JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

 

O que foi observado durante o Estudo dos Evangelhos é que os autores dos mesmos não pretendiam efetuar uma narração histórica de acontecimentos, mas efetuar uma composição de textos em que poderiam ser incluídas passagens das Escrituras Hebraicas, que deveriam ser arranjadas de tal forma a induzir fiéis a acreditar que as mesmas estavam aludindo a pessoa de Iehoshua de Nazaré. Ao que tudo indica a intenção dos evangelistas não foi registrar fatos históricos com precisão, mas transmitir ensinamentos religiosos. Paulo de Tarso, embora não tenha sido um dos apóstolos, foi um dos principais criadores da figura de Iehoshua de Nazaré. No episódio narrado de Atos dos Apóstolos 9,1-9, ele, ao cair do cavalo quando viajava pela estrada que o conduzia até Damasco, julgou estar divinamente inspirado. Após este fato, ele analisou as Escrituras Hebraicas em busca de revelações ocultas e, acreditando que toda e qualquer idéia que lhe ocorria também era de inspiração divina, acreditou ter encontrado nelas o anúncio da vinda de Iehoshua de Nazaré. Na realidade, o mundo de Paulo de Tarso ainda era fortemente influenciado pela cultura helênica. Para os gregos, a verdadeira realidade era a realidade mítica, onde viviam deuses e anjos. O mundo material era apenas um reflexo desta realidade. As Escrituras Hebraicas não continham profecias a respeito do que Paulo de Tarso pensava e ensinava, mas na ótica dele elas revelavam um pouco desta realidade mítica. Para ele, o sofrimento e morte de Iehoshua de Nazaré eram fatos já ocorridos nesta realidade espiritual, em um tempo diferente do nosso, assim como as aventuras dos deuses gregos, e não algo que ainda estaria para ocorrer no mundo material.  Era desta realidade mítica que falava Paulo de Tarso quando se pôs a escrever as suas epístolas, e não de um Iehoshua de Nazaré humano, ou seja, de carne e osso. E para isto, era necessário procurar nas Escrituras Hebraicas revelações de um Iehoshua de Nazaré espiritual, abstrato. Uma conseqüência imediata disto é a transcendentalização de passagens das Escrituras Hebraicas, o que acarreta pseudo-interpretações e ajuda a distorcer e atropelar fatos históricos, como aqueles identificados nos Estudos dos Evangelhos realizados anteriormente. Para Paulo de Tarso, era o Eterno quem fazia as revelações e Iehoshua de Nazaré era apenas o seu canal de comunicação. Assim, a Sabedoria Judaica começou a ser interpretada como o Logos Grego. Para concretizar isto, Paulo de Tarso, judeu que absorveu a cultura e filosofia grega,  recorreu às Escrituras Hebraicas e descobriu vestígios de Iehoshua de Nazaré através de suas próprias inspirações divinas, pois os gregos somente entendiam o Criador a partir de si próprio, e não através de experiências como sempre ocorreu com o povo judeu. Para ele, Iehoshua de Nazaré era uma espécie de segredo que esteve escondido durante épocas remotas e que foi revelado para ele pelo Criador. Para isto, era necessário ter fé neste Iehoshua de Nazaré de natureza mítico-espiritual [na realidade, abstrata], como Paulo de Tarso mostra sistematicamente em suas epístolas.  Mas por que seria necessário ter fé em um homem que, ao morrer, ressuscitou? Isto seria um grande fato histórico, e não algo a ser entendido através da fé. Somente mais tarde, através dos concílios, é que se começou a discutir a figura de Iehoshua de Nazaré como homem. Desta forma, foi necessário que passagens do Antigo Testamento fossem incluídas nos Evangelhos para induzir fiéis a acreditar que tais passagens se referiam a sua vinda. Nos escritos de Paulo de Tarso não são mencionadas expressões como: Conforme eu ouvi da boca de Iehoshua de Nazaré, conforme ensinou Fulano, que foi discípulo de Iehoshua de Nazaré, etc. Por que? Vale a pena salientar que Paulo de Tarso só foi à cidade de Jerusalém anos depois do incidente da queda do cavalo e nem sequer mencionou lugares santos ou sua emoção ao visitá-los;  não menciona Pilatos e nem o julgamento de Iehoshua de Nazaré. Por que? Nos escritos de Paulo de Tarso é observado o comportamento de que ele é que é o Mestre, e não Iehoshua de Nazaré. Por isto, em todas as suas discussões com discípulos, ele jamais foi acusado de distorcer palavras de Iehoshua de Nazaré, pois ele é que se fazia Mestre, e não Iehoshua de Nazaré. Não havia o ensinamento das Palavras de Iehoshua de Nazaré. Na realidade, os Evangelhos e a vida terrena de Iehoshua de Nazaré ainda não tinham sido criados. Porém, é possível que versões primitivas dos Evangelhos já existissem no final do primeiro século, mas talvez não fizessem parte do pensamento Paulinista, naquela época ainda muito predominante. Para entender melhor o que foi escrito acima, convém lembrar que gregos e europeus até os tempos de Nikolaj Kopernik (1473-1543) e Galileu Galilei (1564-1642) acreditavam que a Terra era o centro do universo e que em volta dela havia esferas de cristal concêntricas, cada uma sustentando um dos sete planetas conhecidos. Na esfera de cristal mais interior, a da Lua, se localizavam os demônios, interpretados como mensageiros entre os homens e os deuses, e além da sétima esfera de cristal se localizavam os deuses. Para Paulo de Tarso e seus correligionários, em vez de vários deuses existe um único deus e os demônios são forças do mal, conforme mencionado em um dos seus discursos:  

 

Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. (Efésios 6,12)  

 

Segundo Paulo de Tarso, os demônios habitam as regiões celestes, mas somente mais tarde foram expulsos deste lugar e passaram a habitar as profundezas da terra, e que embora não sejam humanos, eles são os dominadores do mundo em que vivemos. Segundo livros apócrifos do fim do primeiro século da era comum, como o livro da Ascenção de Isaías, por exemplo, Iehoshua de Nazaré teria viajado através das esferas de cristal até alcançar a esfera mais interior, nascendo de uma mulher, da mesma forma que a deusa Attis nascera de Cibele e depois se sacrificara. Mais tarde os demônios mataram Iehoshua de Nazaré sem perceberem quem ele era. No final do século I da era comum, nenhuma menção foi efeuada a um Iehoshua de Nazaré terreno, assim como também não foi efetuada nenhuma menção a qualquer de seus ensinamentos e nem tão pouco foi mencionado o perdão de pecados. Do mesmo modo, também não é mencionado que Pilatos o julgou e que houve calvário. A missão deste Iehoshua de Nazaré, que embora possuísse aparência humana mas que não era de carne e osso, era derrotar o anjo da morte e resgatar os justos. Por exemplo, em I Coríntios 2,6-8 Paulo de Tarso menciona novamente os dominadores do mundo, mas não menciona Pilatos:

 

Entretanto, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados. Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória). (I Coríntios 2,6-8)  

 

Os teólogos Marcião (85-160) e Orígenes de Alexandria (185-254) também interpretavam Paulo de Tarso desta forma. Segundo eles, Iehoshua de Nazaré desceu aos infernos (sheol) e ressuscitou três dias depois. Retornou aos céus levando com ele as almas dos justos e, a partir deste dia, os justos que morressem iriam também para o céu. Este era o segredo da eternidade escondido, no qual era preciso acreditar para se escapar do inferno. Assim, Iehoshua de Nazaré passou a ser visto como o cordeiro imolado desde o início dos tempos, e não a partir do ano 33 d.e.c. Através de estratégias como esta, também tornou-se fácil efetuar conexões entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, como se tornou evidente, por exemplo, através da frase: Isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo/s profeta/s.

