JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Israel está como os Profetas gostam! Jayme Fucs Bar – Kibutz Nachshon Agosto 2011

Israel como os Profetas gostam!

Jayme Fucs Bar – Kibutz Nachshon Agosto 2011

 

Estávamos sentados em volta  da mesa no  Kabalat Shabat Familiar, que fazemos todas as semanas , onde o tema central não podia ser outro a não ser as manifestações sociais que ocorrem em todo o Pais.

 

 Meus  filhos como parte ativa dessa  juventude Israelense que sonha e  espera por esperanças, eram os locutores principais dessa discussão, e para a surpresa de todos o meu filho  Oren declara: "Esse ano vamos jejuar em Tish BAv!" A mesa toda  ficou surpresa com esta afirmação! Jejum em Tisha BAv  vem sendo estritamente um Jejum Ortodoxo, onde choram pela destruição do Templo.

 

A afirmação decidida do  Oren, nos deixou  mudos à  espera de uma explicação até que ele  nos esclareceu  que  parte dos Jovens que estão nessas manifestações entende que Tisha BAv não é  somente o dia destruição física dos dois templos e sim  o fim da autonomia e da independência Judaica na terra de Israel, e que essa autonomia foi perdida não somente pela força brutal dos impérios Babilônico e Romano mais  sim pela (Sinat Hinam) Ódio Gratuito entre  nós Judeus, que poderíamos traduzir esse termo antigo muito gritado nas praças publicas pelos profetas como falta de  Justiça social, solidariedade e coexistência dentro do povo Judeu.

 

 A grande revolução que fez o Movimento Sionista foi ter nos dado mais uma vez a oportunidade de reconstruir a nossa autonomia na terra de Israel depois de 2 mil anos  , mais essa autonomia e independência deveriam ser  aquela que está escrita na carta magna de sua independência,  . "Um Estado Judeu da visão dos profetas,  voltado para Paz ,solidariedade e Justiça social"  e não a extravagancia, corrupção e ganancia dos Reis.

 

O "Reinado" de Benjamin Netanyahu e outros Reis anteriores  vem nos ameaçando mais uma vez de destruição  por causa da  Sinat Hinam (Ódio Gratuito) entre  Judeus.

Terminamos o jantar do Shabat bem tarde satisfeitos e otimistas com as idéias  que o nosso filho  Oren nos ofereceu nesta noite. O dia seguinte nos trouxe a grande  surpresa! Perto de 300 mil pessoas foram expressar  em Tel Aviv e outras cidades em Israel, o repudio à Sinat Hinam  como parte da realidade da sociedade israelense .

Repudio e Jejum para reclamar por justiça social, para acreditar em novas  esperanças, para lutar pelo direito básico de todos israelenses a terem o direito e dignidade a habitação e a educação.

 Neste momento Israel está  exatamente como os Profetas gostam !

Israel todo é um  grito dos profetas dirigido ã consciência dos poderosos e dos políticos Israelenses. A prova disso foi a realização dessa  manifestação, a maior na história de Israel. Um  movimento iniciado  por  Jovens cansados de lutar nas guerras e de carregar o país em suas costas.  Jovens que morrem por este país e agora gritam por Esperanças, Direitos, Paz e Justiça social.

O que começou há um mês continua crescendo e a adesão ao movimento rompe fronteiras das  tensões politica, coisa comum neste pais. Pela primeira vez  seculares, tradicionalistas  e religiosos se unem às fileiras dos protestos.  Famílias com suas crianças. Movimentos Juvenis. Ongs de todos os tipos. A Central dos estudantes, e a Central Única dos trabalhadores  a Histradut .

As ruas e as praças das cidades  de Tel Aviv e de Israel  estão congestionadas por barracas e placas com slogan que falam de Justiça, solidariedade, e coexistência, e o Povo nas ruas grita: "O povo exige justiça social", "O povo contra a  politica econômica do Governo"." Por mudança das prioridades econômicas" , "solidariedade e esperanças"

As Manifestações são pacificas  somente Armadas com cartazes e muitas bandeiras de Israel e algumas bandeiras vermelhas relembrando o tempo da Israel social-trabalhista.

