhamos alguns como:
apenas comer peixes de escamas, (de couro diziam era remoso)
faxinar a casa na sexta feira, sempre da sala da frente para os fundos, trocar roupa de cama e toalhas também na sexta feira;
vasilhas separadas para ferver leite e ferver água; a cozinha tinha duas pias para lavar separadamente copos, pratos e talheres, e mais uma pia fora da cozinha para algumas panelas.
Havia uma grande preocupação com higiene. As camas não podiam ser posicionadas para a porta da rua, as portas dos armários deveriam permanecer sempre fechadas. Qualquer mal-estar necessitava repouso e canja de galinha.
O abate da galinha era um verdadeiro ritual onde se usavam vasilhas brancas e panos brancos. A faca era amolada, verificado o seu fio na unha, a galinha era deitada presa sobre a perna, antes do corte no pescoço era dita uma oração; após o corte três gotas de sangue eram depositadas na areia e cobertas, o resto sangrado era aparado na vasilha branca. O caldeirão já estava no fogão com água a ferver.
A volta do cemitério sempre era traumática, envolta em muito alvoroço para deixar os sapatos e meias fora da casa, ir rápido para o banho levando as roupas para serem lavadas. Diziam que cemitério era “impuro”, local de muitas doenças. O túmulo da nossa família não possui imagens, fotos ou cruzes.
Intrigante era o fato de minha mãe não gostar da cor amarela, que não era usada em nossas roupas. Ela argumentava que amarelo só ficava bem em pessoas morenas. Quando enviuvou minha mãe só se vestiu de preto durante um ano. A família costumava se reunir em certas noites, para ouvir músicas clássicas. Não recordo se teria um dia da semana fixo.
Os casamentos, salvo raras exceções, sempre aconteceram, ao longo dos séculos, com primos; meus avós eram primos legítimos, meus pais eram primos, eu e meu marido éramos primos.
Os Hollandas, Acciolys, Lins, eram considerados um clã por conta da endogamia, assim como a família de meu bisavô Antiógenes Afonso Ferreira: os Affonso Ferreira e os Pires Ferreira, oriundos de Trás os Montes, Portugal, mantiveram sempre a tradição dos casamentos consanguíneos, mas não me detive a pesquisar se haveria origem judaica ou cristã-nova.
Sua família tinha alguma tradição ligada ao culto ou à mística judaica ou amuletos secretos (o que hoje nós sabemos ser algo muito comum no cripto judaísmo)?
Minha avó materna, Julita Lessa Ferreira da Fonseca Lima, que morava em nossa casa, além de administrar a cozinha fazendo o pão, as massas, o pão de ló e sobremesas, rezava bastante, todos os dias ao amanhecer e antes de dormir; todas as manhãs escrevia orações que pregava atrás das portas, outras ela escondia em saquinhos que costurava para levarmos nas bolsas ou presas em nossas roupas.
Era a conselheira de toda a família, sendo muito procurada por sobrinhas e parentes. Todos os dias antes dos afazeres lia o jornal, no meio da manhã tomava banho e se arrumava, sempre usando meias finas, sapatos fechados, blusas de mangas, saias longas. Só usava cores sóbrias, azul marinho, cinza, preto, branco. Depois de certa idade passou a usar um turbante na cabeça e uma estola sobre os ombros.
Minha mãe usava em seu pescoço uma correntinha com a estrela de Davi.
Haviam o que eu supunha superstições, bater na madeira, colocar a mão sobre a cabeça das crianças, abençoando, falar Deus te guarde, Deus te crie, Deus te acompanhe.
Tinham alguma tradição ligado ao ciclo da vida. como nascimento, casamento, morte?
Com relação ao ciclo da vida não me recordo de nada além do fato do sepultamento ser em terra virgem e os túmulos não terem cruzes, imagens, fotos; de se guardarem luto por bastante tempo. Inclusive minha mãe se aborreceu comigo porque não usei luto fechado quando da morte de meu pai.
Eu estava grávida e não me sentia bem usando preto. As casas ficavam silenciosas, meio em penumbra, por algum tempo. As mulheres guardavam resguardo por 40 dias quando do nascimento de crianças. Com relação a casamentos não identifico algo peculiar.