 

Com o passar dos anos, outras personalidades de Iehoshua de Nazaré começaram a ser encaixadas na pessoa dele para que gregos e romanos pudessem melhor aceitá-lo.  Muitos dos ensinamentos atribuídos a Iehoshua de Nazaré foram encontrados nos manuscritos do Mar Morto, escritos pelos essênios pelo menos cem anos antes da era comum. Os essênios eram conhecidos por esperarem a vinda do Reino de Deus; pelo seu desprezo às coisas materiais; faziam-se batizar para a purificação do corpo e do espírito e iniciavam a vida pública a partir dos trinta anos, após quarenta dias de jejum no deserto. Ensinamentos como amar aos inimigos; se lhe pedem o casaco dá também a camisa e ao lhe baterem em uma das faces, dar a outra, derivam dos Estóicos, que eram pessoas pertencentes a um movimento filosófico de origem grega, e que pregava um modo de viver o mais simples e humilde possível, em oposição ao materialismo da sociedade urbana. Muitos outros ensinamentos foram extraídos do Documento Q, uma coleção de ensinamentos resultantes da mistura da filosofia estóica com o messianismo judaico. Assim, tornou-se possível construir uma biografia para Iehoshua de Nazaré.  Quando os autores dos Evangelhos construíram uma biografia da vida terrena para Iehoshua de Nazaré, cada um expressou os fatos em contextos diferentes. Para mostrar isto, examinemos dois exemplos. Como primeiro exemplo, Iehoshua de Nazaré ensina sobre a força da fé, no Evangelho de Mateus 17,14-20 e no Evangelho de Lucas 17,5-6. Enquanto a passagem mencionada do Evangelho Mateus é proferida por Iehoshua de Nazaré, ao explicar que os discípulos não conseguiram expulsar demônios de um epiléptico por causa da falta de fé deles, na passagem do Evangelho de Lucas a mensagem é proferida pelos apóstolos, os quais pedem para que Iehoshua de Nazaré aumente a fé deles. O engraçado aqui é que até hoje ninguém conseguiu realmente mover uma árvore ou uma montanha de um lugar para outro com a força da fé. Será que a fé é menor do que um grão de mostarda na maioria das pessoas? Como segundo exemplo, a conhecida Oração do Pai Nosso é ensinada por Iehoshua de Nazaré no Evangelho de Mateus 6,9-13 durante o episódio do Sermão da Montanha, o qual foi dirigido a uma multidão, ao passo que no Evangelho de Lucas 11,1-4 são os discípulos que pedem para que Iehoshua de Nazaré os ensine a orar. Então, Iehoshua de Nazaré ensinou a Oração do Pai Nosso. Outras passagens que ensinam sobre a força da fé estão contidas no Evangelho de Mateus 17,14-20, Evangelho de Marcos 9,14-29 e Evangelho de Lucas 9,37-43. 

 

Quanto as narrativas dos milagres realizados por Iehoshua de Nazaré, grande parte delas foram extraídas do Antigo Testamento e incluídas nos Evangelhos. Para mostra isto, examinemos seis exemplos.  

 

Primeiro Exemplo – I Reis 17,7-24 – Elias ressuscita o filho de uma viúva em Sarepta 

 

Neste exemplo, observe-se a semelhança entre a passagem de I Reis 17,7-24 com a passagem do Evangelho de Lucas 7,11-17. Vamos examinar mais precisamente  a passagem I Reis 17,19-23. 

 

“Dá-me o teu filho?”, respondeu-lhe Elias. Ele tomou-o dos braços de sua mãe e levou-o ao quarto de cima onde dormia e deitou-o em seu leito. Em seguida, orou ao Senhor, dizendo: “Senhor, meu Deus, até a uma viúva, que me hospeda, quereis afligir, matando-lhe o filho?” Estendeu-se em seguida sobre o menino por três vezes, invocando de novo o Senhor: “Senhor, meu Deus, rogo-vos que alma deste menino volte a ele.” O Senhor ouviu a oração de Elias: a alma do menino voltou a ele, e ele recuperou a vida. Elias tomou o menino, desceu do quarto superior ao interior da casa e entregou-o à mãe, dizendo: “Vê: teu filho vive.” (I Reis 17,19-23) 

 

Segundo Exemplo – I Reis 17,23 – Elias é reconhecido pela viúva de Sarepta como homem de Deus 

 

Neste exemplo, observe-se a semelhança entre a passagem de I Reis 17,23 com a passagem do Evangelho de João 4,1-42, mais precisamente na passagem do Evangelho de João 4,16-26. 

 

A mulher exclamou: “Agora vejo que és um homem de Deus e que a palavra de Deus está verdadeiramente em teus lábios. (I Reis 17,24) 

 

Terceiro Exemplo – II Reis 4,8-37 – Eliseu ressuscita o filho de uma sunamita 

 

Neste exemplo, observe-se a semelhança entre a passagem de II Reis 4,8-37 com as passagens do Evangelho de Mateus 9,18-19,23-26, Evangelho de Marcos 5,21-24,35-43 e Evangelho de Lucas 8,40-42,49-56. Vamos examinar mais precisamente  a passagem II Reis 4,32-37.  

 

Eliseu entrou na casa, onde estava o menino morto em cima da cama. Entrou, fechou a porta atrás de si e do morto, e orou ao Senhor. Depois, subiu à cama, deitou-se em cima do menino, colocou seus olhos sobre os olhos dele, suas mãos sobre as mãos dele, e enquanto estava assim estendido, o corpo do menino aqueceu-se. Eliseu levantou-se, deu algumas voltas pelo quarto, tornou a subir e estendeu-se sobre o menino; este espirrou sete vezes e abriu os olhos. Eliseu chamou Giezi e disse-lhe: “Chama a sunamita”; o que ele fez. Ela entrou e Eliseu disse-lhe: “Toma o teu filho.” Então ela veio e lançou-se aos pés de Eliseu, prostrando-se por terra. Em seguida tomou o filho e saiu. (II Reis 4,32-37) 

 

Quarto Exemplo – II Reis 4,42-44 – Eliseu realiza uma multiplicação de pães 

 

Neste exemplo, observe-se a semelhança entre a passagem de II Reis 4,42-44 com as passagens do Evangelho de Mateus 14,13-21, Evangelho de Mateus 15,29-39, Evangelho de Marcos 6,30-44, Evangelho de Marcos 8,1-10, Evangelho de Lucas 9,10-17 e Evangelho de João 6,1-15. Vamos examinar a passagem de II Reis 4,42-44. 

 

Veio um homem de Baalsalisa, que trazia ao homem de Deus, à guisa de primícias, vinte pães de cevada e trigo novo no seu saco. “Dá-os a esses homens, disse Eliseu, para que comam.” Seu servo respondeu: “Como poderei dar de comer a cem pessoas com isto?” – “Dá-os a esses homens, repetiu Eliseu, para que comam. Eis o que diz o Senhor: Comerão e ainda sobrará.” E deu-os ao povo. Comeram e ainda sobrou, como o Senhor tinha dito. (II Reis 4,42-44) 

 

Quinto Exemplo – Eliseu cura um leproso 

 

Neste exemplo, observe-se a semelhança entre a passagem de II Reis 5,1-19 com as passagens do Evangelho de Mateus 8,1-4, Evangelho de Marcos 1,40-45 e Evangelho de Lucas 5,12-16. Vamos examinar mais precisamente  a passagem II Reis 5,8-14.  

