JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Um Plebiscito Mortal

Sérgio e Angela estão levando uma conversa interessante na qual resolvi me intrometer. Vi que a Ângela anda lendo o KUZARI a quem chama de sionista ( isto no sec. XI?). Aí achei que seria interessante relembrar como a conversa com o rei Kazar foi retomada centenas de anos depois pelo grande sábio israelense Yeshaaiau Leibowitz.

O seu artigo de 1953/4 “Depois de Kivia” ( Leahar Kivia) foi escrito após a destruição da aldeia de Kivia por um grupo de soldados do Tzahal chefiados por Ariel Sharon. Eles foram enviados para a Jordania numa ação de retaliação a um ataque terrorista que causou algumas mortes em israel. Foi depois desta ação que despertou uma crise internacional que Yeshaaiau publicou o artigo desencadeando uma intenso discussão em Israel.

Chocado com acontecimento onde foram mortos crianças,velhos e mulheres,os assassinos tinham fugdo da aldeia, o sábio relembrou em seu desabafo aquilo que o rei Kazar respondeu ao protagonista judeu do debate medieval cirtado pela Angela. O personagem que encarna o sábio Judeu ( Pag 93 e 94 da edição da Sefer) afirma que a proximidade com Deus deve ser aquilatada “com base em nosso estado de degradação,mais do que tivéssemos logrado grandeza neste mundo”. Embora a tradução brasileira seja meio truncada, Yeshaaiu nos ensina em hebraico o sentido da resposta dada pelo Kuzari e de quebra permite entender melhor o original medieval.

Na mesma medida em que Halevi enaltece o sofrimento judaico e o dá como mérito da proximidade a Deus e não aos valores de força e poder, o próprio autor coloca na boca do Kuzari uma resposta instigante. Vejamos como Halevi debate com o seu próprio argumento enaltecedor.

"Isto seria correto se vocês aceitassem este estado de miséria de livre vontade. No entanto este não é o caso: se pudessem destruir os seus inimigos, seguramente o fariam" Ou seja, enquanto povo dominado e “fora da historia”, um povo meta-histórico como ensinou Franz Rozenzwieg, os judeus viviam em uma encubadeira sem poderem testar o seu poder de dominar e destruir. Foi quando saímos desta situação privilegiada é que nos vimos sem o conforto da falta de liberdade que permitia orgulhar-se dos valores da própria tradição. Como hoje continuamos fazendo.

Com a entrada na história as coisas tomaram outro rumo nos transformando em testemunhas de que Halevi/Kuzari tinha uma visão sofisticada da realidade psicológica do ser humano.

Hoje, dia 5/6 de setembro, em Israel o Rabino Ovadia chefe da comunidade Sefaradi e influente líder político, aquele que disse que os seis milhões de mortos da Shoá tinham almas de pecadores reencarnadas em seus corpos, ele esta sendo o foco de um novo debate racista. O Rav declarou dias atrás em sua sinagoga, arrancando gritos de exaltação e améns fervorosos em profusão, que o povo palestino a quem chamou de “ismaelitas” deveria morrer em sua totalidade por obra e graça dos poderes de Elohim.

Tomando ao pé da letra este pedido vindo de uma figura tão venerada por sua sapiencia e religiosidade, podemos considerar que dentro de poucos dias os judeus participarão sem o saber de um enorme plebiscito ao longo de suas orações: deve ou não Hashem Itbarach destruir o povo palestino em sua totalidade bemeherá beiamenu?

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Comentário de Olim kosta em 12 setembro 2010 às 22:18
ola mestre paulo blank,tenho acompanhado diariamente as pautas que sao veiculadas no nosso blog(jh).acompanhei as declarações desse influente rav de eretz,e achei muito apimentada a sua declaraçao,há algum tempo eu tinha essa linha de pensamento pois ha'shem deu eretz israel a nossos pais,mas estudando a torah e midrash eu fui descobrindo pensamentos diferentes desse conceituado rav.o midrash nos comenta que um certo talmid de R.Shimom, o inquiriu perguntando porque um ou muitos tzadic sofre duras mortes? R.Shimom respondeu que : "O sofrimento dos tsadikim causam a expiação para o mundo, pois expia os pecados da geração. Veja o exemplo de um corpo doente. Para aliviar a dor, o sangue de um membro deve ser posto para escorrer. Se o sangue é tirado do braço, o corpo inteiro se recupera.

