JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

500 anos: O massacre de Lisboa

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Nuno Guerreiro Josué

1506-2006

Vai fazer exactamente 500 anos, nos dias 19, 20 e 21 de Abril, que um cataclismo se abateu sobre Lisboa. A alma da Capital do Império sofreu um abalo tão grande – senão mesmo maior – quanto aquele que a haveria de destruir em 1755. Durante três dias, em nome de um fanatismo sanguinário, mais de 4 mil pessoas perderam a vida numa matança sem precedentes em Portugal.
Como vozes que teimam em emergir de entre as poeiras da História, cronistas como Damião de Góis e Samuel Usque deixaram relatos detalhados dos motins sangrentos. Contam os testemunhos que tudo terá começado na Baixa, no dia 19 de Abril de 1506, um domingo, na Igreja de São Domingos, quando alguém gritou ter visto o rosto do Cristo crucificado iluminar-se inexplicavelmente no altar. Em redor, gente que rezava pelo fim da seca prolongada que grassava pelo país clamou que era milagre. Entre eles, um judeu convertido à força terá tentado explicar que a luz que emanava do crucifixo era apenas um reflexo de um raio de sol que entrava por uma fresta. Terão sido as suas últimas palavras. Arrastado para a rua, o marrano e um irmão seu foram espancados até à morte. Os seus corpos mutilados foram arrastados para o Rossio e queimados em frente dos Estaus – onde décadas depois foi instalada a Inquisição. Eles eram apenas os primeiros de entre mais de 4 mil mortos – anussim, judeus portugueses, homens, mulheres e crianças, assassinados em três dias sangrentos.
Incitada por frades dominicanos, a multidão que entretanto se aglomerara decide partir em direcção da Judiaria, gritando “morte aos judeus” e “morram os hereges”. As incompreensíveis cenas de violência que se deram a seguir fazem parte de um pedaço da história de Portugal que a História resolveu esquecer. Conto voltar ao tema e às descrições desta tragédia de há 500 anos. Por agora, queria apenas deixar um apelo. Em Portugal comemoram-se há muito os grandes feitos da História, testemunhos quase sebastianistas de uma grandeza perdida. Que não se esqueça também a desgraça que prova ser mito a velha máxima do tal “povo de brandos costumes”.

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Respostas a este tópico

Acho que merece não só recordação, mas em nosso país já deveria esta memória fazer parte do currículo escolar, visto que ainda hoje a nossa sociedade sofre conseqüências desta faceta da história de Portugal que chega ao Brasil desde a colonização com os marranos. Seja por fuga ou por condenação, estes sefaraditas passarão aqui por um processo de silenciamento no século 18 e  hoje, seus descendentes, tem como consequência o desconhecimento de suas raízes. Apagar a memória é perpetuar o massacre. Uma Vergonha!

Obrigado Cleudo, pelo apoio. Em dezembro recebi a visita de duas estudantes universitárias portuguesas, que ficaram impressionadas em saber como foi a história dos Judeus em seu país. Elas nunca haviam sido informadas e tão pouco estudaram um dia sobre o verdadeira história da colonização do Brasil. Também tenho amigos na Espanha que desconhecem totalmente a presença judaica na Península Hibérica, portanto, não é de se admirar que os brasileiros, com seus sobrenomes trocados pensem apenas que são descendentes de portugueses e nada mais. Está mais do que na hora de desenvolvermos um trabalho sério a esse respeito.

"Quando vejo a ignorância e a falta de interesses não só pelo passado como pelo que deixarão aos filhos e netos, realmente me sinto como um daqueles que no passado queimou nas fogueiras da inquisição. Inexistente."

                                                                                                                                

Olá Marcelo, bom dia.

Excelente texto sobre Portugal.

Como vc. tb. sou um descendente de Sefarad e um entusista de nossa cultura. Mantenho com meu irmão, David Salgado, 2 blogs ( AmazôniaJudauca e Universo Sefatadi) e um site , o Portal Amazônia Judaica, Tais iniciativas as divulgo na parte  Eventos do nosso Blog Humanista.

Nossa luta tb. vai por aí: tesgatar,registrar e preservar a cultura sefaradi, de sua  gloriosa gênesis em Sefarad até os dias atuais, com seus desdobramentos e a eterna luta pelonão esquecimento.