 

Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei tinha rasgado as vestes, mandou-lhe dizer: “Por que rasgaste as tuas vestes? Que ele venha a mim, e saberá que há um profeta em Israel.” Naamã veio com seu carro e seus cavalos e parou à porta de Eliseu. Este mandou-lhe dizer por um mensageiro: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão e tua carne ficará limpa.” Naamã se foi, despeitado, dizendo: “Eu pensava que ele viria em pessoa, e, diante de mim, invocaria o Senhor, seu Deus, poria a mão no lugar infetado e me curaria da lepra. Porventura os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, não são melhores que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar limpo?” E, voltando-se, retirou-se encolerizado. Mas seus servos, aproximando-se dele, disseram-lhe: “Meu pai, mesmo que o profeta te tivesse ordenado algo difícil, não o deverias fazer? Quanto mais agora que ele te disse: Lava-te e serás curado.” Naamã desceu ao Jordão e banhou-se ali sete vezes, e sua carne tornou-se tenra como a de uma criança. (II Reis 5,8-14) 

 

Sexto Exemplo – Jonas acalma uma tempestade 

 

Neste exemplo, observe-se a semelhança entre a passagem de Jonas 1,1-16 e as passagens do Evangelho de Mateus 8,23-27, Evangelho de Marcos 4,35-41 e Evangelho de Lucas 8,22-25. Vamos examinar mais precisamente a passagem de Jonas 1,12,15-16. 

 

“Tomai-me, disse Jonas, e lançai-me às águas, e o mar se acalmará. Reconheço que sou eu a causa desta terrível tempestade que vos sobreveio.” E, pegando em Jonas, lançaram-no às ondas, e a fúria do mar se acalmou. Tomada de profundo sentimento de temor para com o Senhor, a tripulação ofereceu-lhe um sacrifício, acompanhado de votos. (Jonas 1,12,15-16) 

 

Uma comparação cuidadosa revela que vários outros trechos do Antigo Testamento foram incluídos no Novo Testamento fora do seu real contexto ou tomados como profecia, quando na verdade se referiam a outros acontecimentos. Para mostra isto, examinemos sete exemplos.  

 

Na passagem do Evangelho de Mateus 1,22 é mencionada a passagem de Isaías 7,14 sobre uma virgem que conceberia e daria a luz a uma criança. Na realidade, o Profeta Isaías fala de uma criança que nascerá na época dele, e não setecentos anos após a época dele. Para isto, basta estudar Isaías 8,3 e se concluirá que não se trata de Iehoshua de Nazaré, mas de alguém que se referirá como Emanuel. Para isto, basta estudar a passagem de Isaías 8,5-8. Por outro lado, seria interessante retornar ao Estudo de Mateus 1,22-23 com referência a Yeshayáhu 7,14. Nas passagens do Evangelho de Mateus 2,5-6 e Evangelho de João 7,40-43, se discute que o nascimento de Iehoshua de Nazaré em Belém fora profetizado e, para isto, é mencionada a passagem de Miquéias 5,1-2. Esta passagem se refere ao clã de David, Belém Éfrata, e não a uma cidade. Além disto, mesmo que fosse uma cidade, o Messias profetizado viria para espalhar o terror e a morte entre os inimigos de Israel e torná-la poderosa, enquanto que Iehoshua de Nazaré afirmou que o reino dele não era deste mundo. Por outro lado, seria interessante retornar ao Estudo de Mateus 2,5-6 com referência a Miquéias 5,1-2. Nas passagens do Evangelho de Mateus 21,1-11, Evangelho de Marcos 11,1-11, Evangelho de Lucas 19,29-44 e Evangelho de João 12,12-36 estão registradas que a entrada de Iehoshua de Nazaré na cidade de Jerusalém montado em um jumento foi prevista em Zacarias 9,9, mas o rei de que fala o Profeta Zacarias seria um rei humano, que reinaria sobre Israel, e no entanto nunca houve o reinado de Iehoshua de Nazaré e, além do mais, após a morte dele Israel continuou sob domínio romano. A aclamação do povo Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor, como registrada no Evangelho de Mateus 21,9, foi extraída do Salmo Hb118,26. Por outro lado, seria interessante retornar ao Estudo de Mateus 21,1-5 com referência a Zecharyah 9,9. Nas passagens do Evangelho de Mateus 21,12-17, Evangelho de Marcos 11,15-19, Evangelho de Lucas 19,45-48 e Evangelho de João 2,13-25 é narrado como Iehoshua de Nazaré expulsou os vendilhões do Templo. Sabe-se que naquela época o comércio de animais era essencial à realização dos sacrifícios pelos fiéis, e, desta forma, tal comércio não era ilegal e o mesmo era apoiado pelas autoridades religiosas. Por outro lado, levando em consideração as dimensões do pátio do Templo e a existência de guardas, parece pouco provável que apenas um único homem com um chicote em mãos conseguisse expulsar todos os vendilhões e ainda ficar impune. Na realidade, as passagens acima citadas foram extraídas de Zacarias 14,21 e Jeremias 7,11:  

 

Todo caldeirão, tanto em Jerusalém como em Judá, será consagrado ao Senhor dos exércitos; todo aquele que vier oferecer sacrifício poderá servir-se deles para cozinhar; e não haverá mais traficantes naqueles dias na casa do Senhor dos exércitos. (Zacarias 14,21) É, por acaso, a vossos olhos uma caverna de bandidos esta casa em que meu nome foi invocado? Também eu o vejo – oráculo do Senhor. (Jeremias 7,11) 

 

Nas passagens do Evangelho de Mateus 26,1-16, Evangelho de Mateus 27,1-10, Evangelho de Marcos 14,1-11 e Evangelho de Lucas 22,1-6 estão registradas a traição de Judas Iscariotes por trinta moedas de prata como tendo sido profetizada no Salmo Hb41,9-10 e em Zacarias 11,4-17. Entretanto, nenhuma das passagens argumenta sobre o messias. No referido salmo, é David, o autor, quem denuncia ao Eterno uma traição e se considera um pecador. E na referida passagem do Profeta Zacarias, este afirma ter recebido trinta moedas de prata, as quais ele as devolve, por um serviço prestado, sem nenhuma traição envolvida. Por outro lado, a passagem do Evangelho de Mateus 27,1-10 menciona também que a compra do campo do oleiro, por uma quantia de trinta moedas de prata, fora profetizada pelo Profeta Jeremias, mas tal profecia não existe. Por outro lado, seria interessante retornar ao Estudo de Mateus 16,21-23 sem referência aos livros proféticos. 

 

Na passagem do Evangelho de Lucas 1,26-38 um anjo revela a Maria como nasceria Iehoshua de Nazaré, mas esta passagem trata-se de uma quase cópia da passagem de Sofonias 3,14-18, onde se profetiza o triunfo de Israel sobre as nações que a oprimiram.  

