JUDAISMO HUMANISTA

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Israel e a calúnia do apartheid TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK para o Estadao.com.br

Acusação de que o país impõe aos árabes-israelenses e aos palestinos uma separação similar à vivida na África do Sul é injusta e mentirosa e busca retardar as negociações de paz

A solicitação apresentada pela Autoridade Palestina para tornar-se membro pleno da ONU põe em xeque a esperança de uma solução de dois Estados. A necessidade de reconciliação entre israelenses e palestinos nunca foi tão grande. Portanto, é importante separar as críticas legítimas a Israel aos ataques cuja finalidade é isolá-lo, demonizá-lo e despi-lo de sua legitimidade.


Segundo um boato particularmente pernicioso e persistente que surge mais uma vez, Israel adota políticas típicas do apartheid. No sábado, uma organização não governamental de Londres, que se intitula "Tribunal Russell sobre a Palestina", realizará na Cidade do Cabo uma "audiência" para decidir se Israel é "culpado" pelo crime de apartheid. Na verdade não se trata de um "tribunal". A "prova" será unilateral e os membros do "júri" são críticos cujas posições intransigentes em relação a Israel são notórias.

Embora o termo "apartheid" tenha um significado mais amplo, em geral lembra a situação vivida na África do Sul antes de 1994. Trata-se de uma calúnia injusta e mentirosa contra Israel, que busca retardar, em lugar de acelerar, as negociações de paz.

Conheço perfeitamente a crueldade do nefando sistema do apartheid da África do Sul, no qual os seres humanos caracterizados como negros não tinham direito ao voto, nem podiam exercer cargos políticos, nem usar toaletes ou praias destinadas aos "brancos", casar com brancos, morar em áreas reservadas aos brancos ou mesmo circular por essas áreas sem um "passe". Os negros gravemente feridos em acidentes de automóveis eram deixados sangrando até a morte se não houvesse uma ambulância para "negros" para levá-los a um hospital só para "negros". Os hospitais de "brancos" eram proibidos de salvar sua vida.

Ao analisarmos a acusação de que Israel adota políticas típicas do "apartheid", que por definição dizem respeito principalmente a raça ou etnia, será importante, em primeiro lugar, distinguir a situação em Israel, em que os árabes são cidadãos, e nas áreas da Cisjordânia que continuam sob o controle israelense na falta de um acordo de paz.

Em Israel, não existe apartheid. Lá nada se aproxima à definição de apartheid contida no Estatuto de Roma de 1998: "Atos desumanos... cometidos no contexto de um regime institucionalizado de opressão e dominação sistemáticos por um grupo racial contra qualquer outro grupo racial ou grupos e cometidos com a intenção de preservar aquele regime".

Os árabes-israelenses - 20% da população de Israel - votam, têm partidos políticos, representantes na Knesset (Parlamento) e ocupam posições de prestígio, até mesmo em sua Corte Suprema. Os pacientes árabes ocupam leitos ao lado de pacientes israelenses nos hospitais de Israel e recebem idêntico tratamento.

Evidentemente, existe uma separação de fato entre as populações israelense e árabe que os israelenses não deveriam aceitar. Em grande parte, tal situação é decidida pelas próprias comunidades. E dela decorre às vezes certa discriminação. Mas não se trata de apartheid, que adota conscientemente a separação como um ideal. Em Israel, a igualdade de direitos é a lei, a aspiração e o ideal; as iniquidades são frequentemente contestadas nos tribunais.

A situação da Cisjordânia é mais complexa. Mas aqui também não existe a intenção de manter "um regime institucionalizado de opressão e dominação sistemática de um grupo racial". Tal distinção é crucial, embora aqui Israel use a opressão em relação aos palestinos. A separação racial forçada da África do Sul buscava beneficiar permanentemente a minoria branca, em detrimento das outras raças. Mas Israel aceitou teoricamente a existência de um Estado palestino em Gaza e em quase toda a Cisjordânia, e insta os palestinos a negociar os parâmetros a ser adotados.

Analogia. Mas enquanto não existir uma paz com dois Estados, ou pelo menos enquanto os cidadãos de Israel permanecerem sob a ameaça de ataques da Cisjordânia e de Gaza, Israel usará barricadas e as medidas que considerar necessárias para sua defesa, mesmo que os palestinos se sintam oprimidos. Na atual situação, aos ataques de uma das partes, a outra parte revida com contra-ataques. E as profundas disputas, reivindicações e contrarreivindicações só se agravarão quando for invocada a analogia ofensiva do "apartheid".

Os que querem promover o mito do apartheid israelense muitas vezes enfatizam os confrontos em que os soldados de Israel agem fortemente armados e os palestinos atiram pedras na Cisjordânia, ou a construção do que chamam de "muro do apartheid", e um tratamento diferenciado nas estradas da Cisjordânia. Embora tais imagens aparentemente sugiram uma comparação superficial, é desonesto usá-las para distorcer a realidade.

A barreira de segurança foi construída para deter os incessantes ataques terroristas; embora tenha causado enormes dificuldades em alguns lugares, a Suprema Corte israelense ordenou ao governo em muitos casos que seu traçado seja modificado a fim de reduzir ao máximo dificuldades irracionais. As restrições impostas nas estradas agravam-se depois de ataques violentos e melhoram quando a ameaça se reduz.

Evidentemente, o povo palestino tem aspirações nacionais e direitos humanos que todos devem respeitar. Mas a atitude dos que confundem as situações em Israel e na Cisjordânia e as comparam à antiga África do Sul não ajuda em nada os que alimentam esperanças de justiça e paz.

As relações entre judeus e árabes em Israel e na Cisjordânia não podem ser simplificadas invocando apenas uma suposta discriminação por parte dos judeus. Existe hostilidade e desconfiança de ambas as partes.

Israel encontra-se em estado de beligerância com muitos de seus vizinhos que se recusam a aceitar sua existência. Até mesmo alguns árabes-israelenses, por serem cidadãos de Israel, às vezes tornam-se alvo de suspeitas por parte de outros árabes em consequência dessa longa inimizade.

O reconhecimento mútuo e a proteção da dignidade humana de todas as pessoas são indispensáveis para pôr fim ao ódio e à ira. A acusação de que Israel é um país do apartheid é falsa e maliciosa e impede, em vez de promover, a paz e a harmonia. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
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Comentário de Vitor Aloisio em 9 junho 2012 às 10:58

Apartheid e diferente dessa complexa situação de Israel e Estado Palestino.

Comentário de maila fagioli em 11 novembro 2011 às 8:47

Incompreensível e sem argumentos lógicos esta acusação, além apartheid não ser nada inteligente,  seria o mesmo que atirar no próprio pé!!!  Cômico se não fosse trágico, não!!?

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