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Bíblia, Buda e Nova Era: a ''fé mix'' está de moda

Bíblia, Buda e Nova Era: a ''fé mix'' está de moda

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal Il Giornale, 14-12-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sincretismo e fé "faça-você-mesmo". Enquanto em Roma se conclui o grande encontro organizado pelo cardeal Camillo Ruini com prelados e homens de cultura que se interrogam sobre a presença de Deus na sociedade contemporânea, dos Estados Unidos surge uma pesquisa, publicada neste domingo na primeira página do jornal USA Today, que apresenta os cidadãos norte-americanos atentos aos problemas do espírito, mas com uma crescente desenvoltura para passar das igrejas aos templos budistas, da paixão pela cabala judaica à atração pelas crenças ancestrais, do catecismo católico à reencarnação.


Segundo a pesquisa, realizada pelo Pew Forum on Religion & Public Life, 65% dos adultos norte-americanos, incluindo protestantes e católicos, adotam elementos das religiões orientais e da Nova Era. O sincretismo parece, portanto, em crescimento do outro lado do Atlântico, e 35% dos norte-americanos que participa das celebrações dominicais admite ter mudado mais de uma vez de igreja, não apenas no sentido de paróquia, mas saltando de uma confissão a outra e até de uma religião a outra.

Entre as curiosidades que aparecem na pesquisa está o dado sobre quantos norte-americanos acreditam que as estrelas e nos planetas podem influenciar na vida das pessoas (25% da população e 23% dos cristãos) e que estão convencidos de que os indivíduos podem renascer reencarnando-se mais de uma vez (24% da população e 22% dos cristãos).

Enquanto isso, 16% dos norte-americanos (e 17% dos cristãos) acreditam que pessoas com "o olhar diabólico" podem lançar malefícios e prejudicar as pessoas. Entre 47% e 59% dos norte-americanos teriam mudado de religião ao menos uma vez.

A questão do sincretismo e do supermercado das fés está muito no coração de Bento XVI, que, desde o início do seu pontificado, durante a Jornada Mundial da Juventude de Colônia, na Alemanha, disse que "junto com o esquecimento de Deus existe um 'boom' do religioso". Ele fala de uma religião que "não raramente torna-se quase um produto de consumo. Escolhe-se o que se gosta, e alguns sabem até como tirar proveito disso. Mas a religião buscada à maneira do 'faça-você-mesmo' no fim não nos ajuda".

Os dados da pesquisa norte-americana correspondem à realidade? E qual é a situação em um país tradicionalmente católico como a Itália? O Il Giornale dirigiu a pergunta a Massimo Introvigne, diretor do Cesnur, o centro de estudo sobre novas religiões. "Eu também recebi os dados da pesquisa e gostaria de dizer que há alguma perplexidade não tanto sobre os resultados, mas sim sobre a sua novidade: desde o pós-guerra a religiosidade dos EUA é descrita desse modo".

Quanto ao sincretismo italiano, Introvigne observa que, enquanto "cai o número dos italianos que acreditam na reencarnação – eram 15% há alguns anos, hoje são só 10% - cresce notavelmente por exemplo o percentual, também entre os católicos, daqueles que se dizem certos de que Jesus era casado. É o efeito 'Código da Vinci'".

Na Itália, mais do que a Nova Era, Introvigne vê o triunfo da "Antiga Era", isto é, da crença na magia, nos ritos dos feiticeiros, que obtém o consenso de 30% dos italianos e de 10% dos italianos que vão à missa. Um dado significativo que surge de uma recente e aprofundada pesquisa do Cesnur que durou um ano, referente aos fiéis católicos praticantes, que oscilam entre 18% e 20% da população. "Estão em diminuição, mas cresce a qualidade da sua participação nos sacramentos. Enfim, são uma minoria, mas com convicções enraizadas".

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