 

Solta gritos de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, ó Israel! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém! O Senhor revogou a sentença pronunciada contra ti, e afastou o teu inimigo. O rei de Israel, que é o Senhor, está no meio de ti; não conhecerás mais a desgraça. Naquele dia, dir-se –á em Jerusalém: “Não temas, Sião! Não se enfraqueçam os teus braços! O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói e salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito como num dia de festa.” Suprimirei os que te feriram, tirarei a vergonha que pesa sobre ti. (Sofonias 3,14-18) 

 

Diante do final desta passagem, como identificar que durante a pregação de Iehoshua de Nazaré os inimigos do povo judeu foram suprimidos? Naquela época foi removida a vergonha de sobre nós, judeus? Não. Continuamos sob domínio do Império Romano que, após o ano de 476 foi dividido em dez nações e mais tarde veio a se transformar na Igreja Católica Apostólica Romana. As passagens dos Salmos Hb22,1-19 e 69,22 foram utilizadas durante a crucificação de Iehoshua de Nazaré, mas na realidade as mesmas falam sobre os inimigos de David e da perseguição que o mesmo sofria do rei Saul. Não havendo, portanto, nenhuma ligação com Iehoshua de Nazaré. Em particular, a tradução direta do hebraico para o português do Salmo Hb22 é:

Ao mestre do canto, acompanhado por "Aiélet Hashachar", um salmo de David. Eterno, Eterno, por que me abandonastes? Por que deixaste tão distante minha salvação e ignoraste meu gemido angustiado? De dia clamo e à noite não silencio, e Tu não me escutas. Mas Tu és o Santo, e a Ti se dirigem os louvores de Israel! Em Ti confiaram nossos patriarcas, confiaram plenamente e Tu os resgatastes. Clamaram a Ti e foram salvos; em Ti acreditaram e não foram desiludidos. Quanto a mim, sou como um verme e não homem, opróbrio da plebe, vergonha do povo. Zombam de mim os que me fitam, riem e meneiam ironicamente suas cabeças. Dizem-me, porém, confia no Eterno! Ele o redimirá, Ele lhe trará salvação, porque nele se compraz. Tu me tiraste do ventre materno e me fizeste sentir seguro, contra seu peito. Desde meu nascimento, em Teus braços fui entregue; mesmo antes de nascer, já eras meu Criador. Não Te afastes de mim, porque muito próxima está a aflição e não há quem me proteja, senão Tu. Touros furiosos me cercaram, touros do Bashan me rodearam. Abriram contra mim suas bocas como um leão que estraçalha e ruge. Sinto-me como água derramada que não pode voltar a seu recipiente, meus ossos fraquejam; meu coração parece ser de cera, de tal forma se derrete dentro de mim. Minha força secou como a argila, minha língua está colada ao paladar e me deitaste no pó da morte. Cães me cercam, uma turba de perversos me rodeia, atacam meus pés e minhas mãos como se fora um leão. Verifico como estão meus ossos enquanto eles me observam e tripudiam. Minhas roupas, entre si repartem, minhas vestimentas sorteiam. Mas Tu, ó Eterno, eu te peço, não Te afastes de mim; ó minha Força, apressa-Te e vem em meu auxílio! Salva minha alma da espada, minha vida das presas dos sabujos. Livra-me da boca do leão, resgata-me dos chifres dos touros selvagens. Então, a salvo, proclamarei Teu Nome a meus irmãos e louvarte-ei do seio da multidão! Vós que sois a semente de Jacob, honrai-O! Reverenciai-O todos vós, descendentes de Israel. Porquanto não desprezou nem ignorou a angústia do aflito e dele não escondeu Sua face e atendeu a sua prece. Graças a Ti poderei proclamar meu louvor às multidões; cumprirei minhas promessas na presença daqueles que O temem. Os humildes hão de comer e se fartar; os que buscam o Eterno hão de louvá-lo e vida perene terão seus corações. Dos confins da terra, todos a Ti se voltarão com compreensão e ante Ti se curvarão todas as famílias das nações. Pois só do Eterno é a realeza e Seu é o domínio sobre todos os povos. Comerão todos os povos a fartura da terra e ante Ele se prostrarão; reverenciá-lo-ão os que retornam do pó, mas então já será tarde porque suas almas não fará viver. Da descendência dos que O servem, de geração em geração, será relatada a magnificência de Sua glória. Anunciarão às gerações vindouras a bondade de seus feitos. (Salmo Hb22 – Traduzido do Hebraico)

 

Nas bíblias cristãs, o versículo 17 deste salmo [grafado acima de azul] está escrito como:

Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores. Traspassaram minhas mãos e meus pés. (Salmo Hb22,17)

Na realidade, a palavra hebraica ka'ari, que significa como um leão, é gramaticalmente semelhante à expressão ferir muito. Desta maneira, apologistas do Cristianismo traduziram o versículo 17 com o interesse de que o mesmo pudesse ser referido à crucifixão de Iehoshua de Nazaré e, para isto, escreveram traspassaram minhas mãos e meus pés. Torna-se claro agora que muitas das frases do Antigo Testamento foram inseridas nos Evangelhos para dar a entender que se referem às profecias anunciadas pelos profetas de Israel, mas que foram usadas deliberadamente para se fazer alusão à pessoa de Iehoshua de Nazaré. As mesmas encontram-se localizadas estrategicamente para convencer a todos de sua messianidade e, para isto, vêm seguidas insistentemente da frase: Isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo/s profeta/s.  

Há uma epístola apócrifa, denominada Primeira Epístola de Clemente, enviada de Roma aos Coríntios no ano de 96 d.e.c., onde pela primeira vez Iehoshua de Nazaré é mencionado como mestre e alguns ensinamentos lhe são atribuídos como sendo de sua autoria [Clement of Alexandria - Ante Nicene Christian Library Translations of the Writings of the Writing of the Fathers Down to AD 325 - Part Four - Edited by Reverend Alexander Roberts and James Donaldson  - Kessinger Publishing – Whitefish, Montana, United States  (2004) - ISBN: 1417922788]. No entanto, há algumas passagens desta epístola que lembram o Sermão da Montanha, mas há outras passagens que também lembram os Evangelhos mas não são atribuídas a ninguém ou então citam as Escrituras Hebraicas. Além do mais, não há menções sobre João Batista e nem sequer sobre a vida terrena de Iehoshua de Nazaré e nem sobre os seus milagres. O mais engraçado disto tudo é que, nesta epístola, quando o julgamento e a morte de Iehoshua de Nazaré são mencionados, Clemente faz referências ao Profeta Isaías. Desta forma, este escrito de Clemente indica que acontecimentos ocorridos envolvendo Iehoshua de Nazaré, como narrados nos Evangelhos, foram extraídos de livros do Antigo Testamento e depois transferidos para os Evangelhos.  

