JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

O que foi observado no estudo realizado é que o povo judeu, após a experiência da libertação da escravidão no Egito, passou a viver tanto na presença como da proteção do Eterno, Bendito Seja, que os protegia de todas as aflições, pois em todas as ocasiões em que ele se encontrava subjugado por outros povos, o Eterno os libertou como aconteceu no Egito através de Moshê. Assim, devido à experiência da libertação, sempre que os judeus eram dominados por outros povos, eles, através de profetas, esperavam um libertador para realizar o mesmo que Moshê, pois, segundo a Torá, o Eterno promete fazer surgir do meio do povo judeu, profetas como ele:

“ O Senhor, teu Deus, te suscitará dentre os teus irmãos um profeta como eu: é a ele que devereis ouvir.” (Deuteronômio 18,15)


Mas esta promessa não se refere a um profeta em específico, mas a todos os profetas judeus que serão enviados pelo Eterno e que falarão em nome dele. Apesar disto, os apologistas cristãos atribuíram falsamente a passagem de Deuteronômio 18,15 a Iehoshua de Nazaré. Assim, segundo o Judaísmo, para estabelecer e governar o seu reino na terra, o Eterno se encarregará de enviar um representante, cuja unção o fará um vassalo seu, e ele será mashiach, que, em hebraico significa ungido. Foi o Profeta Natã, que, ao prometer ao rei Davi a permanência da sua dinastia (II Samuel 7,1-17), apresentou a primeira expressão deste messianismo, que também é encontrado em alguns salmos. Entretanto, os fracassos e a má conduta da maioria dos sucessores de Davi pareciam pôr em dúvida este messianismo, mas mesmo assim, a esperança concentrou-se na linhagem deste rei particular, cuja vinda passou a ser esperada, para um futuro próximo ou longínquo, pelos profetas, sobretudo Isaías, Miquéias e Jeremias. De fato, em cada geração o Eterno sempre suscitou um mashiach para salvar o povo judeu. Segundo o Tanach, o mashiach deverá ser sempre da estirpe de Davi, como relatado em Isaías 11,1-16; Jeremias 23,1-6 e 33,1-17 e Miquéias 5,1-7. Ele receberá os títulos mais magníficos, como relatado em Isaías 9,5, e o Espírito do Eterno repousará sobre ele com todo os seus dons, como relatado em Isaías 11,1-5. Um dos mashiach enviado pelo Eterno, segundo o Profeta Isaías, foi o Emmanuel, que em hebraico significa Deus Conosco, como relatado em Isaías 7,14. Para o Profeta Jeremias ele será Adonai Tsidkênu, que em hebraico significa O Eterno é Nossa Justiça, como relatado em Jeremias 23,6. Estes dois nomes resumem a esperança messiânica. Esta esperança sobreviveu durante todas as dominações estrangeiras e aos exílios, mas as perspectivas mudaram. Apesar das esperanças, que por um momento os profetas Ageu e Zacarias confiaram a Zorobabel (também da estirpe de Davi), o messianismo davídico sofreu uma interrupção, pois nenhum descente de Davi passou mais a ocupar o trono de Israel, e os judeus, em muitas ocasiões, estiveram submetidos à dominação estrangeira. O Profeta Ezequiel passou a esperar na vinda de um novo Davi, o qual o chamou de Pastor, Príncipe e Rei, como relatado em Ezequiel 34,23-24 e 37,24-25. O Profeta Zacarias anunciou a vinda de um Rei, como relatado em Zacarias 9,9-10. O Profeta Daniel recebe a visão de um ser semelhante ao filho do homem (que tem forma humana) chegando através das nuvens do céu, o qual recebe do Eterno, Bendito Seja, a incumbência de dominar sobre todos os povos, e afirma que o seu reino será eterno e jamais será destruído (Daniel 7,13-14). No início da era comum, a espectativa de vários grupos judaicos no aparecimento de outro mashiach estava largamente difundida. Alguns grupos esperavam um messias como Moshê, outros esperavam um messias sacerdotal e outros um messias transcendente e espiritual. Isto reafirma o que mencionamos anteriormente a respeito do que esperavam os judeus a respeito de um messias que sempre viria para libertá-los. No estudo realizado, verificamos que a grande maioria das profecias encontrada nos Evangelhos, que parecem fazer alusão a Iehoshua de Nazaré, foi extraída do Livro de Isaías, pelo grupo de judeus que esperavam um messias transcendente e espiritual. Em muitas passagens deste livro fala-se do próprio Isaías, e não de Iehoshua de Nazaré. Para isto, o grupo de judeus que esperavam um messias transcendente e espiritual (e mais tarde os apologistas cristãos) transferiu muito dos acontecimentos ocorridos na vida do Profeta Isaías para Iehoshua de Nazaré. Por ironia, em Mateus 10,26-27 e Lucas 12,1-3 é ensinado que nada há de escondido que não venha à luz e nada de secreto que não venha a ser conhecido. Como exemplo, observem na seguinte passagem a expressão o leitor entenda, o esforço do autor de Marcos tentando convencer futuros leitores a respeito do seu livro:


“ Quando virdes a abominação da desolação no lugar onde não deve estar – o leitor entenda -, então os que estiverem na Judéia fujam para os montes; o que estiver sobre o terraço não desça nem entre em casa para dela levar alguma coisa; e o que se achar no campo não volte a buscar o seu manto.” (Marcos 13,14-17)


Assim, nesta obra o que há mais de dois mil anos estava muito bem escondido, agora vem a ser conhecido, e com muita clareza, principalmente pelos judeus que estão retornando ao Judaísmo. Portanto, quando esta obra for publicada, os que advogam teses contrárias serão obrigados a permanecerem escondidos, pois não terão nada em que se apoiar e ruirão por falta de base sólida. Nós, judeus, possuímos como base sólida a Torá e o Tanach e, quando precisamos discutir sobre um tema difícil das Escrituras Hebraicas utilizamos o Talmud. Assim, aos que ainda insistem em manter a humanidade na ignorância e também em enganar judeus através do movimento messiânico, pois que aguardem. No dia em que esta obra for publicada a advocacia de cada um deles ruirá. Alguém pode contestar lembrando que Iehoshua de Nazaré em algumas passagens dos Evangelhos afirmou que estava cumprindo as profecias analisadas neste estudo. Mas, no entanto, ao final do mesmo, por não ter encontrado referências à pessoa dele na Torá e no Tanach, concluímos, nas passagens dos Evangelhos que foram estudadas, que o autor das mesmas efetua fraudes, por exemplo, diante da expressão: isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo/s profeta/s, que os autores dos Evangelhos tentaram fazer Iehoshua de Nazaré se passar por algum dos profetas de Israel, e, desta forma, precisaram pôr palavras na boca dele, ou que ele se fez passar, em muitas ocasiões, por um destes profetas, sobretudo o Profeta Isaías. Porém, acreditamos que o valor dos seus ensinamentos, se é que ele ensinou o que consta nos Evangelhos, foi profundamente marcante para os seguidores dele. Estes seguidores, na maioria das vezes constituída pela massa ignorante da época, não possuíam conhecimento algum das Escrituras Hebraicas e, por isto, foi muito fácil manipulá-los. Não é à toa que em muitos versículos dos Evangelhos ele se apresenta distorcendo a Torá. Para verificar melhor isto convém ao leitor estudar a obra intitulada Um Rabino Conversa com Jesus – Um Diálogo entre Milênios e Confissões – Coleção Bereshit – Editora Imago LTDA – Rio de Janeiro (1994) ISBN: 8531203341, da autoria do Rabino Jacob Neusner. Nesta obra o autor demonstra que caso tivesse vivido na época de Iehoshua de Nazaré jamais teria se tornado um de seus discípulos. Como sabemos, base de toda a fé cristã reside nos escritos do Novo Testamento, coletânea de livros adotados pelos cristãos como sendo a última revelação do Eterno. Enquanto a comprovação da existência do Criador para os judeus se verificou mais fortemente através da experiência da atravessia do deserto, a existência do Criador para os cristãos é comprovada mediante interpretações distorcidas das Escrituras Hebraicas e que não possuem consistência alguma com as profecias contidas no Tanach, as quais foram utilizadas nos Evangelhos para se fazer alusão a Iehoshua de Nazaré. Estas comprovações residem na arbitrariedade dos argumentos utilizados para sustentá-las, e selecionados, sobretudo com o apoio de filosofias gregas, de tal modo que favoreceu a posição dos seguidores de Iehoshua de Nazaré ao longo dos séculos. Por outro lado, o desenvolvimento do Cristianismo e a construção das características de Iehoshua de Nazaré, ao longo dos séculos, encontraram vários paralelos em cultos religiosos efetuados por povos mais antigos do que o Cristianismo. Muitos cristãos, em sua ignorância, consideram espantoso o fato de que muitas das profecias do Tanach foram cumpridas na vida de Iehoshua de Nazaré, porém não enxergam, não querem enxergar ou simplesmente ignoram o real contexto destas profecias, pois elas foram utilizadas fora de seu tempo real. Desta forma, se comprova, como foi comprovado através dos estudos realizados anteriormente, que os Evangelhos são uma coletânea de fraudes e distorções, intencionais ou não, cuja origem foi o a utilização de profecias do Tanach que não possuem ligação alguma com Iehoshua de Nazaré. Muitos cristãos assumem, consideram e têm fé que estas profecias foram realizadas e cumpridas na pessoa de Iehoshua de Nazaré, mas ao mesmo tempo não possuem e nem sustentam evidências reais para apoiar esta fé. Porém, quando estas profecias são estudadas em seus contextos originais, identificamos, como aconteceu nos estudos dos Evangelhos realizados anteriormente, que nenhuma delas pode ser aplicada a Iehoshua de Nazaré. Um exemplo disto é o suposto cumprimento da profecia sobre a matança das crianças inocentes promovidas por Herodes, narrado no Evangelho de Mateus:


Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Em Rama se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos, não quer consolação, porque já não existem! (Jer 31,15) (Mateus 2,16-17)

Assim, enquanto que para um cristão, esta é apenas mais uma das profecias cumpridas a respeito de Iehoshua de Nazaré, para nós, judeus, afirmamos que qualquer texto das Escrituras Hebraicas, utilizado fora de seu real contexto transforma-se em um pretexto para esconder algo. De fato, quando isto ocorre, aqueles que advogam o contrário do que ensinam os apologistas cristãos são chamados de sem fé, hereges, ateus e, assim, estes apologistas removem, diante da sociedade, a bendita razão daquelas pessoas. Na realidade, a profecia que Mateus afirma ter se cumprido está relatada no livro do Profeta Jeremias:


Eis o que diz o Senhor: ouvem-se em Rama uma voz, lamentos e amargos soluços. É Raquel que chora os filhos, recusando ser consolada, porque já não existem. (Jeremias 31,15)


No entanto, esta passagem do livro de Jeremias é uma declaração que, no contexto original, se refere aos judeus que foram espalhados pelo estrangeiro durante a Diáspora. O Profeta Jeremias se referiu a este fato como se fosse, de forma figurada, Raquel chorando pelos seus filhos, já que Raquel, esposa de Yacov, é a mãe de todos os filhos de Israel. Porém, no mesmo contexto, há uma promessa no versículo 16, segundo a qual estes filhos, ou seja, Israel, regressariam da terra do inimigo.

16                   Assim diz o Senhor: Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas de teus olhos; porque há galardão para o teu trabalho, diz o Senhor, pois eles voltarão da terra do inimigo.

