JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Diário de Guerra 8 - Ou Nós Ou Eles – Jayme Fucs Bar

Diário de Guerra 8 - Ou Nós Ou Eles – Jayme Fucs Bar


Como compreender o fenômeno do ódio, profundamente enraizado, aos judeus?


Quem é judeu ou judia sabe que é difícil não ter passado por uma situação de antissemitismo em sua vida, pois ele está enraizado em todos os setores da nossa sociedade. Este é um fenômeno muito antigo, que se manifesta sempre em proporções diferentes, em função das situações do nosso cotidiano.


O Rabino, médico e filósofo, Rambam escreveu na ‘Epístola do Iêmen’, durante a Idade Média, que o antissemitismo é como uma doença do ciúme, pelo fato de Deus ter dado a Torá ao povo de Israel. Para Rambam, o ciúme é uma epidemia crônica que causa o ódio. Do ódio vem o preconceito, a vingança, que se transforma no extermínio.

Milhões de seres humanos sofrem a "epidemia do ciúme" contra os judeus e, em certas ocasiões, como nesta guerra de Israel contra a Hamas-Estado Islâmico, dá a oportunidade dessas pessoas colocarem suas caras para fora, podendo manifestar o seu grande ódio aos judeus. Assim podemos ver a dimensão dessa epidemia que se chama antissemitismo.

O ódio aos judeus sempre foi um bom remédio para amenizar e simplificar o sentimento das angústias, dentro da complexa realidade que vivem certos seres humanos. A História precisa sempre criar a figura imaginária do Judeu. Ela é essencial para explicar todo o mal que acontece na sociedade!

A figura do judeu imaginário se apresenta sempre de formas diferentes como: o rico explorador que domina o capital do mundo, o idealizador do Capitalista, o inventor do Comunista, o que domina poder da maçonaria, o anticristo, o que matou Deus, o Imperialista, o colonialista, o que tem pacto com o demônio etc.

Se vocês me perguntarem se tenho uma resposta clara para esse fenômeno do ódio aos judeus e judias, somente uma coisa eu tenho certeza: Isso está totalmente integrado na educação que temos desde criança e o que recebemos em casa. Isto sim vai modelar o que seremos como adultos!

Ninguém nasce antissemita, racista, xenófobo etc.. Acredito que esses valores são adquiridos em casa, na escola, nas instituições religiosas e nos centros cívicos etc.

Escrevendo essas linhas, me lembrei de um episódio que aconteceu comigo, há alguns anos, numa pequena aldeia de Portugal – em Belmonte. Era Sábado à noite e eu estava com o Cláudio, um Italiano que viveu em Israel por muitos anos e o reencontrei depois de 45 anos em Belmonte. Nos conhecemos em 1978 no Kibbutz Keren Shalom, na faixa de Gaza. Este foi um dos Kibbutzim que foram invadidos pelos terroristas do Hamas, no dia 07 de outubro.

Depois de ter tomado uns copos de vinho, nos sentamos na porta da casa do Cláudio que fica no coração da aldeia. Cláudio pegou o seu acordeão e começamos a cantar músicas em hebraico. A música chamou a atenção de 2 crianças, uma menina de 9 e seu irmão de 7 anos.

A menina nos perguntou: "Que música é essa? " Eu respondi: " música em Hebraico"

Pela reação dela, entendi que ela não compreendeu minha resposta, pois nunca tinha escutado a palavra "Hebraico”. E para ajudar a compreensão disse: "Música dos judeus".

Aí ela fez uma cara feia e disse:" Aqueles que mataram Deus". Na hora pulei, pela surpresa que me causou, pois na minha frente estavam somente 2 crianças, com toda a sua pureza e ingenuidade! Perguntei: " Quem te falou que os judeus mataram Deus". Ela me respondeu: "Meu pai e minha mãe". Não sei como expressar a tristeza que veio em meu coração, mas para amenizar essa difícil situação falei para eles: " Eu e o Cláudio somos Judeus. Vocês acham que nós matamos Deus? Ela com toda a segurança disse: "Claro que não!"

De fato, o antissemitismo está presente por todos os lados, como uma vez me confessou um grande amigo não judeu quando veio me visitar a Israel: "Jayminho, fui criado num ambiente muito hostil aos judeus. Levou anos para eu me libertar desse preconceito, que era parte integral de minha cultura e de meus valores!"

Meu Pai Nilo Barboza, um judeu converso casado com uma judia, e com 3 filhos judeus, viveu muito essas situações, pois o seu nome camuflava a sua verdadeira origem no seu meio social e de trabalho. Ele me dizia que ouvia barbaridades sobre os judeus e que sempre se manifestava e respondia entrando em severas discussões. Ouvia muito o discurso do ódio que dizia que Hitler deveria ter exterminado todos os judeus! Meu pai, numa dessas ocasiões, fez o merecido. Deu um soco na cara de um oficial da marinha e quase foi preso. Perdeu o emprego por isso.

Nesse momento, aqui em Israel estamos numa guerra na luta por nossa existência física, pois se Israel perder a guerra todos nós aqui seremos exterminados brutalmente!

ENTENDAM! Eu sei que muitos estão lacrados dentro de seus conceitos, mas façam um esforço e procurem entender.  O que vocês estão vendo não é uma guerra pela libertação da Palestina! Essa guerra que o Hamas- Estado islâmico trava é contra Israel, é para o extermínio de 7 milhões de judeus e judias que vivem nesse território!

A realidade aqui é muito clara, sentimos que o apocalipse pode chegar a cada um de nós! Não um apocalipse como o fim do mundo, mas sim o apocalipse da nossa existência!

Os terroristas do Hamas entraram nas comunidades e exterminaram a sangue frio famílias inteiras, violaram mulheres e meninas, queimaram e decapitaram bebês e crianças, mataram sem piedade pelo simples fato de serem judeus e Judias!

O que vimos em 7 de outubro de 2023 nada mais é que uma amostra do que esses assassinos sanguinários e antissemitas são capazes. Se tiverem a oportunidade de vencer essa guerra, esse será o nosso fim!

Para isso, a única forma de responder a essa realidade é lutar com todos os recursos e com tudo que o temos em nossas mãos, para garantir a nossa sobrevivência física e proteger as nossas famílias.

Gostem ou não! Estamos numa verdadeira encruzilhada de vida ou morte, onde não existe uma escolha nessas ocasiões da História! Ou Nós Ou Eles!  

 

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Comentário de Konrad Yona Riggenmann em 29 outubro 2023 às 10:31

A menina de Belmonte me lembra da resposta da menina Sarah, num parquinho de uma cidade alemã, nos anos 1920, para seu amigo Fritz.

“Minha mamãe disse que não posso brincar com você, Sarah.

“Por que não, Fritzi?”

“Mamãe diz que vocês judeus mataram o bom Jesus.”

Sarah deixa cair a forma de bolo cheia de areia e corre pra casa, indignada. Voltando dez minutos mais tarde, declara:

“Olha, Fritzi. Eu não o fiz, mamãe não o fez também, nem papai nem minha tiazinha Betty. Com certeza, quem fez é a família Goldberg do segundo andar.”

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