Por volta do ano 107 d.e.c. surgiram as sete cartas escritas por Inácio, Bispo de Antioquia (Ignatius, Bishop of the Antioch): Epístola a Policarpo, Epístola aos Efésios, Epístola aos Esmirnenses, Epístola aos Filadélfos, Epístola aos Magnésios, Epístola aos Romanos e Epístola aos Tralianos. Estas cartas contêm as primeiras menções ao rei Herodes, O Grande, Pôncio Pilatos e Maria, a mãe de Iehoshua de Nazaré [Ignatius of Antioch - A Commentary on the Seven Letters of Ignatius of Antioch - Author: William R. Schoedel, Editor: Helmut Koester - Publisher: Augsburg Fortress – Minneapolis, United States (1985) - ISBN: 0800660161]. Ignatius, também chamado Theophoros, nasceu na Síria por volta do ano 50 d.e.c e morreu em Roma em algum ano entre os anos de 98-117. Na Parte IV da Epístola de Inácio de Antioquia aos Filadélfos, intitulada Fugir do Judaísmo, está escrito que:  

Meus irmãos, transbordo todo de amor para convosco e em meu júbilo procuro confortar-vos. Não eu, mas Jesus Cristo. Estando preso em Seu Nome, temo tanto mais achar-me ainda imperfeito. No entanto, vossa prece me aperfeiçoará para Deus, com o intuito de conseguir a herança na qual obtive misericórdia, buscando refúgio no Evangelho, como na carne de Jesus, e nos Apóstolos como no presbitério da Igreja. Amemos igualmente os Profetas, por terem também eles anunciado o Evangelho, terem esperado n'Ele e O terem aguardado. Foram salvos por Lhe terem dado fé, e, unidos a Jesus Cristo, se tornarem santos dignos do nosso amor e admiração, aprovados pelo testemunho de Jesus Cristo, sendo enumerados no Evangelho da comum esperança.  Se, no entanto, alguém vier com interpretações judaizantes, não lhe deis ouvido. É melhor ouvir doutrina cristã dos lábios de um homem não-circuncidado do que a judaica de um circuncidado. Se porém ambos não falarem de Jesus Cristo, tenha-os em conta de colunas sepulcrais e mesmo de sepulcros, sobre os quais estão escritos apenas nomes de homens. Fugi pois das artimanhas e tramóias do príncipe deste século, para que não venhais a esmorecer no amor, atribulados pela sagacidade dele. Todos vós, porém, uni-vos num só coração indiviso. Agradeço a Deus, porque gozo de consciência tranqüila a vosso respeito e porque não há motivo de ninguém gloriar-se, nem oculta nem publicamente, por lhe ter sido eu um peso em coisa pequena ou grande. Faço votos que todos a quem falei assimilem minhas palavras, não porém em testemunho contra si mesmos. 

Devemos observar nesta parte da carta uma frase curiosa:

Amemos igualmente os Profetas, por terem também eles anunciado o Evangelho, terem esperado n'Ele e O terem aguardado.

Como podemos observar mais uma vez, já naquela época se afirmava que as Escrituras Hebraicas continham profecias sobre a vinda de Iehoshua de Nazaré, mas a série de Estudos do Evangelhos realizados anteriormente provou que isto não é verdade. Portanto, as passagens contidas nos Evangelhos que mencionam profecias anunciadas pelos Profetas de Israel como cumpridas por Iehoshua de Nazaré já constituíam, naquela época, fraudes que se propagavam de longa data. Outra frase curiosa desta carta é:

Se, no entanto, alguém vier com interpretações judaizantes, não lhe deis ouvido. É melhor ouvir doutrina cristã dos lábios de um homem não-circuncidado do que a judaica de um circuncidado.

Como podemos observar, ensinamentos como estes se propagaram durante séculos e que se concretizaram ao longo de todos os concílios da igreja. Desta forma, a igreja cristã produziu a seguinte premissa: Tudo o que for judaico deve ser enterrado. 

Em uma das cartas de Inácio de Antioquia há um trecho sobre a aparição de Iehoshua de Nazaré ressuscitado aos discípulos, mas não há comentários sobre os Evangelhos ou que Iehoshua de Nazaré tivesse sido um mestre. Entretanto, na Parte VI da Epístola de Inácio de Antioquia aos Filadélfos, intitulada A Originalidade do Evangelho, está escrito que:  

Embora fossem honrados também os sacerdotes, coisa melhor porém é o Sumo-sacerdote, responsável pelo santo dos santos, pois só a Ele foram confiados os mistérios de Deus. É Ele a porta para o Pai, pela qual entram Abraão, Isaac e Jacó, os Profetas, os Apóstolos e a Igreja. Tudo isso leva à unidade de Deus. O Evangelho contém porém algo de mais sublime, a saber, a vinda do Salvador e Senhor nosso Jesus Cristo, a Sua Paixão e Ressurreição. A respeito d'Ele vaticinaram os queridos Profetas. O Evangelho constitui mesmo a consumação da imortalidade. Tudo se reveste de grande importância, se confiardes no Amor. 

Devemos observar nesta parte da carta uma frase curiosa:

O Evangelho contém, porém algo de mais sublime, a saber, a vinda do Salvador e Senhor nosso Jesus Cristo, a Sua Paixão e Ressurreição. A respeito d'Ele vaticinaram os queridos Profetas.

Como podemos observar mais uma vez, já naquela época se afirmava que as Escrituras Hebraicas continham profecias sobre a vinda de Iehoshua de Nazaré, mas a série de Estudos dos Evangelhos realizados anteriormente mais uma vez provou que isto não é verdade. Portanto, as passagens contidas nos Evangelhos que mencionam profecias anunciadas pelos Profetas de Israel como cumpridos por Iehoshua de Nazaré já constituíam, naquela época, fraudes que se propagavam de longa data. Trechos das sete cartas de Inácio de Antioquia estão disponíveis para leitura na página http://www.veritatis.com.br/_agnusdei/patrist.htm

Na época de Inácio de Antioquia foi escrita a obra intitulada Didaké (Didache), escrita provavelmente entre os anos 60 e 90 d.e.c. Esta obra trata da instrução moral, da liturgia, da disciplina e dos ofícios eclesiásticos, além de uma exortação final sobre o retorno de Iehoshua de Nazaré e a ressurreição dos mortos. Embora a mesma se trate de uma obra de estilo simples, interessada em dar testemunho da vida cristã em face das perseguições a que era submetida a igreja primitiva, com algumas indicações a respeito da estrutura eclesiástica incipiente, ela não faz comentários sobre os ensinamentos de Iehoshua de Nazaré. Nesta obra a Oração do Pai Nosso é atribuída diretamente ao Criador, e não há comentários sobre a Última Ceia, Crucificação e a suposta Ressurreição de Iehoshua de Nazaré [Didaqué - O Catecismo dos Primeiros Cristãos para as Comunidades de Hoje – Paulus Livraria e Editora, São Paulo (2003) – ISBN: 8534903255]. 

O nascimento de um Iehoshua de Nazaré terreno aparece pela primeira vez em textos que datam do ano de 115 d.e.c., considerados apócrifos pela Igreja Católica Romana. Alguns destes textos foram publicados em uma série de quatro volumes por Maria Helena de Oliveira Tricca e Julia Barany sob o título Apócrifos – Os Proscritos da Bíblia. Na obra Apócrifos - Os Proscritos  da Bíblia – Volume IV – Maria Helena de Oliveira Tricca e Julia Barany – Primeira Edição - São Paulo, Editora Mercuryo (2001) – ISBN: 857272171, a narrativa histórica sobre o nascimento de Iehoshua de Nazaré é bem diferente daquela que é narrada nos Evangelhos. No quarto volume desta série é narrado que Iehoshua de Nazaré nasce na cidade de Belém na casa de Maria e José, e não em uma manjedoura durante uma viagem, e que Maria, só mais tarde, descobre que seu filho era especial. Neste apócrifo não há comentários sobre anjos que anunciaram o nascimento de Iehoshua de Nazaré a pastores que guardavam rebanhos ou comentários sobre reis magos, e nenhuma informação é fornecida sobre o rei Herodes, O Grande, e a fuga da família de Iehoshua de Nazaré para o Egito.