Você veio de uma família muito tradicional do interior de Pernambuco, como você conseguiu guardar esses costumes diferente de seus outros familiares, irmãos, tios, primos etc...?
Nossa família é tradicional, mas não é do interior, sempre se manteve na capital, os antigos eram proprietários de muitas terras, de muitos engenhos. O avô de minha mãe foi deputado federal residindo, portanto, por 12 anos no Rio de Janeiro, lugar onde minha mãe criou vínculos, e onde ela morou por 20 anos, onde eu nasci.
Acredito que outros parentes também mantivessem alguns costumes, mas aqui em Pernambuco muitos costumes são de uso comum, houve muita assimilação, então usos e costumes anteriormente de origem judaica se tornaram corriqueiros.
Como em sua família, sendo tradicional se relacionava com os cultos da igreja, que era um forte costume das famílias do interior?
Não tínhamos vínculo com a Igreja Católica. Muitos antepassados contribuíam financeiramente, alguns frequentavam a missa aos domingos, mas a maioria não era religiosa. Se limitava ao “social”, batizados, casamentos. Nos engenhos havia capelas para os empregados. No terreno das capelas eram feitos os sepultamentos dos familiares, o que muito dificultou minhas pesquisas e de minha mãe, pela falta das lápides, retiradas pelos novos proprietários. Nas famílias que sepultavam seus familiares dentro das capelas, houve alguma preservação.
Como você vive o seu judaísmo hoje?
Vivi durante anos uma sensação de não pertinência, de inadequação ao meio, que vem sendo abandonada quando permito que a memória ancestral me envolva. Não falo hebraico, em nossa família não éramos judeus, mas cristãos de aparência. Tínhamos alguns costumes, éramos um pouco diferentes dos vizinhos.
Já há alguns anos eu e meu falecido marido Alfredo Pinto Vieira Neto, guardávamos o shabat, ele durante anos me provocava falando mal de judeus, eu sempre tive uma empatia muito grande, me emocionava com filmes, histórias, e ele me provocava, embora sua mãe fosse prima de meu pai, logo descendente de sefarditas.
Quando ele adoeceu, ele teve câncer de medula, encontrou um livro de meditação judaica que o levou a reformular seus conceitos e sua forma de vida. Iniciou uma pequena biblioteca com livros sobre o judaísmo, a cabala, o sidur, a Bíblia Judaica, então, individualmente líamos, tínhamos nossos próprios estudos.
Ele faleceu em 2017, quando abandonei o shabat, só retornando em dezembro de 2019, sem continuidade. De uns dois meses para cá venho celebrando com regularidade.
Eu sempre me regi pelo calendário lunar, mas é algo meu, não foi passado pelos meus familiares, e sempre tive uma ligação muito forte com a natureza, observando e respeitando o seu ritmo. Eu fiz parte de alguns grupos ligados ao paganismo, ao panteísmo, de dança circular onde dançávamos várias músicas tradicionais judaicas.
Sempre me interessei pela cabala, que se apresentava um estudo difícil, mas que me atrai. Uso para meditação um pequeno livro, Os Arcanos maiores do tarot e a cabala. Posso me definir como uma pessoa mística, com grande religiosidade, mas sem religião formal.
O judaísmo é onde encontro as minhas origens, onde me torno inteira, onde encontrei respostas a alguns sentimentos.
Hoje busco me reconectar à minha origem. Ela se perdeu no medo, na negação de quem somos; não aparece mais nos frutos que se perpetuaram, mas está intacta na semente, quem sabe também nas raízes, a nos lembrar quem somos e de onde viemos.
Ter consciência de que, de alguma forma, por intermédio de nossos antepassados, podemos viver cada um desses momentos... Saber que choramos cada lágrima, que sentimos medo, frio e fome, mas que a fé jamais nos abandonou...
Cada um dos nossos ancestrais aqui está presente em nossas células. E sons, cheiros, cores, sabores, nos surpreendem num mar de lembranças guardadas em nossos ossos, em nosso sangue, em nossa carne.
Assim meus pais passaram, caminhe reto, que chegará a Deus, não há necessidade de templo.
Muitíssimo obrigado, Eleonora, por seu valioso depoimento!

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Obrigado Jayme. Muito interessante depoimento, da Sra Eleonora Fonseca, de Recife.

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