JUDAISMO HUMANISTA

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Israel é um país desenvolvido?Escrito por Amir Szuster da Conexão Israel

                                           

Se te perguntassem desta forma: “Israel é um país desenvolvido?” O que você responderia? Esta pode ser uma questão mais difícil do que parece ser à primeira vista.

Primeiro porque esbarramos no conceito de país desenvolvido. Não existe uma unanimidade a respeito deste termo. Alguns preferem destacar aspectos econômicos, como o PIB (Produto Interno Bruto) per capita e o nível de industrialização, enquanto outros destacam fatores como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e o Coeficiente de Gini (mede desigualdade de renda), que englobam de maneira mais ampla o conceito de bem-estar de uma população.

Para o propósito deste texto, vou utilizar uma mescla de vários índices que, em conjunto, representam aspectos que eu acredito serem importantes para mensurar o nível de desenvolvimento de um país.

Vamos tentar discutir alguns pontos com base nos índices fornecidos pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) instituição da qual Israel passou a fazer parte em 2010.

O próprio fato de ter sido aceito como país-membro tem um significado especial para a nossa análise: o país foi credenciado a fazer parte do seleto grupo de 33 países que se destacam tanto por apresentar um elevado PIB per capita, como por obter um alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)[i]. Ou seja, os demais países acreditam que Israel é capaz de ser sócio deste restrito clube. Mas será que eles têm razão?

Uma rápida análise dos índices pode levar a resultados enganosos. Em geral, a Start-up Nation apresenta alguns resultados surpreendentes a nível macroeconômico. Podemos identificar (Gráfico 1) que Israel tem tido um crescimento do PIB bem acima da média dos países da OCDE. Vale notar que mesmo no auge da crise mundial, a economia israelense manteve o seu crescimento.

Com respeito ao desemprego, novamente o desempenho de Israel é consideravelmente superior ao de seus colegas membros da OCDE. De acordo com a instituição, o país apresenta menores taxas de desemprego do que a média dos demais como pode ser visto abaixo. (Gráfico 2).

Além disso, Israel apresenta um elevado PIB per capita, inflação estabilizada e alta expectativa de vida. Sem contar outros muitos índices favoráveis[ii] em setores importantes como a educação superior e a inovação tecnológica.

Então está bem. Consegui responder a pergunta?

Gostaria de poder parar por aqui. Mas infelizmente, esta é apenas uma parte da história. Se observarmos outros fatores, veremos que Israel se posiciona exatamente no outro extremo em questões muito importantes para a qualidade de vida de um país. Por exemplo, os israelenses ocupam um incômodo quinto lugar (ver Gráfico 3[iii]) na medição de desigualdade de renda (com base no Coeficiente de Gini).

Em relação à pobreza, nossos resultados são ainda piores. Israel é o país com a maior taxa de pobreza entre os membros da OCDE, como pode ser visto nesta reportagem do jornal Haaretz[iv].

Se a pobreza e a desigualdade são os dois principais problemas socioeconômicos do país hoje em dia, existe ainda uma vasta coleção de índices ruins que os acompanha: preços altos de alimentos (em especial laticínios), elevado grau de congestionamento (comparando com países de tamanho e população similares)[v], exorbitantes preços de moradia e aluguel , entre outros, que colocariam Israel em uma posição muito distante do patamar de país avançado.

Ou seja, dependendo de qual conjunto de índices estamos analisando, podemos encontrar diferentes perspectivas de um mesmo lugar. Particularmente, acredito que o balanço geral é positivo. Mas assim como o Brasil apresenta diversos gargalos estruturais, Israel também deve cuidar de seus problemas básicos para seguir adiante e não retroceder. Os maiores desafios são o combate ao avanço da pobreza, a diminuição da desigualdade de renda entre os distintos setores da sociedade e a redução dos custos de vida.

Vale notar que muitos destes problemas estão diretamente relacionados à inclusão e à capacitação de trabalhadores atualmente excluídos ou marginalizados no mercado de trabalho, com destaque para os setores ultra-ortodoxo e árabe-israelense. Desta forma, a solução dos problemas está longe de restringir-se apenas à políticas econômicas. Estamos falando de mudanças sociais mais profundas que dizem respeito a questões religiosas e ideológicas.

Resta saber quem estará disposto a liderar reformas estruturais nestes campos. Se trata de uma missão ingrata e politicamente desgastante, mas que pode ser definitiva para o futuro do país.

Fica a pergunta: quem será o nosso “Mashiach”?

http://www.conexaoisrael.org/israel-pais-desenvolvido/2013-10-28/amir

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