Na realidade, os evangelistas se basearam nesta história, mas cada um a modificou a seu modo, porém, mantendo em comum apenas a referência a cidade de Belém, devido ao fato do Profeta Malaquias anunciar o nascimento de um futuro rei de Israel nesta cidade. Para isto, é necessário retornar ao Estudo de Mateus 11,7-10 com referência a Malachim 3,1 e ao Estudo de Lucas 7,24-27 com referência a Malachim 3,1.

Quanto a passagem do Evangelho de Mateus 2,1-2 em que três reis magos relatam ao rei Herodes, O Grande, que observaram uma estrela no oriente, tal passagem foi extraída da Torá Bamidbar (Números) 24,17:  

Eu o vejo, mas não é para agora, percebo-o, mas não de perto: um astro sai de Jacó, um cetro levanta-se de Israel, que fratura a cabeça de Moab, o crânio dessa raça guerreira. (Números 24,17)  

Enquanto que o episódio da fuga da família de Iehoshua de Nazaré para o Egito somente é relatado no Evangelho de Mateus 2,13-23, somente no Evangelho de Lucas 2,1-40 ele é apresentado ao Templo após oito dias de seu nascimento. Sobre o episódio da matança de inocentes, como narrado somente no Evangelho de Mateus 2,13-23, a história registra que o rei Herodes, O Grande, ordenou a morte de vários de seus próprios parentes com medo que lhe tomassem o poder, o que pode ter inspirado o autor do Evangelho de Mateus, mas não há registro histórico de matança indiscriminada de crianças por ordem deste rei. Sobre a participação na morte de Iehoshua de Nazaré por Pilatos, Governador da Judéia em nome do Imperador Romano Tibério, as passagens mencionadas são as do Evangelho de Mateus 27,11-26,57-66, Evangelho de Marcos 15,1-15,42-47, Evangelho de Lucas 23,1-25,50-56 e Evangelho de João 18,28-40;19,1-42. No entanto, a primeira referência a Pilatos em uma epístola está registrada em I Timóteo 6,11-16, a qual deve ter sido escrita provavelmente por volta do ano de 115 d.e.c., mas ela é tão omissa quanto aos acontecimentos sobre a morte de Iehoshua de Nazaré que talvez seja uma inclusão efetuada muito posteriormente. As duas epístolas atribuídas a Pedro, escritas provavelmente por volta do ano de 120 d.e.c., falam da futura vinda de Iehoshua de Nazaré, mas não o seu retorno ou a sua suposta segunda vinda. Além do mais, o/s autores das epístolas cita profecias do Antigo Testamento, e não promessas da autoria de Iehoshua de Nazaré. O mais engraçado é que na passagem de II Pedro 1,16-21, esta epístola menciona algo que lembra o episódio da Transfiguração de Iehoshua de Nazaré narrados no Evangelho de Mateus 17,1-13, Evangelho de Marcos 9,2-13 e Evangelho de Lucas 9,28-36, mas o fato é apresentado nesta epístola como uma amostra do que seria a futura vinda de Iehoshua de Nazaré, e, mais uma vez, o autor da segunda epístola de Pedro faz referências às Escrituras Hebraicas, e não a um Iehoshua de Nazaré terreno.  

A Epístola de Barnabé, escrita provavelmente entre os anos de 134-135 d.e.c., trata-se de uma coleção de tradições orais, sem, no entanto mencionar os Evangelhos ou algo sobre a vida de Iehoshua de Nazaré terreno, embora algumas passagens lembrem os seus ensinamentos, como registrados nos Evangelhos, e também contenha vagas referências sobre acontecimentos históricos. O engraçado nesta epístola é que os acontecimentos sobre o sofrimento e morte de Iehoshua de Nazaré, como registrados nos Evangelhos, são descritos utilizando-se passagens das Escrituras Hebraicas. Um fato curioso que chama a atenção está registrado no Capítulo XVI desta epístola: 

No que se refere ao templo, eu vos direi ainda como esses infelizes extraviados puseram sua esperança num edifício, como se fosse a casa de Deus, e não no Deus deles, que os criou. Com efeito, quase como os pagãos, eles o consagraram no templo. Mas, como fala o Senhor, abolindo-o? Aprendei: "Quem mediu o céu com o palmo e a terra com a mão? Não fui eu? diz o Senhor: O céu é o meu trono e a terra é o estrado dos meus pés. Que casa construireis para mim, ou qual será o lugar do meu repouso?" Vede como era vã a esperança deles. Por fim, ele diz ainda: "Eis! aqueles que destruíram esse templo, eles mesmos o edificarão." 

Aqui observamos que a frase: "Eis! aqueles que destruíram esse templo, eles mesmos o edificarão." parece ter sido inserida na passagem do Evangelho de João 2,18-20:  

Perguntaram-lhe os judeus: “Que sinal apresentas tu, para proceder deste modo?” Respondeu-lhes Jesus: “Destruí vós este templo, e eu os reerguerei em três dias.” Os judeus replicaram: “Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levanta-lo em três dias?!” (João 2,18-20)  

A Epístola de Barnabé e outros escritos apostólicos estão comentados na obra Apostolic Fathers – Translated by J.B. Lightfoot and J.R. Harmer – Edited and Revised by Michael W. Holmes - Kessinger Publishing - Whitefish, Montana, United States (2003) - ISBN: 0766164985.  

A primeira tentativa de canonização dos livros do Novo Testamento foi efetuada pelo gnóstico Marcião (85-160), natural de Sinope, no Ponto (Ásia Menor). Por volta do ano de 140 d.e.c., ele usou trechos de uma versão prévia do que viria a ser o Evangelho de Lucas. Isto é verdade porque a história registra que Quintus Septimius Florens Tertullianus (160-220), Bispo de Cartago, condenou a versão do texto de Marcião anos mais tarde. A versão que Marcião usou era diferente da atual, o que denuncia que os Evangelhos passaram por várias revisões devidamente moldadas aos interesses de alguém. E isto ocorreu porque ainda naquela época os Evangelhos não passavam de textos da autoria de vários fiéis, e ninguém os considerava divinamente inspirados. Em particular, processos de revisão de textos dos Evangelhos podem ser identificados ao longo dos trinta anos que separam o Evangelho de Marcos do Evangelho de João. Uma leitura cuidadosa destes dois evangelhos fornece a conclusão de que um é uma adaptação do anterior moldado à realidade da época. Um exemplo disto, o qual pode ser verificado, é o curioso envolvimento dos judeus na condenação de Iehoshua de Nazaré e a eliminação da culpa dos romanos durante o processo jurídico e morte do mesmo. Não é à toa que a sede da Igreja Católica Apostólica Romana está localizada na cidade Roma. O mais engraçado disto tudo é que Tertuliano, conhecido como O Pai Adiantado da Igreja, admitiu ironicamente conhecer as origens verdadeiras da personalidade de Iehoshua de Nazaré e de todos os deuses-homens. É interessante ainda relatar que Tertuliano, um defensor da fé cristã, renunciou ao Cristianismo por volta do ano de 207 e aderiu ao Montanismo [Gnostic and Historic Christianity - Gerald Massey - Holmes Publishing Group - Edmonds, Washington, United States (1985) - ISBN: 0916411516]. 