 Portanto, torna-se claro que Jeremias não estava de forma alguma fazendo referência a um massacre de crianças judias. Desta forma, a atitude de transferir o fato narrado para séculos depois, na época em que Iehoshua de Nazaré surgiu é distorcer o real contexto da passagem e dar-lhe a aplicação desejada, como efetuou o autor de Mateus. Daí, mais uma vez, torna-se claro a insistência dos autores dos Evangelhos, ao fazerem menção de passagens dos livros proféticos, em utilizar a expressão corriqueira isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo/s profeta/s. Se esta atitude foi um ato de fraude, distorção, malícia, desespero da parte dos autores dos Evangelhos ou costume do povo da época que, ao produzirem seus escritos, desejavam mostrar ou provar algo, não convém aqui questionar. O que importa é que as passagens ditas serem relativas a cumprimentos proféticos não possuem de fato qualquer evidência real que comprove que Iehoshua de Nazaré cumpriu as profecias sobre a vinda do Mashiach. As profecias a respeito da vinda de Iehoshua de Nazaré, além de estarem apoiadas em profecias que não possuem nenhuma ligação com ele, estão baseadas também em histórias de religiões mais antigas do que o Cristianismo. Entre elas, citamos a versão indiana de Krishna. De fato, é espantoso como esta história é semelhante à história do nascimento de Iehoshua de Nazaré como narrada em Mateus. Segundo a literatura indiana, quando Krishna, a oitava encarnação do deus Vishnu, nasceu da virgem Devaki, ele foi visitado por homens sábios que foram guiados até ele por uma estrela. Anjos também anunciaram o nascimento de Krishna a pastores nos campos próximos do local de seu nascimento. Quando o Rei Kansa soube do nascimento da criança, enviou homens para matar todas as crianças nas localidades vizinhas, mas uma voz celestial chegou aos ouvidos do pai adotivo de Krishna avisando-o para que tomasse a criança e fugisse através do rio Jumna. Estudos sobre religiões antigas estabelecem paralelos semelhantes à história de Zoroastro (Pérsia), Tammuz (Babilônia), Perseus e Adônis (Grécia), Hórus (Egito), Rômulo e Remo (Império Romano), Gautama (o fundador do Budismo), pois vários elementos da criança perigosa que deveria morrer podem ser observados nas histórias de todas estas religiões. Todas estas características são muitos séculos anteriores ao relato de Mateus sobre o massacre das crianças em Belém. Krishna, por exemplo, foi um salvador indiano que viveu no século VI a.e.c. Portanto, quando um estudo de religiões do mundo antigo mostra que um evento como a matança de crianças ou de inocentes parece ter ocorrido em outros lugares, percebe-se que este evento não ocorreu em lugar algum, ou na melhor das hipóteses, ocorreu apenas uma única vez e em seguida passou a ser copiado por apologistas de outras religiões. Como a história do massacre de crianças ocorreu muitas vezes muito antes da versão de Mateus, podemos concluir que tal evento não ocorreu em Belém como Mateus, e somente Mateus narrou, mas deve se tratar de uma cópia extraída de uma outra fonte. Segundo os apologistas cristãos, o sofrimento de Iehoshua de Nazaré, como narrado nos Evangelhos, pode ser encontrado em Isaías 53,1-12; a alusão à sua crucificação é encontrada no Salmo Hb 22,17; a alusão à sua ressurreição pode ser encontrada no Salmo Hb 16,10, e a alusão à sua ascensão pode ser encontrada no Salmo Hb 68,19. Contudo, o exame destas passagens em todo o seu contexto revela o mesmo problema como aquele do caso de Jeremias 31,15, ou seja, não possui conexão alguma com Iehoshua de Nazaré. Mesmo assim, vamos supor que seja possível provar o cumprimento da profecia da matança de crianças inocentes. Desta forma, quem desejar provar que esta matança ocorreu e foi realmente profetizada pelo Profeta Jeremias deve demonstrar que ele pretendia que a declaração fosse uma profecia da matança destes inocentes efetuada a mando de Herodes. Além disto, vamos supor que alguém conseguisse provar que Jeremias pretendia que a profecia fosse ocorrer em uma época bem longínqua. Esta pessoa seria obrigada a provar de forma bastante convincente que o massacre daquelas crianças em Belém pode ser comprovada como fato histórico. A