A Cara desse  movimento é o retrato do jovem israelense que serviu o exercito e está ativo na reserva de defesa do pais ,e trabalha com suor, nas poucas horas livres que tem  para pagar os altos preços de seus estudos e um aluguel de um pequeno quarto que divide com os amigos e ainda é taxado no final pelos  altos impostos.

São esses Jovens  que saíram em meados de Julho  contra o aumento dos preços das habitações, e foram viver em barracas nas praças Publicas, como forma de exigências para a construção maciça de novas casas  e apartamentos para se alugar  a preços baixos . Surpreendente como esse movimento  se espalhou como fogo para outras reivindicações na sociedade Israelense como: o aumento de salários , ensino gratuito para todas as idades, diminuição de impostos etc.

Neste surpreendente  contexto surgem novos   lideres e "profetas" na sociedade Israelense , um deles é o jovem  presidente da associação de estudantes Itzik Schmueli.  Num de seus discurso na manifestação  em Tel Aviv. Disse " Nós, os jovens, apelamos pela mudança desse terrível sistema econômico que está implantado em Israel, ele é uma  ameaça a todos e a própria existência de Israel" Schmueli,  foi aplaudiu de pé.

 Nas Praças Publicas de Israel estamos vivendo um novo momento de esperança para o povo de Israel, movimento  liderado por uma  juventude, que acordou do pesadelo e da ilusão do Neo liberalismo e que  nos trás de volta os sonhos adormecidos de um novo Israel e fazendo desta terra   um lugar onde  os nossos profetas gostariam de estar!

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Respostas a este tópico

Querido Mestre Jayme.

São 8 horas da manhã e acabei de ler seu texto. Confesso que a atitude do Oren e dos jovens israelenses me comovem profundamente, pois, minha filha Marcela completou 15 anos ontem e não consegue desprender a atenção dos acontecimentos em Israel e às vêzes fico me perguntando do porque de tanto interesse, mas chego à seguinte conclusão:  "ESPERANÇA", é nisso que sempre se resumiu os sentimentos do nosso Povo. A Esperança de ver Israel voltar a ser a Israel da mentalidade dos Profetas, onde certas atitudes que nos aproximam de D'us não devam ser vistas como exclusivas dos ortodoxos, mas do Judeu, que mesmo sem saber  ou admitir continua com sua EMUNÁ mais viva do que nunca.

Querido Mestre Marcelo,

Eu Acho que você Acertou em cheio nesta sua conclusão: "ESPERANÇAS " .

Acredito o que vem acontecendo com os nossos Filhos e com  milhares de Jovens desse mundo, e que estão acordando do pesadelo e da Ilusão, do que foram massificados por essa nossa sociedade pós moderna, que venera um mundo de Futilidades, Sonha em ser um Big Brother, consome tudo o que não necessitamos, Se Individualiza a ponto de se pensar que somente "eu" existo no mundo  e que dane o resto!, compete num jogo sem regras, pisa em quem tiver a sua frente, vive do olho grande da ganancia, aprendeu o que eh correto eh passar a perna no outro e usar todos os meios possíveis para garantir e aumentar o "meu"  'status". Acho que esses Jovens descobriram que esse sistema não somente massifica, mais faliu ! e eles começaram a entender que estão sendo usados, perderam suas própias identidades e agora finalmente acordam para Dizer NÃO e procurar outros caminhos, uma nova identidade , que possa trazer a essa geração e principalmente a seus filhos os nossos netos o que você sabiamente concluiu ESPERANÇAS!  

Realmente, em uma era onde se prega a exaustão o que é errado como se fosse certo e o certo sendo atacado como se fosse errado, encontrar jovens de 15, 16,18 anos, querendo mudar as coisas, querendo um amanhã, pois o ontem tem sido o mesmo de seus pais e seus avós, realmente nos faz acreditar que é possível.

 

Não me ateria apenas na palavra esperança, mas também usaria as palavras, atitude e realidade.

 

a esperança só se torna realidade atravéz das atitudes e nessa escala, já podemos abrir um sorriso, pois o primeiro passo já foi dado.

 

Shalom a todos.

Jayme, lindo artigo! Que os novos "profetas" tenham sucesso nas reivindicações.