Marcião afirmava que qualquer cristão que utilizasse um símbolo judaico, um nome judaico, ou realizasse qualquer celebração judaica, seria considerado cúmplice da morte de Iehoshua de Nazaré juntamente com os judeus. Desta forma, no esforço de eliminar características judaicas dos textos do Novo Testamento, ele elaborou uma depuração de escritos neotestamentários. Assim, ele rejeitou o Evangelho de Marcos, Evangelho de Mateus e o Evangelho de João. Forjou o seu próprio cânone inserindo textos selecionados do Evangelho de Lucas e das epístolas paulinas, muitas delas mutiladas. Para ele, nenhum dos apóstolos havia entendido os ensinamentos de Iehoshua de Nazaré, com exceção de Paulo de Tarso. Por isto, para Marcião, Paulo de Tarso é o apóstolo por excelência, pois, segundo ele, recebeu de Iehoshua de Nazaré, por revelação, o verdadeiro evangelho. Por fim, Marcião fazia distinção entre o deus das Escrituras Hebraicas e o deus do Novo Testamento. Daí, durante os séculos, surgiu a noção de que o deus das Escrituras Hebraicas é um deus mau e, por isto deveria ser esquecido e desprezado, e o deus do Novo Testamento é um deus bom. Pensamentos como este de Marcião reforçaram a premissa do que mais tarde a igreja cristã definiu ao longo dos Concílios Eclesiásticos e em sua Teologia da Substituição: Tudo o que for judaico deve ser enterrado. 

Marcião possuía conhecimentos da língua grega e de retórica, e também uma excelente formação jurídica. Também era dono de embarcações e tinha um poder econômico que permitia publicação de obras escritas, algo que era precioso na antigüidade. Depois de exercer a jurisprudência em Roma, retornou para sua cidade de origem no ano de 195, como cristão. É provável que ele tenha liderado um movimento missionário na Ásia Menor, pois Tertuliano publicou entre os anos de 207 e 208 d.e.c. a obra intitulada Adversus Marcionem [Tertullianus Against Marcion - Ante Nicene Christian Library Translations of the Writings of the Fathers Down to AD 325 - Part Seven Edited by Reverend Alexander Roberts and James Donaldson - Kessinger Publishing – Whitefish, Montana, United States  (2004) - ISBN: 1417922818]. Nesta obra, Tertuliano condena várias idéias de Marcião, entre elas a de que o deus das Escrituras Hebraicas não é o mesmo que o deus do Novo Testamento e que Iehoshua de Nazaré não é o messias prometido pelas Escrituras Hebraicas. Contra os judeus, Tertulliano escreveu, em torno do ano de 200 d.e.c., a obra intitulada Adversus Iudaeos [An Answer to the Jews – Tertullian – Kessinger Publishing – Whitefish, Montana, United States (2004) – ISBN: 1419106171; Adversus Judaeos – A Bird’s Eye View of Christian Apologiae to the Jews Until the Renaissance – Arthur Lukyn Williams – Cambridge Uiversity Press – Cambridge, England (1935) – ISBN: B00085B3EO].  

Marcião publicou o chamado Corpus Paulino, uma coleção de dez cartas paulinas e um evangelho que deve ter sido o Evangelho de Lucas, com algumas partes suprimidas, em especial aquelas que permitem uma visão judaica e indicam o nascimento carnal de Iehoshua de Nazaré. O Corpus Paulino de Marcião ou Cânon de Marcião é composto da Epístola aos Romanos, I Epístola aos Coríntios, II Epístola aos Coríntios, Epístola aos Gálatas, Epístola aos Efésios, Epístola aos Filipenses, Epístola aos Colossenses, I Epístola aos Tessalonicenses, Epístola a Filêmon, e uma carta aos laodicenses, uma carta que parece que se perdeu, pois há referência desta na passagem da Epístola aos Colossenses 4,16 [Revista de Interpretação Latino Americano (RIBLA) – A Canonização dos Escritos Apostólicos – Número 42-43 – Volume 2-3 – Maio-Dezembro (2002) – Marcião e o Surgimento do Cânon, Página 37 – Autor: Ediberto López].  

No início da igreja primitiva, os Evangelhos não possuíam nomes. Justino, O Mártir (100-165), por volta do ano de 150 d.e.c. se refere aos Evangelhos como Memórias dos Apóstolos. Em sua obra intitulada Apologiaes ele cita alguns trechos contendo ensinamentos dos Evangelhos [Justin Martyr and Athenagoras – Ante Nicene Christian Library Translations of the Writings of the Fathers Down to AD 325 Edited by Reverend Alexander Roberts and James Donaldson – Kessinger Publishing – Whitefish, Montana, United States  (2004) - ISBN: 1417922761]. Tais trechos divergem dos evangelhos atuais e não há menção alguma do Evangelho de João.  

Diante de tudo isto que foi escrito o que eu, Torahlaam, recomendo aos judeus b'nei anussim que estão realizando o Processo de Retorno? O que eu, Torahlaam, recomendo a aqueles judeus b'nei anussim que ainda não conseguem se libertar dos ensinamentos dos agentes do movimento messiânico? 

Caros judeus b’nei anussim, depois de realizado o Estudo dos Evangelhos é um erro e uma idolatria permanecer em sinagogas messiânicas se alimentando de falsos ensinamentos e falsas esperanças.

O Novo Testamento que, segundo ensinam, é um livro de inspiração divina não poderia conter tamanhas fraudes como aquelas identificadas nestes estudos, e o mundo jamais poderia passar por tantas desgraças como ocorreu nestes dois mil anos. O que está errado? Pensamos que os teólogos do passado, por mais sábios que pudessem ser não possuíam uma visão acurada dos fatos? Não. Na realidade eles sempre interpretaram os textos bíblicos sob o seu estreito e exclusivo ponto de vista. E não há como negar que o homem avançou de maneira considerável, principalmente no campo das ciências. Isto vem provocando uma revisão completa nos conhecimentos do passado. A humanidade, hoje, mais questionadora e mais exigente, não deseja aceitar mais nada sem o crivo da razão. E a partir do estudo que foi realizado, começaram a surgir complicações teológicas contundentes, pois agora as denominações cristãs serão obrigadas, frente a Torá, a fechar as portas de suas instituições ou modificar os seus conceitos e aceitar, de fato, a Torá e o Judaísmo fidedigno pois, caso contrário, estarão sob pena de continuarem formando ateus. Eu, Torahlaam, diante do estudo dos Evangelhos que foi realizado, desejo fazer um pedido urgente a vocês, caros judeus b’nei anussim: Enterrem o Novo Testamento e retornem para o Judaísmo

 

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Saibam vocês que é raro que um povo se mantenha por mais de vinte séculos no exílio submetido a punhos de ferro em terra habitada por povos que teve contato, povos pelos quais se espalhou e pelos quais também foi dominado. Sabe-se que não existe estratégia imbatível quando o punho de ferro a que este povo é submetido é contínuo e que as mudanças acíclicas exigidas para que ele se auto-defenda é a automanutenção que exige um trabalho árduo por parte de quem encabeça as várias comunidades espalhadas deste povo, chamadas de comunidades da diáspora.

