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Cenários de guerra entre Israel e Irã em um dossiê secreto - Fabio Scuto, publicada no jornal La Repubblica

Cenários de guerra entre Israel e Irã em um dossiê secreto
Fabio Scuto, publicada no jornal La Repubblica


É uma noite fria da primavera de 2011. Em Jerusalém, o conselheiro para a segurança nacional israelense, Uzi Arad, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, estão no telefone com as suas contrapartes de Washington: o general James Jones e o chefe do Pentágono, Robert Gates.

Estão lhes informando que o seu primeiro ministro Benjamin Netanyahu recém ordenou que diversos esquadrões de caças F-15 e F-16 e outros jatos da Força Aérea israelense voem rumo ao leste, para o Irã – talvez atravessando os céus da Arábia Saudita, talvez passando pelo espaço aéreo iraquiano, mesmo que cheio de aviões norte-americanos – para destruir as centrais nucleares iranianas.

Esse é o cenário que o Atlantic Monthly, a revista norte-americana editada em Boston, sempre bem informada sobre o Oriente Médio, descreve na sua manchete de capa de setembro, cujas antecipações foram retomadas pela imprensa israelense.

A reportagem é de Fabio Scuto, publicada no jornal La Repubblica, 14-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Baseado em dezenas de entrevistas com expoentes políticos israelenses e utilizando fontes militares "cobertas", a The Atlantic descreve que Israel poderia atacar dentro de um ano se o Irã não colaborasse com a Aiea [Agência Internacional de Energia Atómica] e revelasse as verdadeiras intenções do seu programa nuclear, mas principalmente se o governo Barack Obama não conseguisse convencer a atual liderança israelense de que os Estados Unidos estão prontos para parar o Irã também com a força, se necessário.

As probabilidades de um ataque preventivo israelense já superaram os 50%, e Israel poderia também não pedir a famosa "luz verde" aos EUA, ou até dar alguns alarmes falsos pré-ataque, de modo a impedir que Washington busque bloquear a operação.

Os ataques de caças com a estrela de Davi poderiam incluir o bombardeio das instalações nucleares de Natanz, Qom, Isfahan e talvez também do reator russo que entrará em funcionamento no próximo dia 21 de agosto em Bushehr.

O que é certo é que as repercussões desses ataques são menos claras, apesar das infinitas discussões e simulações diversas. Entre os estrategistas norte-americanos e a inteligência dos EUA, não há uma visão comum. Muitos consideram que os bombardeios poderiam só retardar em alguns anos o programa nuclear dos aiatolás iranianos. Opinião manifestada ao La Repubblica também por especialistas como o professor Ely Karmon, diretor do departamento de contraterrorismo da Universidade de Herzilya e um dos maiores especialistas em Irã de Israel. Mas nos ambientes militares, as previsões são muito mais otimistas, especialmente à luz dos precedentes ocorridos nas operações contra os reatores iraquianos e sírios.

Em todo o caso, os EUA não se deixariam encontrar com os flancos descobertos. Os planos de um eventual ataque norte-americano ao Irã estão prontos – como explicou o almirante Mike Mullen, chefe do Estado maior da Defesa norte-americana – justamente para dar à Casa Branca uma ampla vantagem de opções se a pressão diplomática e as sanções não conseguissem dar um resultado dentro dos tempos estabelecidos. Em abril, os EUA transferiram para a base aérea na ilha de Diego Garcia, no Pacífico, 387 bombas de alto potencial, e até o fim de junho 12 navios de guerra, liderados pelo porta-aviões Harry Truman – normalmente estacionado no Mediterrâneo –, atravessaram o canal de Suez e agora cruzam ao longo de Omã. Subiram para três esquadras navais de ataque operativas na área do Golfo Pérsico, completando assim o dispositivo para eventuais bombardeios em usinas nucleares iranianas.

Mas os resultados dos ataques em centrais nucleares poderiam ser desastrosos. É provável que os caças israelenses não terão muito tempo a perder nos céus do Irã. O Hezbollah libanês – fiel aliado do Teerã – não ficarão olhando, e ocorrerão retaliações. Os F-15 serão necessários ali, no fronte norte de Israel. Se a operação fosse unilateral, poderia jogar as relações entre Jerusalém e Washington em uma crise sem precedentes, mas principalmente desencadear uma guerra regional de grande escala, com repercussões econômicas para o mundo inteiro, sem falar no custo de vidas humanas.

Não há um dia sem que os aiatolás iranianos anunciem o funcionamento de novos armamentos: as baterias de mísseis antimísseis S – 300 deles roubados da Bielorrússia, a entrega à marinha de quatro minis –, submarinos que vão se unir aos 11 já ativos, a modernização dos três submarinos de classe Kilo comprados anos atrás da Rússia, a próxima entrega de lanchas – as velocíssimas Bladerunner 51 – armadas com lança-mísseis. Um modo para anunciar que o Irã, em caso de ataque, está pronto não só para retaliações graves contra países individuais, mas também em condições de bloquear por meses o estreito de Hormuz, por onde passam 40% do petróleo destinado ao Ocidente.

O problema é representado pelo calendário. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse na semana passada ao New Yok Times: "O problema não é quando nem como (atacar), mas se é preciso fazê-lo. Neste momento, pensamos que o que estamos fazendo tem o melhor potencial para modificar o comportamento iraniano". Revelando assim todas as cautelas norte-americanas com relação aos desenvolvimentos dessa crise.

Certamente, o tempo corre depressa, e o prazo do dia 31 de dezembro – dado por Obama ao Irã para esclarecer as suas verdadeiras intenções e colaborar sem truques com a Aiea – se aproxima rapidamente, mas o Teerã, com a sua tática procrastinadora, poderia seguir em frente por meses. Pelo contrário, para o primeiro-ministro Netanyahu, "a linha vermelha" será cruzada no dia 31 de dezembro, convencido de que a energia nuclear iraniana é uma ameaça tão grave para Israel quanto o Holocausto. Netanyahu também está convicto de que a Bomba irá reforçar o Irã em escala regional com relação aos outros países da região, irá colocar em risco a sobrevivência do seu país e tornará os outros países árabes (isto é, a Síria) relutantes a uma possível paz com Israel.

Duas sérias simulações de ataques já foram testadas: a última, em abril passado, quando os caças israelenses em formação de ataque partiram das bases do deserto de Negev, chegaram até o estreito de Gibraltar e retornaram: é a mesma distância que separa Israel do Irã.

Nos céus, nas águas do Golfo e em terra, tudo parece pronto para que a opção militar, se escolhida, possa ser ativada rapidamente. Em Jerusalém, as "hesitações" norte-americanas com relação ao Irã são vistas com um fio de amarga ironia.

Não é por acaso que as camisetas mais vendidas neste verão em Israel apresentem um caça F-16 em voo com a escrita em inglês que diz: "America Don't Worry, Israel is behind You".

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