Para contato direto, meu e-mail:eliassalgado@gmail,com

Promovemos aqui em Natal todos os anos um evento que se chama " encontro de cultura judaica do RN". O último em no fim do ano passado, tivemos a participação do LEI, Laboratório de Estudos da Intolerância da USP com a ilustre presença da profª. Anita Novinsky. Osucesso foi tanto que a UFRN nos absorveu e neste instante estamos estruturando o grupo de estudos no departamento de história que acreditamos ser o início de uma longa pesquisa e registro da memória sefardi em nosso Estado. Talvez seja tempo de começarmos a estreitar laços e ventilar a possibiliade de parcerias.

Elias Salgado disse:

Olá Marcelo, bom dia.

Excelente texto sobre Portugal.

Como vc. tb. sou um descendente de Sefarad e um entusista de nossa cultura. Mantenho com meu irmão, David Salgado, 2 blogs ( AmazôniaJudauca e Universo Sefatadi) e um site , o Portal Amazônia Judaica, Tais iniciativas as divulgo na parte  Eventos do nosso Blog Humanista.

Nossa luta tb. vai por aí: tesgatar,registrar e preservar a cultura sefaradi, de sua  gloriosa gênesis em Sefarad até os dias atuais, com seus desdobramentos e a eterna luta pelonão esquecimento.

Para contato direto, meu e-mail:eliassalgado@gmail,com

Oi Marcelo, tardei a te responder mas agora vai.

Vc. deve ter percebido que estamos nesta questão do sefaradismo, no mesmo barco. Grande parte de meus 53 anos, venho dedicando, em parceria com meu irmão David, a cultura sefaradi em geral, com particular ênfase, ao judaismo amazônico que tem passagem pelo Marrocos, mas nasceu na Peninsula Ibérica.

Editamos um site ( Portal Amazônia Judaica - www.amazoniajudaica.org.br ( em fase de renovação, devendo voltar " ao ar" agora em março, Uma revista impressa - Amazônia Judaica e 2 blogs: Blog AJ( www.aj200.blogspot.com ) e Universo Sefaradi(www.universefaradi.blogspot.com) .

Teremos o maior ´prazer em trocar idéias e iniciativas conjuntas no futuro e contar com sua colaboração.

Abs.

Elias

Shalom Elias! Para ficar mais fácil, acabei de criar um GRUPO aqui no Blog, "SEFARAD - O Resgate de Uma História", onde poderemos estar postando as maravilhas da Nossa Sefarad.

Não sei se você já viu, mas temos um membro do Blog que é um legitimo representante do Judaísmo Marroquino, o ADO LEVY, que é filho de Judeu Marroquino. Ele é fotógrafo e responsável pela postagen de lindas fotos aqui.

Grande Abraço.

                          Marcelo Barzilai.

Vejam esta casa amigos no município de Macaiba/RN. Apesar de está em ruínas é um registro de nossa memória. 

 

Marcelo Barzilai disse:

Shalom Elias! Para ficar mais fácil, acabei de criar um GRUPO aqui no Blog, "SEFARAD - O Resgate de Uma História", onde poderemos estar postando as maravilhas da Nossa Sefarad.

Não sei se você já viu, mas temos um membro do Blog que é um legitimo representante do Judaísmo Marroquino, o ADO LEVY, que é filho de Judeu Marroquino. Ele é fotógrafo e responsável pela postagen de lindas fotos aqui.

Grande Abraço.

                          Marcelo Barzilai.

Prezado Nuno,

O meu filho acaba de regressar de Lisboa me informou ter encontrado neta capital um expressivo monumento de dolorosa recordação deste massacre. Antes tarde do que nunca. Mas o que para mim é inexplicável ainda é o esquecimento pelo Estado de Israel dos refugiados judeus, a grande maioria sefaraditas, em consequencia de odiosa perseguição nos paises árabes sofrida por ocasião da criação de Israel em 1948. Foram violentamente expulsos, muitos ficaram com apenas as roupas do corpo.. Se de um lado, foram de fato bem recebidos pela sociedade israelense, por outro, nunca foram lembrados quando o próprio governo de Israel tratou, e trata, do caso do "refugiados" (com aspas) palestinos, emulando-o om drama dos refugiados sefaraditas. Com essa clarmorosa falha, veio prevalecer na opinião pública internacional a idéia de que vitimas da Guerra da Independencia de Israel só foram os árabes palestinos ... 

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