É certo que a perseguição e o punho de ferro aumentam a união de um povo, assim como é certa que para esta auto-manutenção é necessário a manutenção das tradições, do idioma, da cultura popular e religiosa do mesmo. Houve um povo, em particular, que possuía vantagens sobre muitos outros povos, a saber, foi e ainda é um povo que nasceu sem pátria e desta forma perdura há muitos e muitos séculos. Errantes a maior parte da sua existência a ponto de o desejo de serem independentes se tornar uma gota de água no oceano de suas vidas, tal como beduínos no deserto, este povo calejou seus corpos e espíritos diante de povos estranhos a sua cultura para se manterem como povo. Devido ao seu modo de viver estranho, sofreram terríveis perseguições jamais testemunhadas pela civilização humana. Para se manterem como povo, ultrapassaram os piores obstáculos em todas as gerações pelas quais atravessou, mas o Eterno, Bendito Seja, jamais os rejeitou. Assim, o próprio Eterno forneceu, mais do que eles já possuíam, um enorme conjunto de habilidades não visíveis que oscilaram no tempo garantindo a eles alcançar aquilo que pretendiam e isto teve como base os registros que este povo deixou em seus livros sagrados, os quais contêm todo um desenvolvimento de sistemas de raciocínio que se exteriorizaram durante os séculos pelos quais se dispersou. Sistemas estes que quer oralmente quer através da escrita, mas que só este povo entendia pela crepitação envolvente e pela belíssima música que inebriava os alheios do desconhecido. Este povo é o povo judeu e o seu livro mais sagrado é a Torá.

A palavra teshuvá é muitas vezes traduzida como arrependimento. O radical da palavra, porém, significa simplesmente retorno.

O Judeu de origem ibérica necessita do verdadeiro retorno não um retorno para agradar a comunidade judaica dita oficial mais um “Retorno, a Israel, ao Eterno teu D’us" (Hosea 14:2) é a essência da teshuvá, a chave da expiação. Um retorno a D’us não é apenas um reconhecimento de Sua existência, ou simplesmente dizer "Eu creio n’Ele". O fato de meramente se juntar a uma sinagoga também não constitui um retorno a Ele.

Estes são apenas os primeiros passos naquela direção. Teshuvá significa nada menos que se tornar um servo do Senhor, um eved Hashem. Um servo é aquele que não somente reconhece a existência do amo como também se submete à sua lei e jurisdição, que se sujeita aos comandos e pedidos do amo. E se voltarmos Para a hashem nada nem ninguém pode se o por ao servo Fiel é sincero que deixou as religiões pagãs para servir a Israel espiritual, não estamos falando do Estado de Israel, mais do Ami Israel espiritual (yeshuv).

O estado de Israel atual esta corrompido terá sua redenção com a vinda do Mashiach.

A teshuva só e verdadeira com consciência de responsabilidade de continuidade da comunidade e do judaísmo, com a verdadeira intenção de uma realização de um puro relacionamento com D, us.

Quando nossa teshuva e verdadeira nos primeiramente acontecem em nosso interior nossa maneira de viver, no caso dos bene anussim que tem sua origem judaica, não necessita de provar sua judaicidade, os direitos são iguais, quando os chamados judeus asquenazitas  na segunda guerra não tinha como provar sua origem  pois todos seus documentos foram perdidos ou queimados.

Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. (Jr 31:33)

Eis que a sabedoria conclama, e a compreensão eleva sua voz. (Provérbios [Mishlê] 8:1)

O relacionamento de Israel com D’us também é assim. Porém ao nos submeter a D’us, proclamamos nossa liberdade da servidão humana. "Vós sereis Meus servos, disse o Eterno, e não servos de Meus servos."

 Duas vezes ao dia, no Shemá (Ouve, ó Israel) somos lembrados do mandamento "E amarás ao Senhor teu D’us com todo teu coração…"

O relacionamento de Israel com D’us é descrito em termos de um eterno matrimônio também entre amantes: "Eu Te ligarei a Mim para sempre; eu te ligarei a Mim em justiça e integridade, em bondade e misericórdia; eu te ligarei a Mim em fidelidade e tu conhecerás  o Eterno."
(Hosea 2:21-22)(ósseas )

 

"Não é mais religião que é necessária em educação mais elevada, mas educação mais elevada que é necessária em religião." O outro envolve experiências, a experiência de viver como judeu, de comportar-se como judeu.

O conhecimento exige entendimento, e o maior entendimento deriva do envolvimento pessoal e não meramente do estudo de livros.

Conhecer interiormente com certeza é superior a apenas observar do lado de fora. Um reconhecimento intelectual da importância de ser um judeu não pode se comparar com a valorização intuitiva de seu valor, que vem do ato de fazer. Embora o intelecto possa estar lá para reforçá-lo, especialmente em nossa época, a sensação direta daquilo que realmente é vem do fazer, não apenas de saber. Se uma avaliação intuitiva ou emocional dos valores e idéias judaicos em si não é mais suficientemente forte para enfrentar a luz do exame crítico no mercado de idéias e exige um sólido apoio intelectual e acadêmico, este por si mesmo não trará engajamento ao modo de vida judaico.

O primeiro artigo em cada credo é a crença… Mas é difícil ver como uma simples idéia pode ter esta eficácia… Não é suficiente que pensemos nelas (as idéias), é também indispensável que nos coloquemos em sua esfera de ação e que nos coloquemos onde possamos melhor sentir sua influência; numa palavra, é necessário agir…

"Retorna, ó Israel ao Eterno teu D’us" é o grito dos profetas hebreus que tem ecoado através das gerações sempre que nosso povo se afastou d’Ele.

O centro de nossa fé é a noção de que nunca é tarde demais para um retorno. Se a pessoa tem seis ou sessenta anos, dez ou cem, é convocado a purificar seu coração e seus pensamentos e a direcionar-se ou redirecionar-se ao Todo Poderoso.

Que nenhum báal teshuvá imagine que está muito distante do nível dos justos por causa de seus pecados e transgressões passados. Não é assim. Ele é amado e querido perante o Criador como se jamais tivesse pecado… Não somente isso, mas sua recompensa é ainda maior, pois ele experimentou a transgressão e se afastou dela, dominando sua má inclinação. Nossos Sábios disseram: no lugar onde está um báal-teshuvá, nem mesmo o perfeito justo pode ficar. Em outras palavras, seu nível espiritual é ainda mais elevado que o daqueles que nunca pecaram. Todos os Profetas conclamaram ao arrependimento, e a redenção final de Israel somente virá por meio do arrependimento…(Hil. Teshuvá 7:4,5)

Podemos também registrar a conclusão do sábio Cohêlet, que após toda sua procura pelo significado da vida e após toda sua busca por ela, do ascetismo ao hedonismo, concluiu que: "Após todas as coisas terem sido ouvidas… reverencia o Eterno e guarda Seus mandamentos. Pois esta é a íntegra do homem"

(Cohêlet 12:13)Proverbios

Se alguém que salva uma vida recebe, segundo nossa tradição, o mérito de ter salvado o mundo inteiro, então aquele que destrói uma vida é culpado de destruir um mundo. Se aquele que sufoca espiritualmente uma vida judaica, seja a sua ou a de seus próprios filhos, é imputável pela sufocação espiritual de todo um mundo judaico, também aquele que revive espiritualmente uma vida judaica – seja a sua própria – é como se espiritualmente revivesse um mundo judaico.

Fazer Teshuvá, isto é, querer voltar a viver o judaísmo autêntico de acordo com a Torá de verdade e Torá de vida e não de acordo com a política e falsas "boas maneiras".

Fazer Teshuvá não significa dar dinheiro. Fazer Teshuvá é viver de novo.

Não basta doar um Sefer Torá para lavar sua consciência e não estar nem aí para cumprir suas 613 obrigações.

Doar dinheiro, doar Sefer Torá, visitar a sinagoga, tudo isto é muito bonito, mas não isenta nenhum judeu de cumprir suas obrigações, isto é, os 613 Mandamentos da Torá. Um bom rabino orientador deve orientar a pessoa a seguir as Leis da Torá de maneira honesta e não rapinar suas economias acalmando sua consciência.

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