"Assim, o povo judeu metaforicamente abrange os membros de um corpo humano. Se D’us deseja curar o ‘corpo’ inteiro, o ‘sangue’ deve ser ‘extraído’ dos tsadikim.

"Embora as provações do tsadic sejam uma expiação para a geração, elas elevam o próprio tsadic neste mundo e no vindouro.

Abba prosseguiu: "Mas por que alguns tsadikim sofrem, ao passo que outros vivem pacificamente?"

"Às vezes o corpo está apenas levemente enfermo, portanto a maior parte dos membros pode ser poupada. Porém se o corpo está muito doente, o sangue deve ser extraído de ambos os braços. Da mesma forma, se há relativamente poucos pecados no mundo, D’us poupa do sofrimento a maioria dos tsadikim, mas se a geração é imensamente perversa, D’us aflige todos os tsadikim para curar a doença largamente difundida."

Para aceitar o sofrimento, devemos entender que segundo a Torá, até o maior deleite deste mundo nada é quando comparado às bênçãos do Mundo Vindouro. Além disso, aquilo que é considerado infortúnio aqui pode na verdade não o ser, quando visto sob a absoluta perspectiva do Mundo Vindouro. E ao contrário, aquilo que parece afortunado neste mundo pode na verdade ser um impedimento ao crescimento espiritual da pessoa.

Portanto, um judeu não deve considerar seu bem-estar físico como um benefício absoluto. Se for golpeado pelo infortúnio, ele deve aceitá-lo com a fé que "tudo aquilo que D’us faz, é para o melhor." Assim como o bem-estar físico não é absoluto, o infortúnio também é relativo. D’us com certeza planejou-o para terminar sendo um benefício, "pois todos os Seus caminhos são justos".
grande abraço.
Comentário de Angela R. C. Nespoli em 8 setembro 2010 às 2:41
Prezado Paulo... Acabo de ler este post, e minhas duvidas aumentaram... Para mim "Sionista" é tanto aquele que acreditou como o poeta e autor do livro Kuzari quanto o que ainda acredita que a Terra de "Sião" é para ser habitada (e nao ocupada) por judeus. Não me referi ao movimento Politico Nacionalista.
Se não, porque haveria de recitar a prece Hoshiênu do sidur, e pedir para HaShem recolher-nos dentre as nações? E a Bracha Kibuts galuiot, pedindo para reunir os dispersos para a nossa terra?
Como disse na conversa com o sr Sergio estou formando opinião ainda e tenho muitas duvidas... Este movimento de pessoas fazendo aliá, é cumprimento da profecia de Moshe Rabeinu? (Estudamos na parasha passada). Eu me pergunto: Como posso recitar a bracha se nao tenho a menor intenção de ir para Israel? Ou se nao creio que o tempo do cumprimento da profecia ira chegar? E como habitar seguro na Terra? Apenas confiando em HaShem e rezando? O senhor poderia ajudar a esclarecer essas questões? Muito obrigada...Se puder antes de Rosh HaShana... rs Grande abraço Paulo e shana tova para o senhor e toda familia...
Comentário de Flávia Muniz em 6 setembro 2010 às 16:30
glub
(isso sou eu engolindo em seco)

Os acordos políticos são cegos para isso?
Isso não é questão de escolha. Concordo com o Elias.

Eu li isso de madrugada e fiquei pensando com o silêncio um monte de segredos. Eu queria ter uma cartola mágica nessas horas...

um abraço,
Flávia
Comentário de Elias Salgado em 6 setembro 2010 às 10:04
Mashiach Ben Itzhak, tente acertar no toque do seu shofar desta vez, e trata de espantar, com ele, para bem longe essa, "urucuba" e não corra tais riscos, já que a tentação é grande e esta sua mania de democrata...Plebiscito, onde já se viu? Vc.não ouviu dizer no seu reino, que a carne é fraca?
Abençoe este seu humilde devoto.
Elmaleh (Rachamim)

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