ausência total de quaisquer referências a este fato da parte dos autores que comporão o Novo Testamento ou por qualquer historiador secular contemporâneo àquela época torna impossível esta tarefa. Contudo, se um fato que alegadamente é um cumprimento profético não pode ser comprovado historicamente, como é possível afirmar que se realizou profeticamente? As passagens dos Evangelhos que contêm a expressão isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo/s profeta/s somente se tornam profecias através de argumentos arbitrários dos autores dos Evangelhos, que os removeram do seu real contexto e os aplicaram em situações que julgaram ser convenientes. Se quem os removeu foram os primeiros autores ou autores tardios dos Evangelhos, não se sabe. Se esta atitude foi um ato de fraude, distorção, malícia, desespero da parte dos autores dos Evangelhos ou costume do povo da época que, ao produzirem seus escritos, desejavam mostrar ou provar algo, não convém aqui questionar. Tudo o que se concluiu com o estudo realizado dos Evangelhos é que os mesmos registram fatos que não podem ser confirmados quando confrontados com os registros do Tanach. O Cristianismo não é a única religião que alega que o seu salvador realizou milagres, foi crucificado, foi ressuscitado dos mortos e ascendeu ao céu. Escritos indianos atribuíram todas estas ocorrências a Krishna, muito antes do primeiro século da era comum. De fato, as narrativas das vidas de Iehoshua de Nazaré e Krishna, conforme relatadas nas literaturas de seus seguidores, são tão semelhantes que a conclusão que se chega é que os autores dos Evangelhos muito se inspiraram na religião de Krishna, a qual também possui, em sua teologia, características de um avatar, ou seja, de um salvador. De fato, salvadores nascidos de virgens, pessoas crucificadas e ressuscitadas são características muito comuns que estão presentes em religiões antigas. Mesmo assim, se isto não destruir os argumentos dos Evangelhos na mente dos cristãos e de judeus que se deixam levar pelos engodos do movimento messiânico, quando se referem a cumprimento de profecias por parte de Iehoshua de Nazaré, então infelizmente eles, muitos por comodidade, conveniência e outros por ignorância, estarão obviamente determinados a permanecer desta forma, independentemente do quão convincente possa ser as evidências apresentadas por aqueles que advogam o contrário. Se não foi possível provar que uma profecia a respeito de Iehoshua de Nazaré se cumpriu, o que dizer de uma série delas, como ocorreu durante este estudo dos Evangelhos? Imagine o que dizer das profecias sobre o nascimento virginal de Iehoshua de Nazaré, os seus milagres, a sua entrada triunfal em Jerusalém, a traição de Judas Iscariotes, a sua crucificação, a sua ressurreição, a sua ascensão aos céus e o que dizer de centenas de outros supostos cumprimentos proféticos? É bem mais provável que alguém tivesse estudado as Escrituras Hebraicas e, ao interpretar algumas passagens como profecias, as tivessem aplicado a Iehoshua de Nazaré, de modo a fazer parecer que elas se cumpriram na pessoa dele. De acordo com o estudo dos Evangelhos realizados anteriormente isto foi possível. Portanto, a conclusão que nós, judeus, chegamos frente às profecias a respeito da vinda de Iehoshua de Nazaré é que os cumprimentos proféticos relativos à sua vinda, como narrados nos Evangelhos, nunca ocorreram, mas que os autores dos mesmos limitaram-se a verificar ou procurar no Tanach passagens que pudessem ser interpretadas como profecias e depois as transcreveram para os seus escritos particulares, de modo a fazer parecer que todas elas foram literalmente cumpridas. Mesmo que os alegados cumprimentos proféticos tivessem ocorrido, poderiam também ter sido efetuados deliberadamente com o objetivo de conceder a Iehoshua de Nazaré a oportunidade de alegar que ele cumpriu as mesmas e, a partir daí, elevá-lo a categoria de Mashiach. E se esta atitude foi um ato de fraude, distorção, malícia, desespero da parte dos autores dos Evangelhos ou costume do povo da época que, ao produzirem seus escritos, desejavam mostrar ou provar algo, mais uma vez não convém aqui questionar.


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