JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

O Rabi Mosché Leib disse - Não há no homem qualidade ou força sem propósito. E até as vis e baixas qualidades podem ser elevadas para servir a Deus. Assim, por exemplo, quando a altiva autoconfiança é elevada transforma-se na alta confiança nos caminhos de Deus. Mas por que fim terá sido criada a negação de Deus? Também ela pode lograr sua elevação no ato de caridade. Pois, quando alguém te procura e roga teu auxílio, não deves pois despedi-lo com frases piedosas dizendo: "Tem fé e entrega aDeus tuas dificuldades". Ao contrário, deves agir como se não existisse Deus, como se no mundo houvesse uma unica pessoa capaz de ajudar este homem: Tu mesmo.

 

"Histórias do Rabi", coletânea de Martin Buber publicada pela Ed. Perspectiva

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Comentário de Lilian Neves Mise em 30 janeiro 2011 às 20:27

Marcela,

 

Ótimo comentário, amei!

Um texto serve para essa provocação mesmo, na discussão é permitido, como você disse que "aparecer em nós aquilo que somos e não somente aquilo que cremos". E acho isso bacana até por uma questão de auto-conhecimento, no diálogo, na discussão, todos crescem.

 

Alessandro,

 Quanto de entregar a responsabilidade das nossas ações a uma força exterior, não acho que isso seja típico de "outras religiões", mas é tipicamente humano e aparece em vários lugares. Falar a culpa é do capitalismo, a culpa é dos comunistas, a culpa é da imprensa, a culpa é do governo.. e ficar esperando que eles resolvam os problemas para nós (ou para os que sofrem a nossa volta), é fazer como aquele que entrega a D´us as suas dificuldades, e estamos perdendo essa oportunidade de usar nossas forças.

Quanto a teshuva, a palavra também significa resposta, e entendo que todos - acreditando ou não em D'us - são chamados a responder nem que seja a si mesmo, "Qual o sentido da existência?" "Como dar um significado integro a nossa vida?" As respostas são tão diversas quanto são as pessoas, tem pessoas que vão se dedicar mais a certas regras rituais, outras a ações sociais, outras a ações artísticas.. todas são de certa forma religiosas no sentido de religarem a nossa existência particular a uma existência mais ampla, ao coletivo. 

E que bacana que você encontrou o seu, desejo que possa seguir com todas as forças.

Em japonês vai começar uma coisa nova dizemos "Gambate!" apesar de equivaler ao nosso, boa sorte, pode ser traduzido literalmente como "Se esforce!". É isto que desejo que você possa se esforçar para viver este seu caminho com todas as suas capacidades!

Shavua Tov!

 

Comentário de Marcela Barzilai em 29 janeiro 2011 às 23:43

Desde que nasci, por ter tido uma educação judaica, aprendi que devo cumprir cada uma das mitzvot contidas na Torah, entretanto, também aprendi que ser judia é ser livre e por isso hoje compreendo que muitos preceitos foram criados com o objetivo de que não perdessemos nossas tradições e que o zelo de alguns sábios do passado transformaram esses preceitos em dogmas e justamente por ser livre, sei que os mesmos sábios permitiriam que discutíssemos inclusive a existência ou não de Ds. Certamente participariam alegremente dessa discussão, porque isso permitiria aparecer em nós aquilo que somos e não somente aquilo que cremos.

"O VERDADEIRO TSADIK É AQUELE QUE SE PERMITE PECAR EM PÚBLICO E CUMPRIR AS MITZVOT EM SEGREDO". (Rebe Mendele de Kotski). ;)

Comentário de Lilian Neves Mise em 27 janeiro 2011 às 11:54
Marcelo...

Também entendo desta forma!

e Alessandro e Marcelo, deixo uma dica para vocês que foi me dada pelo Sérgio e que vai ajudar muito pessoas que como eu não conhecem bem a rede e as pessoas por aqui, que tal deixar uma apresentação de vocês na página de vocês? Isto ajuda a humanizar um pouco o contato um com os outro, Alessandro... se for possível você poderia colocar uma foto, o que acha?

Super abraço a todos
Comentário de Lilian Neves Mise em 26 janeiro 2011 às 12:31

Olá Alessandro,

Que bom que você discorda! Concordar ou discordar é um bom meio de acordar para a vida! Pelo silêncio nunca se sai do subentendido e desentendido...

Bom, quanto a sua questão, o texto pelo contrário, não nega D'us para que o homem se sinta um deus, pelo contrário mostra que mesmo quando se faz isso pode se estar fazendo a vontade divina.Como todo texto depende de interpretação, e como toda interpretação está sujeita ao entendimento daquele que lê.

A interpretação que você me traz é que um homem sem (fé em) D'us é iníquo. Ou "como pode ser justo o homem sem D'us?"

Pois bem, eu discordo, mas acho a questão importante. Interessante observar que alguns ateus usam o mesmo argumento para falar dos que crêem em Deus. Uma resposta possível a essa questão é a que o texto diz, e que eu concordo. Não podemos julgar o ateu como iníquo, pois julgar desta forma seria julgar que D'us teria dado ao homem um poder ou força sem uso, ou pior, seria julgar D'us a causa do mal. Pois todo poder e força dado ao homem foi dado com algum propósito.O poder de negar a D'us é dado ao humano para que ele possa conhecer e desenvolver todas as suas possibilidades de ajudar o próximo, é isto que nos diz o texto.

No livro "Variedades da experiência ciêntifica: uma visão da busca pessoal por Deus" Há linda introdução da Ann Druyan  falando de seu falecido esposo Carl Sagan (famoso cético, cientista e humanista e judeu)
Ela conta como ele sabia esta frase em hebraico de cor, pois costumava recitar na sinagoga:
"E amarás o senhor teu D'us com todo o seu coração, toda a sua alma, toda a sua força"
A questão dele a esta oração é: "O que é o amor sem a compreensão? E que força possuímos, como seres humanos, maior do que a nossa capacidade de questionar e aprender" Carl Sagan descobriu sua força no poder de questionar, de aprender, se estar sempre perplexo diante das maldades, guerras e sofrimentos e usou toda sua força para agir e pensar em prol da justiça (antes de morrer ele estava a escrever um livro sobre ética). Não terá a vida dele sido como uma oração?

Eu acho que sim, mas esta é apenas a minha opinião.

Comentário de Marcelo Barzilai em 25 janeiro 2011 às 0:11
Olá Lilian. Creio que entendi perfeitamente o q o Rabi Moshé Leib quiz dizer: Muitos de nós temos o péssimo hábito de atribuir todas as nossas responsabilidades à D'us e nesse caso, despedir o pedinte de auxílio alegando que se ele tiver fé em D'us será atendido é estar usando de desculpas para não ter o trabalho de socorrê-lo. Creio que ainda que um indivíduo se considere ateu, todas as vêzes que ele faz pelo próximo ou semelhante estará cumprindo um belo propósito de melhorar o mundo à sua volta, coisa que deveria ser obrigação de todo judeu.

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