 

Israel está como NÃO gostaram nossos Profetas...Marx Golgher

Perdôe-Jayme, tortuosa situação interna de Israel, com onda de protestos sem precedentes para reclamar por justiça social, para acreditar em novas  esperanças, para lutar pelo direito básico de todos israelenses a terem o direito e dignidade a habitação e a educação. que "se espalhou como fogo para outras reivindicações na sociedade Israelense como: o aumento de salários , ensino gratuito para todas as idades, diminuição de impostos, ETC".está na contra-mão toda a pregação humanista dos Profetas judeus que impregnou a Diaspora sem-Estado durante quase dois mil anos.

 Salta aos olhos que Israel virou um cenário inçado de iniqüidades econômicas, em meio a constantes atentados ao direito da mulher judia, submetida à opressão machista do judaismo ortodoxo, governos corruptos, contraditórios, com o país a acumular erros sobre erros na política externa, bem aproveitados pela frente islamo- esquerdista anti-Israel, uma mixórdia ideologica de sectarismo religioso do Islã radical com materialismo dialético mal digerido de stalinistas, trotkistas, maoistas,  et caterva, mas que arruinam a imagem de Eretz perante a opinião pública internacional

Israel de hoje não tem a ver com o Estado judeu sonhado pela Diáspora sem-Estado durante 1.813 anos ( do ano 135 até 1948). Pais sonhado no sentido de assimilar os valores e princípios pelos quais o povo judeu se bateu a partir da Emancipação pos Revolução Francesa de 1789, que desaguaram 200 anos depois na democracia social, justiça social, direitos do homem e da mulher, direitos civis, liberdades democráticas,  etc.

Como explicar esse divórcio entre o ethos de Israel e da Diáspora?  Sem mistério ou “desexplicações” complexas: É que os ideólogos sionistas impregnados pelo discurso de Herzl de cunho filosófico romântico de Viena que só enxergaram como valores para o Estado nacional a “terra” e a “língua”. Assim, no vazio de idéias, passaram logo a repudiar a Diáspora e seus os valores e princípios e suas línguas “idish” e “ladino”,acusando-a de parasitária e indignamente humana. O movimento sionista  imaginava criar um pais na Palestina Britânica com o judeu – ano zero- o sionista- sem os supostos vícios, o parasitismo social e política, com ignóbil subserviência e covardia do judeu do Galut, insultos e difamações que inundam os textos sionistas. .

A guerra desfechada pelo pioneiros sionistas na década de 1920 para extinção do”idish” e tudo o que ele significava contem textos de um violentíssimo ódio contra o povo judeu do Galut. Como os de Brenner, cujo rancor ã Diaspora, não se distingue dos textos do semanário nazista publicado pelo furibundo antissemita, Julius Streicher de 1923 até o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. 

Sem nenhuma fonte de valores e princípios da Diáspora, a montagem do judeu ano zero falhou completamente. Assim, o ethos aquilo que é característico e predominante nas atitudes e sentimentos dos indivíduos da sociedade israelense, e que marca suas realizações ou manifestações políticas, sociais e culturais, é muito diferente do ethos do judeu da Diáspora, quando não antípoda.  Daí porque o que causa reações bem negativas no judeu da Gola, como o escandaloso caso da prisão no Kotel de Jerusalém de uma mulher judia porque carregava a Tora, procedimento cotidiano na sua sinagoga nos EUA, enquanto que para os judeus israelenses tratou-se de procedimento “normal”, “legal”. É o legalismo ortodoxo vigente em Israel que aleina o judeu sionisa da realidade da Diáspora, afinal. a maioria do povo judeu. .

Meu caro Jayme, do jeito que se encaminham  as coisas em Israel- em marcha forçada do segmento ortodoxo para se transformar num Estado teocrático no modelo talibânico,  será inevitável entrechoque e a ruptura entre Israel e a Diaspora. Que aliás já esta à vista com o conflito em torno de quem é judeu em terra israelense, ainda um monopólio ortodoxo para indignação do judeu diaspórico.

. Urge, pois, um dialogo urgente e fraterno entre segmentos democráticos israelenses e da Diáspora, no resgate dos valores e princípios judaicos que foram repudiados pelos ideólogos sionistas. Dificil, mas imprescindivel para evitarmos uma catastrófica ruptura entre Israel e a maioria do povo judeu

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