JUDAISMO HUMANISTA

O Judaismo Humanista é a pratica da liberdade e dignidade humana

Quem Eles Pensam Que Você É?

Apareceu um e-mail na minha caixa de mensagens sugerindo que eu checasse o que meus ex-colegas do ensino médio estavam fazendo. Então – cliquei para saber. Havia cerca de quinze nomes listados, e reconheci apenas um. Então, apareceu essa lista de atributos, pedindo para eu clicar nos que eu me lembrava que aquela pessoa tinha.

Ambicioso atlético atraente legal brilhante relaxado charmoso inteligente confiante simpático criativo elegante moderno amigável divertido generoso enérgico engraçado deprimido gentil leal maduro modesto otimista comunicativo educado orgulhoso romântico elegante esperto bem-falante doce talentoso confiável singular bem-vestido espirituoso.

Eu não lembrava de nada sobre aquela pessoa, e portanto não cliquei em nenhum adjetivo, mas então estremeci – o que as pessoas escolheriam para mim? Como era eu em 1976? De que eles se lembrariam? E será que chegariam a se lembrar de mim?

Nesse verão eu estava parada na estrada esperando para tomar um café, numa fila longa porque era um fim de semana prolongado. Vi um homem alto se aproximar do balcão onde as bebidas eram entregues, e o ouvi reclamar. Todos o ouviram reclamar. Ele falava alto, era grosseiro e completamente sem educação. Tinha pedido um café gelado, e estava reclamando que não havia gelo suficiente. Ele não pedia – furioso, exigia mais gelo. E então começou a reclamar que tinham cobrado a mais pelo café. Mostrou o recibo, e a pessoa atrás do balcão mostrou-lhe que o preço estava correto. A jovem atendente foi profissional e educada, mas eu podia ver que ela estava ficando um pouco amedrontada, olhando em volta em busca de apoio. Pare, por favor, eu implorava em silêncio na minha cabeça. Por favor, por favor, pare. Pare com isso!

Essa técnica de implorar em silêncio na minha cabeça sempre é ineficaz, e dessa vez não foi exceção. Depois que o homem não tinha mais sobre o que reclamar, saiu pisando duro para a área lateral onde poderia pedir leite e açúcar. Quando passei por ele, ainda estava ali, provavelmente remoendo sua longa lista de expectativas não atendidas, e nossos olhos se encontraram por um instante. Não sei o que me fez fazer isto, porque normalmente não falo com estranhos, mas dessa vez falei: “Uau – você fez uma cena e tanto ali, aquela moça estava bem amedrontada, e as pessoas estavam olhando para você como se fosse muito esquisito, portanto, você hoje não está num dia bom, para explodir com um estranho desse jeito. Então – ah, fiquei pensando – tudo bem com você?”

O que eu estava esperando? Fúria, insultos, provavelmente. Para minha total surpresa, porém, ele deu-me um grande sorriso – e começou a desculpar-se pelo seu comportamento. De repente, eu estava na frente de um homem enorme que não passava de um garotinho mau, e estava arrependido. “Tudo bem,” disse eu, pensando em algo forte para dizer. “Talvez… bem… não aja daquele jeito.”

Anos atrás, na sinagoga, o rabino dirigiu-se a nós dizendo que quando rezamos com sentimento, podemos ser um modelo para inspirar os outros à nossa volta. E se, por outro lado, estamos falando e agindo de maneira inadequada, também estamos sendo um modelo para o mau comportamento. De qualquer maneira, disse ele, qualquer que seja a nossa maneira de nos comportarmos, estamos sendo um modelo para aquele comportamento. Alguém está sempre notando.

Então, como você se classifica? Quais atributos alguém clicaria para você? Não quero dizer o “você” que você pensa que é em sua cabeça – mas o modo de ser que mostra aos outros.

Há alguns meses passamos por todas as festas, pedimos perdão, e prometemos mudar. Talvez devêssemos ter sido um pouco mais específicos. E se perguntássemos às pessoas em volta: “Como posso ser um amigo melhor para você? Como posso ser um cônjuge melhor para você? Como posso ser um pai ou mãe melhor? Como posso ser melhor no meu emprego, na minha comunidade? Qual é o aspecto que você acha que posso aprimorar para fazer uma real diferença em minha vida?”

E então, pergunte a si mesmo: Como posso honrar meus próprios valores? Estou mal alinhado comigo mesmo? Como posso agir melhor? Como posso contribuir mais? Onde posso fazer uma diferença? Como posso me esforçar para ajudar alguém? Para o que posso abrir mais espaço na minha vida? E então escute suas próprias respostas.

Se você vai à academia uma vez por ano, obviamente não consegue resultado algum. Se você pensa em mudar somente uma vez ao ano, não vai ter resultados também nessa área. Mas se está disposto a crescer, então uma boa maneira de fazer isto é descobrir como está realmente se mostrando, e quais valores de comportamento está realmente modelando. Se não soubermos, não podemos crescer. Simples assim. Mesmo que não digam nada, as pessoas em volta de você estão percebendo. Posso garantir. Peça a elas que ajudem você a ver o que precisa ver. Aborde o assunto como se estivesse lhes pedindo um presente – o presente da honestidade e boas intenções – e assim será. E ouça a sabedoria do seu próprio coração para orientá-lo.

Se deixarmos, podemos ouvi-los, se pudermos aumentar o volume do sussurro de nosso coração, podemos transformar as testemunhas silenciosas de nossas vidas em nossos professores, nossos guias, e influenciar aqueles que passam em nosso caminho.

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